Era uma completa tábua rasa, nisto da maternidade. Uma folha nova, completamente em branco, sem margens orientadoras nem parágrafos definidos. À medida que o tempo passa dou por mim a redefinir os vincos que me foram sendo feitos lá atrás no tempo, e a diminuir a pressão que exerço a cada dobra nova que vou dando nesta minha folha. 
Nalguns dias não passo de um pedaço de página amarrotada, noutros sinto-me uma espécie de origami, dobrado de forma única pelas condicionantes de quem atravessa a vida, e por ela se deixa marcar.

A escolher, e com algum jeito à mistura, destas minhas dobras de mãe, saia um tsuru, pequenito e de cor branca, para que tivesse a hipótese de crescer e se pintar da cor que lhe apetecer. Os tsurus são umas garças de papel, elaboradas pelo arte do origami, e são da paz, da saúde e da felicidade. São símbolo da harmonia e da longevidade e diz a lenda, que se dobrarmos 1000 e pedirmos um desejo, ele se realizará. A vida tem-me moldado, vincando-me a alma ao sabor da maternidade. Começou há meia dúzia de anos e foi-me permitindo realizar uma série de desejos.  Há outros que me têm visitado recentemente e que, segundo esta lenda, estão à distância de outros 999 tsurus como eu. 


O Dia Nacional do Pijama é um dia educativo e solidário feito por crianças que ajudam outras crianças.
Neste dia, as crianças até aos 10 anos (creche, jardim de infância e escola de 1º ciclo), nas instituições e escolas participantes, de todo o país (continente e ilhas) vêm vestidas em pijama para a escola e passam, assim, o dia em actividades educativas e divertidas até regressarem a casa. 
O Dia Nacional do Pijama realiza-se a 20 de Novembro de cada ano. Nas semanas anteriores, as educadoras e professoras organizam, na sala com as crianças e com as famílias, um conjunto de actividades lúdicas e educativas inspiradas pela Missão Pijama. A data coincide com o dia da Convenção Internacional dos Direitos da Criança.
Este é um dia em que as crianças pequenas lembram, anualmente, a todos que "uma criança tem direito a crescer numa família".

O Dia Nacional de Pijama é uma iniciativa e marca registada da Mundos de Vida. É também uma iniciativa que faz parte da Missão Pijama que foi criada em 2012, com a finalidade de sensibilizar o país para o "direito de uma criança crescer numa família", promover o acolhimento familiar de crianças e reduzir o número de crianças institucionalizadas.
A Mundos de Vida, pioneira no desenvolvimento do acolhimento familiar, no nosso país, já acolheu 118 crianças em famílias de acolhimento de qualidade que tem vindo, anualmente, a captar através do seu programa “Procuram-se Abraços”. 


Também é possível contribuir para a causa comprando artigos na Loja dos Abraços, todos os anos é lançado um livro para assinalar o Dia Nacional do Pijama, o deste ano chama-se A Pedra Falante.  



A Ana tem 41 anos, nasceu e vive em Lisboa. Vive em união de facto e tem 1 filho, o Diogo, com 7 anos. Tem formação em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras de Lisboa, com profissionalização em ensino; é professora de Inglês (e Francês) do 3º ciclo do ensino básico e secundário há 18 anos e em 2012 abraçou a paixão da fotografia e criou a Pics 4 Life - Photography.

O que os outros dizem sobre si?
Não sei... espero que sejam coisas boas... ehehe  
Penso que em geral reconhecem o meu empenho, a minha visão fotográfica emotiva e atenta ao detalhe, no fundo, a minha dedicação ao que faço (tanto enquanto professora como enquanto fotógrafa). 

Hobbies?
Não diria hobbies, mas sim principais interesses, que vou fazendo quando possível! Fotografar (fotografar é trabalho, mas não só ), ler, ver séries / filmes, ouvir música, trabalhos manuais...

Livro ou cinema?
Filmes: Em Busca da Felicidade; O Pianista; Forrest Gump; Danças com Lobos; Rain Man; O Bom Rebelde; La Haine... 
Livros: O Principezinho (A. Saint-Exupéry); Ensaio sobre a Cegueira (Saramago); If you could see me now e Flawed / Perfect (Cecelia Ahern); A Música do Acaso (Paul Auster); L´Etranger (Albert Camus), e tantos, tantos outros!!

Praia ou campo?
Ambos são perfeitos para fotografar, logo, os 2!!

O que mais lhe dá prazer?
Os miminhos do meu filho antes de dormir, o aconchego do final de dia; 
Viajar;
Ler um bom livro na praia;
Fotografar a espontaneidade das crianças; fotografar paisagens e detalhes bonitos.

O seu maior sonho?
Ver o meu filho feliz, seja qual for o caminho que escolha para a sua vida. 
Viajar pelo mundo inteiro e registar essa experiência em imagens.

O que a maternidade mudou em si?
Tanto!! Pensar 1º no meu filho e só depois em mim; mudança de prioridades; desvalorizar o que é acessório, e que antes parecia ocupar tanto do meu espaço e da minha pessoa. 

Qual o maior desafio de ser Mãe?
As birras fazem parte do crescimento (só tinha esperança que parassem mais cedo!!), mas são desafios constantes à nossa paciência, à nossa convicção acerca do que é educar... Para mim é muito importante educar hoje, para termos um cidadão responsável amanhã... penso muito nisto, o meu filho e os meninos e meninas da sua idade vivem numa era muito difícil, cheia de desafios, sejam eles positivos (tantos, felizmente!!), ou negativos (são muitos os obstáculos que terão de vencer, alguns bem diferentes dos que nós tivemos de ultrapassar...); quero muito conseguir educar o D. para que seja capaz de se adaptar a tudo isto... serei capaz? (a dúvida que sempre me atormenta!)

A que se deve o nome de Pics 4 Life?
O eternizar “para toda a vida” um momento presente; o conceito de que uma sessão fotográfica será um registo especial de uma determinada fase da vida, que ficará guardada para sempre naquelas imagens e que será frequentemente revisitada ao longo da vida, com toda a certeza! A opção pelo “4 life” em vez de “for life” também se deve ao facto de o número 4 ser um número do qual sempre gostei (é o dia do meu aniversário ;) ), logo, Pics 4 Life tinha tudo a ver comigo e com o projeto. 

O que é a Pics 4 Life?
A Pics 4 Life é fotografia de família, bebés e crianças; sessões fotográficas em estúdio e exterior; cobertura fotográfica de eventos (aniversários, batizados...); o estilo de fotografia que privilegio é o estilo lifestyle, registando de uma forma natural, com poucas poses, a espontaneidade das relações familiares / pais e filhos / brincadeiras das crianças / as suas diferentes expressões e reações...

Como e quando nasceu a Pics 4 Life?
Há 6 anos, 20 de Outubro de 2012, após algumas formações e workshops na área, e com o incentivo de grandes amigos, decidi avançar.

O que motivou o nascimento da Pics 4 Life?
Sempre adorei fotografar, logo, fazia todo o sentido; naquele momento da vida em particular, era professora contratada e as colocações são sempre uma grande incerteza; em 12 anos, sempre tinha estado colocada, mas nem sempre a tempo inteiro, e nesse ano a colocação estava a tardar mais que o habitual... foi o clique que faltava, decidi avançar. Fiz umas sessões experimentais com amigos, todos me incentivaram a avançar, por isso continuei (e cresci muito desde então!). 
Uma fotografia / conjunto de fotografias consegue mostrar muito mais do que o aspeto físico dos fotografados e é isso que quero também eternizar – cumplicidades e expressão de emoções e afetos entre pais e filhos / irmãos / avós, que tento sempre que sejam a base das fotografias de cada sessão. 

A maternidade teve alguma influência na criação da Pics 4 Life?
Sim, claro! Se já amava fotografia antes, desde que o meu filho nasceu a paixão por eternizar em imagens especiais e bonitas o crescimento de uma criança foi aumentando cada vez mais! Sempre adorei bebés e crianças, mas desde que nasceu o meu bebé esse amor mais que quadriplicou! Ao fotografar, sinto como me senti (e ainda sinto!) ao fotografar o meu filho: estes pais vão guardar para sempre esta fase do seu filho/a, e que privilégio o meu em poder proporcionar isso! 

Como concilia a vida profissional como a vida pessoal? 
Não é nada fácil, confesso; atualmente dou aulas a tempo inteiro num colégio, o que só por si ocupa a maior parte do meu tempo; a fotografia vai entrando onde é possível, pois não quis, nem quero, que a Pics 4 Life regresse à gaveta! É difícil conciliar tudo, há momentos em que o cansaço é muito e tudo demora mais tempo do que eu queria, mas o facto de fazer o que gosto dá-me força para continuar! 
Há momentos em que tenho mesmo de desligar dos trabalhos e dedicar apenas à família. O final de dia, desde que o D. sai da escola até ao deitar, tento que seja apenas para estar com ele; considero isso muito importante! Não é muito tempo, mas ao menos que seja bem aproveitado! Isto significa que a edição de fotos, trabalho bastante moroso por norma, tem de ser feito à noite, depois de o D. estar a dormir; tendo em conta que tenho de acordar cedo para ir dar aulas no dia seguinte, nem sempre este ritmo é fácil de aguentar... No fim de semana, que é quando em geral faço algumas sessões fotográficas e também quando há muito trabalho das aulas para por em ordem, o D. tem a companhia do pai ou avós, mas também faço com que haja sempre momentos para estarmos juntos, claro! Ultimamente, sendo já mais crescido, o D. até já me foi acompanhando em algumas sessões fotográficas, o que me permite trabalhar e estar com ele ao mesmo tempo (e até já vai ajudando um pouquinho ).


Como tem evoluído o projecto?
O projeto evoluiu imenso nos primeiros anos, e isso é algo que me deixou sempre muito feliz. A Pics 4 Life ficou por 2 anos consecutivos no Top 10 de Melhores Fotógrafos para Famílias nos Pumpkin Awards, o que me deixou muito feliz, pois foi uma sensação de reconhecimento importante e um sinal de que as “minhas” famílias gostam do meu trabalho!
Neste momento (desde há 2 anos), em que a minha profissão de professora absorve praticamente todo o meu tempo, o tempo para a Pics reduziu bastante, pelo que nem sempre consigo aceitar todos os trabalhos que me pedem – o que por vezes me deixa triste, pois gosto mesmo muito de acompanhar o crescimento das famílias queridas que me procuram! Simplesmente a gestão das marcações tem de ser muito bem pensada, para conseguir chegar a todo o lado!

O que mais gosta na Pics 4 Life?
A possibilidade de conhecer tantas pessoas queridas, que se vão tornando muitas delas amigas. Há famílias que acompanho em tantos momentos, que parece que as conheço desde sempre! Acompanhei a gravidez, os primeiros meses e primeiros anos do bebé, a 2ª (e 3ª!) gravidez, a chegada e crescimento dos manos, por vezes os batizados e aniversários... são momentos-chave que ajudei a eternizar de algum modo, por isso fico tão feliz com este trabalho. E por isso chamo, carinhosamente, aos meus clientes as “minhas” famílias!

Se voltasse atrás faria tudo de novo ou alteraria alguma coisa, das suas opções e escolhas profissionais?
Julgo que faria tudo de novo, com uma ou outra alteração, mas no essencial fiz e faço o que gostaria de fazer

Perspectivas do projecto para o futuro?
Continuar! Há algumas ideias novas em mente, mas que não se poderão concretizar em breve... um dia, quem sabe?

Como divulga a Pics 4 Life?
Essencialmente através das redes sociais (facebook e instagram), e também no blogue, quando pretendo mostrar um pouco mais das sessões que vou realizando. Os clientes são também uma preciosa ajuda, passam palavra a amigos e esses amigos a outros amigos e muitas são as pessoas que acabam por me procurar por recomendação de alguém que já conhece o meu trabalho! E isso é o mais gratificante possível!

Um conselho para quem tem um projecto de negócio na gaveta?

Tirem-no da gaveta!! Partilhem com os que vos são mais queridos, testem a viabilidade. Pensem bem em todos os fatores envolvidos, prós e contras... vai dar trabalho, sim, mas vai ser a concretização de um sonho pessoal e, quem sabe, a realização profissional que tanto procuram!

Pode acompanhar a Ana e a Pics 4 Life nas redes sociais
Facebook - aqui
Instagram - aqui
Blog - aqui


Obrigada Ana, pela partilha.





Hoje assinala-se mais um Dia Mundial da Prematuridade. Todos os anos, desde 2012, neste dia, dou por mim a recordar aqueles que foram sem qualquer sombra de dúvidas os dias, as semanas, mais angustiantes que vivi. Até então pouco tinha pensado sobre o que realmente significava ter um bebé prematuro. Um dos meus tios nasceu prematuro, na Guiné, há 62 anos e sempre ouvi a minha avó contar que era tão pequenino que as fraldas dele eram feitas com os lenços de assoar do meu avô. Para mim, prematuridade significava nada mais, nada menos do que um bebé muito pequeno. Até que chegou o dia em que nasceram os meus filhos.
Uma grávida de gémeos já ouve dizer quase desde o momento em que descobre que está grávida de gémeos, que a possibilidade de chegar ao termo da gravidez é muito remota. A verdade é que a maioria dos gémeos nasce antes do tempo. Habitei-me desde cedo à ideia de que no máximo chegava às 38 semanas, mas para mim, isso apenas tinha implicações logísticas. Tinha que preparar tudo o que é necessário para os bebés nascerem duas semanas antes do “normal”. Porque, convenhamos: Quem é a mulher que está preparada para ter um parto prematuro? Que tem realmente noção do que isso significa? Que acompanhamento ou preparação existe para esta temática?
O Daniel e a Carolina nasceram de 33 semanas. Tinha estado numa consulta 3 dias antes e depois de toda a avaliação tinha ouvido a minha obstetra dizer que o colo do útero estava super fechado e que ainda íamos ter que provocar o parto às 38 semanas porque eles estavam de pedra e cal. Sentia-me bem, cheia de energia, estava enorme mas não estava desesperada pelo dia do parto.
Rebentaram-me as águas pelas 2h da manhã numa madrugada de domingo para segunda-feira, sendo que nesse domingo tinha passado o dia na praia da Comporta. Sentia-me óptima! Não tinha as malas feitas e estava longe, muito longe, de me imaginar no hospital tão cedo.

Ultimo dia grávida

Mas nestas coisas quem manda não somos nós e o Daniel, já a mostrar a sua personalidade vincada, decidiu que queria nascer. Quase 24 horas depois de ter rebentado as águas, nasceu, de parto natural, sendo que a Carolina, que não concordou com ele nesta história de nascer antes de tempo, só veio ao mundo 2 horas depois e por cesariana. Fisicamente sofri bastante, fiquei internada 1 semana e os primeiros 2 dias após o parto estive acamada.
Depois de um parto prematuro as coisas sucedem-se a uma velocidade que temos alguma dificuldade em medir. Talvez porque estamos meio sedadas, cansadas e já não processamos a informação com a clareza normal, mas entre equipas a tratarem de nós e equipas a tratarem do ou no meu caso dos bebés, o movimento é alucinante! Imagino que haja 1001 procedimentos necessários para que tudo corra bem naqueles primeiros minutos de vida e aquilo que senti foi que podia confiar. Entreguei-me a mim e aos meus filhos nas mãos daquelas pessoas que nos trataram como puderam e conseguiram fazer o seu melhor para que tudo corresse bem. Hoje, à distância de 6 anos, sei que se tivesse tido clarividência para tal, teria pedido para que algumas coisas acontecessem de outra forma. Não prescindia de passar mais do que alguns segundos com a Carolina, ou de apenas ver o Daniel passar para ser preparado para a incubadora. Naquele momento, não tive capacidade para reagir. Também o parto me deixou marcas que provavelmente ficarão para sempre, mágoas que guardei bem cá dentro e que tento fazer de conta que não existem, mas que no fundo, sei que estão lá e que talvez até mexam mais comigo do que imagino.
Depois de toda esta azáfama, seria de esperar que fosse para um quarto com os meus filhos. Mas não. São prematuros. Estão em incubadoras e ficam na neonatologia, neste caso concreto dois pisos abaixo daquele em que eu ficava. Passei as noites a ouvir bebés a chorar nos quartos com as suas mães, enquanto eu, sozinha no meu quarto, chorava porque não tinha os meus bebés ao pé de mim. Dormi muito pouco, chorei muito, tentei ler, escrever, tudo o que tinha ao meu alcance para me ajudar a ultrapassar o facto de que estava sozinha num piso hospitalar cheio de mães com bebés recém nascidos.
No dia em que saí do hospital os meus filhos ainda lá ficaram, e foi sem dúvida o dia que mais me custou. Depois de já ter passado por tudo o que vos contei, a experiência mais avassaladora do ponto de vista psicológico foi sair do hospital e deixá-los internados. Há uma memória que acho que nunca vou esquecer, de olhar pelo retrovisor e ver o hospital a ficar pequenino enquanto as lágrimas me caiam descontroladamente pelo rosto. A sensação de impotência, o desespero, a vontade de fazer inversão de marcha só para chegar lá, agarrar neles e levá-los para casa! Não há palavras que possam descrever o que sente uma mãe nestes momentos.
A verdade é que quando saímos de casa para termos os nossos filhos estamos programadas para voltar para casa com eles! Lembro-me perfeitamente do último minuto antes de sair de casa para o hospital e sei que olhei à volta, respirei fundo e pensei exactamente isto: Quando voltar a entrar aqui eles já vêem comigo. Estava enganada.

Carolina e Daniel com 1 semana

No meio de tudo isto, olhava à volta e era das mães com filhos na neonatologia a que tinha mais sorte! Os meus filhos eram saudáveis, não tinham complicações de saúde, não ficaram com qualquer sequela pelo facto de terem nascido prematuros. Eram pequeninos, não tinham peso para apanhar vacinas e não tinham autonomia alimentar, ou seja, não sabiam mamar. Foram precisas duas semanas para que se tornassem fortes e autónomos o suficiente para irem para casa comigo. Mas, a esmagadora maioria dos bebés prematuros têm complicações, tem que travar duras batalhas e nem sempre ganham. Havia vários casos complicados nos berços mesmo ali ao lado, havia situações que nos faziam ficar de lágrimas nos olhos mesmo não sendo nossas, por isso sim, a nossa era uma situação de muita sorte!
Em todo este processo, para além do que sofri fisicamente, em que obviamente cada caso é um caso, o que mais me marcou foi o sofrimento psicológico. O que me parece, enquanto mãe que passou por tudo isto, é que era muito importante haver acompanhamento das famílias nestas situações. E não falo apenas das mães mas também dos pais, porque se a história que vos relato aqui hoje é vivida pelo meu ponto de vista, também existe o outro lado, o lado do pai que viveu isto tudo mas todos os dias regressou a casa a uns bons km’s de distância, sozinho.
Considero que devo ter sido das mães de prematuros com mais sorte, pois o internamento foi relativamente curto e não houve nenhuma complicação de saúde com nenhum dos dois! Ter um bebé prematuro tem um significado gigante e tem implicações a vários níveis. É complexo, exige uma resiliência que muitas vezes nem sabíamos que tínhamos e deixa-nos marcas para sempre. Porque a prematuridade, como quase tudo na vida, tem dois finais possíveis. Eu tive a sorte de viver o final feliz!
Família

O Da Vinci Ginásio da Educação do Lumiar e o Mães.pt estabeleceram recentemente uma parceria,  e hoje temos o prazer de vos apresentar a primeira iniciativa preparada em conjunto, chama-se Meu, Teu e Nosso, Os afetos na relação mãe filho(a).

Workshop - Meu, Teu e Nosso, Os afetos na relação mãe filho(a)

Data - 1 de Dezembro
Horário - 14h30m às 17h30m
Formador - Helena Mourão (Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta)
Local - Da Vinci Ginásio da Educação do Lumiar (Rua Manuel Marques, n.º 15G)
Valor - 15€
Inscrições - Por telefone: 216010984 ou por email: [email protected]
O Workshop só se realizará com um número mínimo de participantes


O Objetivo deste workshop, passa por colocar as mães participantes a pensar acerca do peso, que a sua vivência afetiva infantil tem, na relação que estabelecem com os seus filhos.

Tal como a carga genética, também existe uma espécie de ADN afetivo que passa para os filhos e que, na maioria das vezes, não é visível a olho nu, mas que se imprime na construção identitária das nossas crianças.

Será esta herança afetiva sempre favorável?
Será que distinguimos bem o que é de quem, quando toca a necessidades e a desejos?
O desafio é olharmos um pouco para dentro e vasculhamos as nossas vivências, para depois descobrimos o que elas andam a tramar, sem nos darmos conta.

Uma oportunidade única para melhorarmos as nossas competências emocionais e trabalharmos o nosso papel de mães, esperamos por vocês no dia 1 de Dezembro! 





Desde que nascem, todas as crianças são expostas à linguagem das mais diversas formas. Essa exposição vai permitir a construção da mesma e fazer com que, cada um, à sua maneira, consiga transmitir e exprimir a sua mensagem. A evolução do desenvolvimento da linguagem é muito complexa, envolve várias áreas, como a perceptiva, a sensorial, cognitiva, psicossocial, emocional e até física, permite à criança aprender o que não é imediatamente evidente e desempenha um papel fundamental na organização do pensamento. No caso de crianças não ouvintes (surdez severa ou profunda), existe uma dificuldade em receber o feedback auditivo, logo o modo de aquisição da informação não se processa da mesma forma, o que pode trazer consequências imediatas ao nível da aquisição da linguagem. No entanto, hoje em dia, já se mostrou que as dificuldades linguísticas podem ser por questões culturais e educacionais em vez de ser algo patológico, uma vez que toda a criança surda tem capacidade e potencial para assimilar e desenvolver as regras da linguagem e da comunicação. Para que isto aconteça, é importante que a informação linguística usada seja visuo-manual, isto é, que as crianças surdas tenham acesso à sua própria língua natural, a língua gestual, o mais precoce possível. Infelizmente, não é o que acontece na generalidade, porque muitas vezes, a surdez ainda é diagnosticada tardiamente ou porque são filhos de pais ouvintes que não dominam a língua gestual e a criança só inicia a aprendizagem da mesma, posteriormente.

Então e qual seria a situação ideal para uma criança não ouvinte?
O ideal é sempre subjectivo porque depende de múltiplos factores, no entanto, o mais recomendado para as crianças não ouvintes, será o bilinguismo, que significa que, na educação da criança surda, se vão utilizar duas línguas diferentes. Por um lado, a língua gestual, com as suas características próprias e por outro, a língua oral da comunidade ouvinte onde a criança vive, de forma a permitir a sua integração social, o acesso à língua escrita e, se possível, a oralidade. O bilinguismo tem como princípio, que as crianças não ouvintes devem ter como língua materna, a língua gestual, considerada a língua natural dos surdos, e, como segunda língua, a língua oficial do seu país.



Cansaço, apetite voraz, emagrecimento, sede excessiva, urinar com muita frequência e em grande quantidade – são estes os sintomas mais frequentes na criança que é diagnosticada com Diabetes Mellitus tipo I – uma patologia crónica de causa ainda não plenamente conhecida, em que o pâncreas deixa de produzir insulina pois existe uma destruição maciça das células que a produzem. A causa da Diabetes tipo I não está por isso diretamente relacionada com hábitos de vida ou de alimentação errados, ao contrário do que acontece na Diabetes Mellitus tipo II, que ocorre maioritariamente na idade adulta e que representa o tipo mais frequente de diabetes (90% dos casos).

O diagnóstico de uma patologia crónica, ainda mais numa criança, “faz o mundo desabar” e implica uma grande reorganização familiar! Para além de toda a gestão física da patologia (monitorização da glicemia (açúcar no sangue), injeção de insulina (ou uso de sistema de infusão) e avaliação de outros indicadores), os efeitos emocionais são também uma consequência do diagnóstico da diabetes. Por isso, é importante que os pais reconheçam os sentimentos que as crianças com diabetes possam ter e aprendam a ajudá-los.

As crianças ou adolescentes com Diabetes podem sentir isolamento (sentem-se diferentes dos amigos e colegas), negação (para não se sentirem diferentes fingem que não têm diabetes, evitando sinais exteriores da mesma), tristeza ou depressão (é vulgar a alteração de hábitos de sono, de alimentação, maior cansaço), culpa (sentindo que é culpa delas ou sentindo culpa pelas alterações familiares provocadas), zanga ou ressentimento (por algumas eventuais restrições), frustração (pelos resultados das análises), medo e ansiedade (avaliação do açúcar no sangue, agulhas e o potencial para problemas de saúde a longo prazo podem ser assustadores para as crianças).

O que podemos fazer enquanto pais e cuidadores?
* Procurar informação junto dos profissionais de saúde especializados na área – obter a informação necessária e correta ajuda-nos a sentir maior tranquilidade na gestão da diabetes e no auxílio a prestar à criança.
* Procurar grupos de apoio (para os pais e para a criança) – conhecer outras pessoas com a mesma condição ajuda a evitar o isolamento, facilita a partilha e o acesso à informação. Ex: APDP, AJDP
* Reconhecer os sentimentos da criança - tentar ouvir tudo o que ela tem a dizer antes de expressarmos a nossa opinião ou sentimentos. Este tipo de comunicação nem sempre tem que ser verbal. Desenhar, escrever ou tocar música pode ajudar as crianças com diabetes a expressar as suas emoções.
* Ter consciência das nossas próprias necessidades – o diagnóstico da Diabetes altera toda a vida familiar e é muito fácil assumirmos total responsabilidade e esquecermos o autocuidado. Envolver os familiares e amigos sempre que possível ajuda a compartilhar as responsabilidades e a atenção.
* Envolver a escola – desmistificar a diabetes, fornecendo informação simples e correta a professores, auxiliares e colegas de modo a que possam lidar de modo mais natural com a diabetes.
* Ter em atenção os irmãos, caso existam - estes podem ressentir-se da atenção extra que uma criança com diabetes recebe, bem como sacrifícios (como comer alimentos mais saudáveis ​​nas refeições familiares ou ir ao médico) na sequência da diabetes do irmão.
* Incentivar a criança à gestão activa da diabetes – atribuir tarefas e responsabilidades de acordo com a idade (medir a glicemia, injetar insulina, detetar sintomas, etc) irá ajudar a criar maior autonomia e a facilitar a que a criança tenha uma rotina diária idêntica à das outras crianças (ir à escola, dormir em casa de um amigo, ir a um campo de férias, etc).

A Diabetes Mellitus tipo I continua a ser uma doença crónica sem cura, mas felizmente, com os avanços nos métodos de diagnóstico e nos sistemas terapêuticos (quer nas características da insulina quer nos métodos de administração), consegue-se cada vez mais um bom controlo metabólico evitando assim as consequências a longo prazo da patologia. Encarar esta nova situação com otimismo, esperança e responsabilidade, permite que a criança faça uma vida normal, praticamente idêntica à das restantes crianças. O modo como pais e familiares encaram esta situação é (como em tantos outros casos) determinante para o modo como a criança lida e vive com a sua diabetes.


Não sei exatamente em que dia senti dor pela primeira vez. Sempre lhe resisti pois após a primeira menstruação diziam-me que era normal doer. Recordo-me de nas consultas de planeamento, queixar-me de desconforto e "moinhas" no fundo da barriga. E tantas vezes ouvi “isso é intestino, não é dos ovários, come isto e aquilo, faz exercício e toma um ben-u-ron que isso passa”. Fazia infeções atrás de infeções, perdi a conta aos antibióticos que tomei e aos reforços da flora vaginal que fiz.“Não tens defesas, isto é normal” e eu convencia-me disso sem que nada pudesse fazer para o evitar. Nos exames ginecológicos, toda eu me torcia, sentia que estavam a espetar-me uma agulha gigante no colo do útero. “Tens o útero invertido, (transversal), é difícil encontrá-lo, tens que aguentar”. Em cada consulta seguinte, ou em cada episódio de urgência, ainda antes de me tocarem, eu já avisava, na esperança de que o tormento fosse menor. “Vais ter muita dificuldade em engravidar com o útero nesta posição”, disseram-me vezes sem conta. Mas foi quando inesperadamente uma vida se gerou em mim, que eu voltei a acreditar no meu instinto. Havia algo de errado comigo, mas lá no fundo nascia ali uma réstia de esperança. Foi uma gravidez com tanto de desejada como de dolorosa. “Não tens dores nenhumas, isso é impressão tua”, “ estás feita uma senhora muito melindrada”, também ouvi! 
Mas nenhuma das pessoas que me disse isto, estava na minha casa quando eu tinha que me agarrar às paredes para chegar a outra divisão. Quando temi que o meu filho nascesse prematuro por ter a barriga tão em baixo e episódios de dor incapacitante. Mas quando comecei com contrações ás 33 semanas, voltaram a dizer-me “vá para casa, tome um ben-u-ron e descanse”. E todas as 5 semanas seguintes até ao nascimento, dei entrada no hospital com ameaças de parto. Que revolta tão grande ninguém valorizar aquela dor que mais ninguém podia sentir por mim! O meu filho nasceu e foi como se todas as dores não passassem de algo da minha cabeça. Até ao dia em que precisei de colocar um DIU, e o meu corpo fez uma rejeição tão grande que eu podia ter morrido. A partir daí começou o desencadear de sintomas uns atrás dos outros. A procura incansável por respostas. A correria entre ginecologistas de referência. As idas à urgência sem sucesso. As pílulas que resultavam em hemorragias desreguladas. A dor constante que quase abalou o meu casamento. Dias e noites de choro incessante num sofrimento constante e inexplicável. Conheci finalmente uma médica que se interessou pelo meu caso. Depois de 1 ano de exames e tentativas falhadas de controle dos sintomas,ouvi pela primeira vez um nome que parecia fazer sentido: adenomiose! 
Não era um diagnóstico, não era uma certeza, era só uma suspeita. E recomeça a pesquisa em busca de mais respostas, a partilha no meu blog na expectativa de que alguém me desse algumas luzes sobre isto. 
No meio daquela imensidão de dúvidas e emoções, e eu que acredito piamente que nada acontece por acaso, conheci a Diretora da Mulherendo - Associação portuguesa de apoio à Mulher com Endometriose. Bastou uma troca de testemunhos para que me fizesse chegar a um especialista. Tive medo, não vou negar! Havia um nome, no entanto era tudo tão incerto, estava longe de imaginar o rumo que a minha acabara de tomar. Chegou a consulta, e com ela o meu primeiro diagnóstico: evidência de focos de endometriose. (surge quando o endométrio, mucosa que reveste a parede interna do útero, cresce e se espalha em outros órgãos do corpo). Passaram alguns meses até à realização da ressonância magnética. E para meu espanto de todos, esta não acusou absolutamente nada! Desvaneceu assim toda a minha esperança de que alguém voltasse a acreditar nas minhas dores. Voltei à consulta e nunca me vou esquecer do quanto naquele momento eu quis chorar mas só consegui rir descontroladamente. “Não acredito minimamente nesse exame, eu sei o que vi, vamos avançar para laparoscopia”.

No meio das dúvidas, foi talvez a coisa mais acertada que tinha ouvido de um médico até então. Foram meses longos, em que todos os dias corri para a minha caixa de correio á espera de uma data. Sentia que a minha vida ficou pendente daquilo, daquela cirurgia. Acreditei que no dia em que entrasse no bloco, sairia de lá com uma vida nova pela frente. Ainda que em tantos momentos me tenha ido abaixo e duvidado de mim mesma. Cheguei a achar que não iam encontrar nada de especial e que talvez eu fosse mesmo uma “mariquinhas” intolerante à dor que diziam ser normal. O desespero de quem vive com uma doença crónica como a endometriose, naturalmente conduz-nos a um estado de espírito incerto e oscilante. Nunca sabemos se vamos acordar sem dor. Isso acaba por parecer algo realisticamente impossível. Um dia sem vómitos, náuseas, cólicas, hemorragias, diarreias, suores, dores de cabeça, é um dia feliz. Um dia em que não afastamos os nossos maridos e os fazemos sentir tão impotentes quanto nós, é um dia memorável. 



Viver com endometriose, é sentir que sou espancada diariamente. É duro mas é esta a descrição possível. É como se houvesse um cinto repleto de espetos em torno da cintura que aperta quando bem lhe apetece. É viver com um monstrinho dentro de mim que me rouba parte da vida, sem pedir autorização. Chega a ser incapacitante, ao ponto de não poder sequer pegar no meu filho ao colo.
Fui operada há um mês. Os 5 dias seguintes foram só os mais longos da minha vida. O estar distante do meu filho de três anos pela 1ª vez, foi um derradeiro teste aos meus limites. Agarrei-me à certeza de que tudo aquilo havia de valer a pena. Que eu não teria mais de chorar à frente dele e explicar-lhe que tenho “dói-dói na barriga”. Embora sempre tivesse imaginado que se voltasse a estar numa maternidade seria certamente para ter um filho. Só que fui presenteada com esta doença que veio ensinar que todas as lutas nos levam ao caminho certo e a busca incessante deste direito à qualidade de vida. E estive ali, a aceitar a minha nova condição, sem outro filho no colo como idealizei. Aliás, depois disto, veio o diagnóstico final: endometriose nas paredes do útero, este que se encontra tão desfeito que dificilmente será capaz de gerar outra vida. Podemos tentar, o quanto antes, pois quanto mais tarde, mais a probabilidade será reduzida e os riscos serão tão grandes que na melhor das hipóteses terei que fazer uma histerectomia total se seguida. Ninguém quer ouvir isto aos 27 anos, ninguém! Ainda assim, a vida continua e mesmo que a endometriose em estados mais avançados possa levar à infertilidade, eu já tive a minha bênção e é por este filho que não baixarei os braços face à doença. 

A Endometriose é uma doença crónica, não tem cura mas já existem alguns tratamentos atenuantes. Leva em média 10 a 12 anos a ser diagnosticada. 1 em cada 10 Mulheres têm esta doença!