Não sei exatamente em que dia senti dor pela primeira vez. Sempre lhe resisti pois após a primeira menstruação diziam-me que era normal doer. Recordo-me de nas consultas de planeamento, queixar-me de desconforto e "moinhas" no fundo da barriga. E tantas vezes ouvi “isso é intestino, não é dos ovários, come isto e aquilo, faz exercício e toma um ben-u-ron que isso passa”. Fazia infeções atrás de infeções, perdi a conta aos antibióticos que tomei e aos reforços da flora vaginal que fiz.“Não tens defesas, isto é normal” e eu convencia-me disso sem que nada pudesse fazer para o evitar. Nos exames ginecológicos, toda eu me torcia, sentia que estavam a espetar-me uma agulha gigante no colo do útero. “Tens o útero invertido, (transversal), é difícil encontrá-lo, tens que aguentar”. Em cada consulta seguinte, ou em cada episódio de urgência, ainda antes de me tocarem, eu já avisava, na esperança de que o tormento fosse menor. “Vais ter muita dificuldade em engravidar com o útero nesta posição”, disseram-me vezes sem conta. Mas foi quando inesperadamente uma vida se gerou em mim, que eu voltei a acreditar no meu instinto. Havia algo de errado comigo, mas lá no fundo nascia ali uma réstia de esperança. Foi uma gravidez com tanto de desejada como de dolorosa. “Não tens dores nenhumas, isso é impressão tua”, “ estás feita uma senhora muito melindrada”, também ouvi! 
Mas nenhuma das pessoas que me disse isto, estava na minha casa quando eu tinha que me agarrar às paredes para chegar a outra divisão. Quando temi que o meu filho nascesse prematuro por ter a barriga tão em baixo e episódios de dor incapacitante. Mas quando comecei com contrações ás 33 semanas, voltaram a dizer-me “vá para casa, tome um ben-u-ron e descanse”. E todas as 5 semanas seguintes até ao nascimento, dei entrada no hospital com ameaças de parto. Que revolta tão grande ninguém valorizar aquela dor que mais ninguém podia sentir por mim! O meu filho nasceu e foi como se todas as dores não passassem de algo da minha cabeça. Até ao dia em que precisei de colocar um DIU, e o meu corpo fez uma rejeição tão grande que eu podia ter morrido. A partir daí começou o desencadear de sintomas uns atrás dos outros. A procura incansável por respostas. A correria entre ginecologistas de referência. As idas à urgência sem sucesso. As pílulas que resultavam em hemorragias desreguladas. A dor constante que quase abalou o meu casamento. Dias e noites de choro incessante num sofrimento constante e inexplicável. Conheci finalmente uma médica que se interessou pelo meu caso. Depois de 1 ano de exames e tentativas falhadas de controle dos sintomas,ouvi pela primeira vez um nome que parecia fazer sentido: adenomiose! 
Não era um diagnóstico, não era uma certeza, era só uma suspeita. E recomeça a pesquisa em busca de mais respostas, a partilha no meu blog na expectativa de que alguém me desse algumas luzes sobre isto. 
No meio daquela imensidão de dúvidas e emoções, e eu que acredito piamente que nada acontece por acaso, conheci a Diretora da Mulherendo - Associação portuguesa de apoio à Mulher com Endometriose. Bastou uma troca de testemunhos para que me fizesse chegar a um especialista. Tive medo, não vou negar! Havia um nome, no entanto era tudo tão incerto, estava longe de imaginar o rumo que a minha acabara de tomar. Chegou a consulta, e com ela o meu primeiro diagnóstico: evidência de focos de endometriose. (surge quando o endométrio, mucosa que reveste a parede interna do útero, cresce e se espalha em outros órgãos do corpo). Passaram alguns meses até à realização da ressonância magnética. E para meu espanto de todos, esta não acusou absolutamente nada! Desvaneceu assim toda a minha esperança de que alguém voltasse a acreditar nas minhas dores. Voltei à consulta e nunca me vou esquecer do quanto naquele momento eu quis chorar mas só consegui rir descontroladamente. “Não acredito minimamente nesse exame, eu sei o que vi, vamos avançar para laparoscopia”.

No meio das dúvidas, foi talvez a coisa mais acertada que tinha ouvido de um médico até então. Foram meses longos, em que todos os dias corri para a minha caixa de correio á espera de uma data. Sentia que a minha vida ficou pendente daquilo, daquela cirurgia. Acreditei que no dia em que entrasse no bloco, sairia de lá com uma vida nova pela frente. Ainda que em tantos momentos me tenha ido abaixo e duvidado de mim mesma. Cheguei a achar que não iam encontrar nada de especial e que talvez eu fosse mesmo uma “mariquinhas” intolerante à dor que diziam ser normal. O desespero de quem vive com uma doença crónica como a endometriose, naturalmente conduz-nos a um estado de espírito incerto e oscilante. Nunca sabemos se vamos acordar sem dor. Isso acaba por parecer algo realisticamente impossível. Um dia sem vómitos, náuseas, cólicas, hemorragias, diarreias, suores, dores de cabeça, é um dia feliz. Um dia em que não afastamos os nossos maridos e os fazemos sentir tão impotentes quanto nós, é um dia memorável. 



Viver com endometriose, é sentir que sou espancada diariamente. É duro mas é esta a descrição possível. É como se houvesse um cinto repleto de espetos em torno da cintura que aperta quando bem lhe apetece. É viver com um monstrinho dentro de mim que me rouba parte da vida, sem pedir autorização. Chega a ser incapacitante, ao ponto de não poder sequer pegar no meu filho ao colo.
Fui operada há um mês. Os 5 dias seguintes foram só os mais longos da minha vida. O estar distante do meu filho de três anos pela 1ª vez, foi um derradeiro teste aos meus limites. Agarrei-me à certeza de que tudo aquilo havia de valer a pena. Que eu não teria mais de chorar à frente dele e explicar-lhe que tenho “dói-dói na barriga”. Embora sempre tivesse imaginado que se voltasse a estar numa maternidade seria certamente para ter um filho. Só que fui presenteada com esta doença que veio ensinar que todas as lutas nos levam ao caminho certo e a busca incessante deste direito à qualidade de vida. E estive ali, a aceitar a minha nova condição, sem outro filho no colo como idealizei. Aliás, depois disto, veio o diagnóstico final: endometriose nas paredes do útero, este que se encontra tão desfeito que dificilmente será capaz de gerar outra vida. Podemos tentar, o quanto antes, pois quanto mais tarde, mais a probabilidade será reduzida e os riscos serão tão grandes que na melhor das hipóteses terei que fazer uma histerectomia total se seguida. Ninguém quer ouvir isto aos 27 anos, ninguém! Ainda assim, a vida continua e mesmo que a endometriose em estados mais avançados possa levar à infertilidade, eu já tive a minha bênção e é por este filho que não baixarei os braços face à doença. 

A Endometriose é uma doença crónica, não tem cura mas já existem alguns tratamentos atenuantes. Leva em média 10 a 12 anos a ser diagnosticada. 1 em cada 10 Mulheres têm esta doença!

Ser mãe e pai é, sem dúvida, a maior provação das nossas vidas.
Nenhuma mãe e nenhum pai estão preparados para viver "adversidades" quando os filhos nascem - sejam elas quais forem!
Ninguém quer. Ninguém pensa. Ninguém concebe a ideia de ter um filho com um problema de saúde.
A verdade é que nem sempre tudo é como desejamos e as adversidades atravessam-se no nosso caminho levando com elas horas de sono, preocupação, lágrimas, receios e muitos anseios.
O meu filho tem hoje 5 anos.
Quando nasceu não passou nos exames auditivos feitos ainda na maternidade. Achávamos - pais e médicos – que apesar do histórico familiar de surdez, podia ser pelo facto de ter sido uma Cesariana complicada, ter sido um trabalho de parto muito difícil e ele, um bebé muito pequeno e frágil.
Decidimos repetir o exame aos 15 dias de vida, depois com 1 mês, com 3 meses, com 4 meses e com 6 meses; sempre sem respostas.
Foram meses de exames inconclusivos até que aos 15 meses foi considerado “ouvinte” através de um exame que se chama "Potenciais Evocados" que são, basicamente, registos do sistema nervoso central seguido de estimulação dos órgãos sensoriais. Este exame validou-o como “ouvinte” sem que isso significasse que o fosse a 100%.
Aos 15 meses estava tudo aparentemente bem, mas eu sabia que não seria definitivo. Uma mãe sabe. Uma mãe sente. Estas coisas não se explicam e apesar de ter ficado aliviada pelo tormento vivido desde o seu nascimento, a verdade é que eu sentia que "um dia" alguma coisa iria acontecer.
Aos 3 anos começaram os primeiros sinais efectivos de perda auditiva. Virava a cabeça sem percepção do som, sentíamo-lo perdido sem noção espacial, o permanente "o quê?" sempre que, de longe ou de lado, lhe fazíamos alguma questão. 
Cedo percebi que me lia os lábios. Cedo percebi o esforço que fazia para processar a informação. 
Sem se aperceber, o meu filho foi encontrando formas de comunicar (e ouvir) sem que isso o impedisse de crescer, falar e aprender ao ritmo dele. Fantástico, não é?
Perante as evidências, regressamos ao Otorrino - Especialista em Surdez Infantil - que já o seguia desde os 8 meses.
Muitos exames. 10 audiogramas em 3 meses, exames repetidos, e repetidos e repetidos novamente, novas opiniões de norte a sul, resultados na mão.
“Surdez moderada a grave bilateral”; foi o nome pomposo e assustador.
Não gelei. Não chorei naquele momento. Não pensei “porquê?”. Não pensei nisso. Nunca. Ali, nunca.
Apenas pensei que tinha acontecido e que tinha que lhe dar o melhor de mim e nunca esmorecer, mesmo que só me quisesse acordar de um sonho mau.
A decisão de pôr ou não pôr aparelhos auditivos, ficou sempre do lado dos pais.
A decisão que nunca nos impediu de ver com clareza o que a maternidade às vezes camufla.
O meu filho já era um menino muito feliz e seria ainda mais se tivesse mais qualidade de vida, portanto como pais não hesitamos em fazer tudo o que estava ao nosso alcance para o ver bem.
Avançámos com os aparelhos auditivos aos 4 anos (com os Super Poderes como o Duarte, carinhosamente lhes chama).
Ele escolheu um encarnado e outro azul da cor do Homem Aranha e do Capitão América, e nós adorámos a ideia de fazer desta história de vida uma coisa divertida!
Fazer desta nova rotina uma coisa boa que o fez sentir-se melhor, menos cansado ao final do dia, mais confiante na escola, mais confiante perante as adversidades.
Anda todo orgulhoso dos seus "super poderes” que o fazem ouvir tudo na sala de aula, sem ruídos, sem interferências, sem receio de não ter percebido bem.
Todo um mundo de novas emoções a ser vivido! A descoberta de novas sensações. Toda a magia reflectida no olhar.
Gosto da força dele quando se está a borrifar se lhe olham para os aparelhos, se lhe perguntam o que é, se o confrontam com a realidade que até ele se esquece que é a dele...
Gosto da força com que nos diz: “quando tiver os anos do João (o irmão com 10 anos), já não vou usar aparelhos”.
Veremos quando lá chegarmos! ... até lá estaremos aqui, lado a lado no caminho, caso a determinação que tem de sobra, não seja suficiente para guardar no passado os aparelhos que o ajudam diariamente a crescer.
A expressão facial do Duarte no momento em que os aparelhos foram ligados, foi indescritível e impagável.... A expressão de espanto, os olhos muito abertos, o sorriso de orelha a orelha, as mãos e a voz trémulas...foi absolutamente mágico e emocionante!! Tão emocionante que me emociono só de pensar!
Naquele momento - no exato momento -  tivemos a certeza... Tomámos a decisão certa. Percebemos no imediato que o Duarte seria muito mais feliz a partir daquele dia!
As melhores decisões são sempre aquelas que tomamos com o coração. Sempre!
Basta acreditar e confiar que tudo vai dar certo!

Artigo adaptado de http://www.memoriasdam.pt/



A Inês nasceu em Lisboa há 34 anos, e é em Lisboa que vive.
É casada, tem dois filhos, a Madalena com quase 5 anos e o Joaquim com 2 anos.
É licenciada em Nutrição e fez pós-graduação em epidemiologia. No entanto, neste momento não exerce. “Não posso dizer que tenha deixado para sempre. Nós não sabemos as voltas que a vida dá!”
Em Junho de 2015 criou a Mada in Lisbon.

O que os outros dizem sobre si?
Para ser honesta, adorava saber, acho que me vou querer transformar numa mosquinha para saber… A sério, não consigo ter percepção.

Algo que ninguém ou poucas pessoas sabem sobre si?
Hummmm pouca coisa, sou uma espécie de livro aberto!

Hobbies?
Ler, praia quando não tem muita gente, filmes, algumas peças de teatro.
Desde que tive os meus filhos deixei de ter o tempo que gostaria para fazer desporto…
Ficaram as caminhada.
Viajar quando posso.

Livro ou cinema?
Livro, sem sombra de dúvida! Adoro ir descobrindo aos poucos o que o narrador tem para contar. Adoro ir imaginando e criando imagens.

Praia ou campo?
Praia, muita praia e muito mar. Mas com pouca gente e se possível sem encontrar pessoas conhecidas!

O que mais lhe dá prazer?
Ler um bom livro e beber um copo de bom vinho.
Uma boa conversa. Sou muito conversadora!

O seu maior sonho?
Conseguir tornar os meus sonhos realidade.

O que a maternidade mudou em si?
Em primeiro lugar, perdi a paciência para perder tempo. Aprendi que o tempo é efectivamente algo muito precioso, que cada minuto em cada actividade é muito importante, por isso evito fazer algo que não ache de alguma forma importante.
Por outro lado, aprendi a esperar para ver o que a vida vai trazer… Os miúdos não se programam, tempos que aprender a esperar, a esperar que eles aprendam, por isso tive que aprender a ter paciência.
Por isso, mudou muito! 
Mas penso que para melhor!

Qual o maior desafio de ser Mãe?
Aprender a ser mãe. Temos que aprender todos os dias qualquer coisa nova. Temos que nos moldar, habituar, criar,... É um projecto duro e a longo termo. Precisa de muito esforço, inteligência e esperteza. Mas é um trabalho que compensa todos os dias!

A que se deve o nome de Mada in Lisbon?
Mada vem do nome da minha filha mais velha - Madalena. Foi por ela que iniciei este projecto e comecei a fazer baloiços.
in Lisbon - porque quando o projecto surge Lisboa começa a ser falada, a estar na moda. Para além de que eu sou uma verdadeira apaixonada por Lisboa.
Mada in Lisbon - é o nome da marca registada.

Como descreve a Mada in Lisbon?
É uma marca registada que desenvolve produtos 100% Portugueses, com materiais de qualidade extraordinária para bebés e crianças e alguns para os mais crescidos.
Produtos que sejam giros, com um toque de design extraordinários, mas acima de tudo úteis e que de alguma forma sejam educativos, ou auxiliem ao desenvolvimento de características criativas de quem os usa.

Como e quando nasceu a Mada in Lisbon?
Nasceu por mero acaso, quando quis desenvolver um baloiço para a minha filha Madalena, que pudesse ser utilizado dentro e fora de casa. Posteriormente surgiram as Set and Seat, os ArtBibs, os Estojos, que são fornecidos com lápis Viarco e podem ser utilizados por crianças ou pelos pais.

O que motivou o nascimento do seu projecto?
Foi um mero acaso. Não surgiu do nada, mas também não consigo dizer qual o motivo propriamente dito que me levou a desenvolvê-lo.
Basicamente, levo-o muito a sério, como qualquer outra actividade que faça na minha vida.

A maternidade teve alguma influência na criação do seu projecto?
Sim, se não tivesse sido mãe e não tivesse uma filha que adora ainda hoje, andar de baloiço, este projecto, tal como é, não existia. Existiria algo de certeza, mas não este projecto!

Como concilia a vida profissional como a vida pessoal? 
Neste momento ambas se misturam, tento ter tempo para tudo, mas muitas vezes não é possível.

Como tem evoluído o negócio?
Com altos e baixos, como qualquer projecto em que temos que aprender e onde o resultado vem do nosso próprio trabalho.
Desde que surgiu já tive mais um filho.
Passámos de utilização de tecidos comprados, para padrões exclusivamente nossos. 
Design de produtos e padrões, escolha do tecido onde os padrões são estampados, de tudo pensado por nós.
Temos o Baloiço, o nosso produto core, certificado segundo as normas europeias, o que é obrigatório e para vender fora de Portugal é essencial!
Estamos em 22 países por todo o mundo, alguns dos quais, para mim eram quase desconhecidos.
Por vezes, tenho que tomar decisões contrárias ao que inicialmente tinha projectada, tenho que ir alterando formas de trabalho, mas essencialmente vou aprendendo!

O que mais gosta do seu negócio?
Francamente? 
De quando recebo fotos dos miúdos super contentes a utilizar os nossos produtos e os elogios dos pais.

Se voltasse atrás faria tudo de novo ou alteraria alguma coisa, das suas opções e escolhas profissionais?
Ui! Esta pergunta é complexa! Sim, mudariam, mas seria muito lá atrás!
Apesar de ser uma verdadeira apaixonada pela nutrição e ter adorado estuda-la como ciência. Ainda hoje adoro ler sobre o assunto. 
Se pudesse mudar alguma coisa, seria a área de formação. Mas ninguém consegue adivinhar o futuro. Era bom, não era?

Perspectivas do negócio para o futuro?
Crescer e internacionalizar cada vez mais, mas com muita cabeça.

Perspectivas pessoais para o futuro?
Não gosto muito de fazer grandes planos. Prefiro ir vivendo dia-a-dia. Sem grandes stresses. Sempre que fiz grandes planos, saiu tudo ao contrário, por isso aprendi a viver a vida quase ao dia.
Conheço pessoas que conseguem traçar um plano e seguem-no meticulosamente. Eu sou quase o oposto… Mas consigo atingir os objectivos a que me proponho.

Como divulga a Mada in Lisbon?
Pelas formas, hoje em dia comuns. Redes sociais, site, revistas, bloggers, ….

O que diferencia a Mada in Lisbon das restantes marcas no mercado?
Há dois pontos pelos quais lutei e tenho lutado e que os diferenciam em grande escala. 
O facto de ter conseguido certificar os baloiços enquanto brinquedo para bebé, segundo as normas europeias. Para o fazer tive que fazer um grande esforço na produção e desenvolvimento do produto e também financeiro. Mas consegui!
E pelos padrões! Temos padrões próprios, pensados e desenvolvidos por uma designer de moda que, para mim, os torna super especiais!

Mensagem para quem ainda não conheça a Mada in Lisbon?
Basicamente, podem confiar nos nossos produtos!
Muitas vezes as pessoas olham para os produtos e têm algum receio.
Mas, apenas temos produtos de elevada qualidade, produzidos com imenso cuidado pelas melhores fábricas portuguesas e parte deles feitos à mão. 
Os baloiços estão devidamente Certificados, segundo as normas europeias. 
Por isso, confiança, design, segurança estão associados a todos os nossos produtos!

Objectivos futuros?
Continuar a ter produtos de qualidade, padrões fantásticos e diferenciadores, internacionalizar cada vez mais!

Um conselho para quem tem um projecto de negócio na gaveta.
Não é fácil. De todo!
Ao contrário do que se diz por aí, ser-se empreendedor, é super exigente. Deixamos de ter tempo para muitas das coisas de que mais gostamos. Estamos constantemente a pensar no trabalho, há dias muito duros.
Mas no final de cada ano, percebemos que vale a pena!
Com muito trabalho tudo se faz!
E quer queiram, quer não, a família tem que apoiar, não pode ser um projecto solitário!

Pode acompanhar a Mada in Lisbon nas redes sociais
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Obrigada Inês, pela partilha.




Ser mãe muda-nos muito. Demais! Após ser mães, nunca mais seremos as mesmas pessoas. Porque vamos descobrir tantas coisas que nunca imaginámos:
  • Vais ter um pequeno ser que mora na tua cabeça, que não te vai deixar de imaginar, “se o teu filho estiver em perigo”, “se ele caiu”, “se ele está a chorar”, “se lhe acontece alguma coisa”… “Se”, “Se” ,“Se”… Algumas de nós sofrem mais com esta preocupação que outras, mas a preocupação mora em todas. Estaremos preocupadas o resto das nossas vidas! Não passa quando crescem, não passa nunca mais!
  • Vais descobrir o maravilhoso que é ver alguém a dormir. E isto dito assim, parece tão interessante como ver tinta a secar. Mas não… É muito mais interessante quando vês o ser que tu geraste, que tu criaste, que tu ajudaste a crescer… Mesmo que ele esteja só a dormir, é delicioso simplesmente olhar para eles!
  • Vais sentir montes de coisas. Tal como a preocupação que vai deixar-te corroída, também o orgulho vai parecer querer sair de dentro do teu peito. As emoções, tornam-se todas mais fortes, mais intensas, e cada pequeno momento, torna-se gigante!
  • Vais chorar como nunca! De cansaço, de frustração, de alegria… Vais chorar porque eles ficam doentes e não podemos fazer nada… Vais chorar porque estás cansada e sentes o mundo a descambar, e vais chorar por cada conquista deles, cada passo de aprendizagem, porque és uma mãe orgulhosa. Os teus olhos vão ser autênticas cascatas!
  • Vais ter uma enorme luta interior. Vais ter que te convencer todos os dias que não os podes proteger de tudo! Não os podes proteger do mundo. Eles vão cair, vão-se magoar, vão até sofrer e tu não podes fazer nada contra isso… Vais ter que aprender a engolir tudo isso.
  • Vais olhar para os “outras pessoas”, de outra forma! As pessoas “más” passam a ter maior impacto em ti. Se por um lado não queres que o teu filho seja vítima de um ladrão, de uma pessoa violenta, ou de um criminoso qualquer, por outro também vais desejar intensamente que ele não se torne num deles.
  • Vais perceber que o amor dói! Vais saber na verdade que nunca amaste até agora, e que amar é tão intenso que pode mesmo doer e fazer-nos chorar… É como se o coração nos quisesse sair do peito. Mesmo!
  • Vais sentir culpa. Muita culpa. Ou porque não deste colo, ou porque mimaste demais. Ou porque decidiste ficar em casa, ou porque tens que ir trabalhar. Ou porque amamentaste mais tempo que a maioria, ou porque não conseguiste amamentar. A culpa vai seguir-te, e é impossível não a sentir!
  • Vais compreender as mães. Todas as mães, vai existir algo que vos liga, e que vos une! E vão sentir uma enorme cumplicidade. Mesmo as amigas “Mães virtuais”, vão ser tão especiais para ti, como se as conhecesses desde sempre.
  • Vais saber pela primeira vez, o que na verdade significa estar em segundo lugar. MESMO! E não te vais importar nem um bocadinho com isso… Estarás sempre em segundo lugar, e com orgulho!
  • Vais perceber que afinal, o que mais importa no mundo, está a dormir no quarto ao lado! 


Artigo originalmente publicado em Sei lá eu ser mãe




Andei às voltas com este tema. Recordei histórias. Casos que acompanhei. Confissões que me foram feitas. Olhei para mim. Para as minhas próprias histórias. Para aquelas que se passam dentro das quatro paredes da minha casa.
Folheei os livros que me seguem. Aqueles que já não largo. Revi teoria. Fui mais racional. E também mais emocional.
Andei às voltas com este tema. E fui sempre ter à mesma palavra. Encontrei um denominador comum. A palavra. O antídoto para o Stress.
ACEITAÇÃO.
Descobri que quando aceitamos, permitimos Ser. E quando permitimos Ser, abrimos a porta para a Autenticidade. Libertamos sofrimento. E com ele o stress.
Lembrei-me que as lágrimas que vi correr, nos olhos de miúdos e graúdos, eram lágrimas de resistência. Lágrimas de não-aceitação. 
Entendi que estamos formatados para formatar crianças. Para que comecem a gatinhar com 9 meses e a andar com 12. Para que durmam a noite inteira logo que deixem de ser recém-nascidos. Para que usem o bacio com 2 anos. Para que comam sozinhos, sem ajuda e sem se levantarem da mesa lá para os 3. Para que digam olá, acompanhados de um beijo e um abraço, logo assim que saibam falar. 
Para que deixem de brincar quando entram para o primeiro ciclo. Para que fiquem sentados uma manhã inteira. Para que cumpram regras. Para que saibam cumprir regras. As mesmas regras para todos. Diferentes regras para diferentes sítios. 
Para que estudem na escola. E em casa. Para que tenham boas notas. Para que tenham sucesso a Português, Inglês, Francês e Espanhol. Para que sejam bons a Matemática. E a História. Para que saibam fazer contas. Para que consigam pensar. Mas pensar dentro das regras. 
Para que saibam tocar piano ou violino. Nadar. Dançar. Para que saibam karaté. Ou outra arte marcial. Para que se saibam defender. Dos outros. 
Para que não gritem, mesmo se isso for para mostrarem que já estão a ficar cansados de não poderem ser quem realmente sentem que são. Para que se sintam felizes, mesmo que isso signifique ensinar-lhes que a tristeza não pode viver em corações alegres. 
Para que gostem do que veem quando se olham ao espelho. Para que não se sintam inseguras. Para que tenham autoestima. Para que se aceitem como são.
Percebi então que nenhuma criança se pode aceitar na sua mais pura essência quando todos os outros que estão à sua volta estão formatados para a formatar. 
Foi ainda mais admirável quando percebi que essas crianças se vão tornar adultos. Que aprenderam (ou não) a viver em stress. Que se despiram de quem são na sua essência. Que não aprenderam a aceitar, simplesmente, porque houve quem não as aceitasse.
E foi então que reforcei a minha crença: o antídoto para o Stress é a Aceitação.

Com Amor,

IrinaVazMestre


Ser mãe pode ser o melhor e mais tortuoso caminho das nossas vidas! Desde que sou mãe, ponho em causa o que aprendi e o que me dizem, ouço mais a minha intuição e desaprendi muitos (pre)conceitos. Em alturas mais desafiantes desta coisa de ser mãe, procurei ajuda. Ajuda para educar de modo diferente. E encontrar outros recursos que me ajudam a ser a mãe que quero ser.
Neste caminho, encontrei-me com a PNL – Programação NeuroLinguística. O que é? Acho que posso dizer, de um modo muito simplista, que a PNL é uma grande ferramenta que utiliza a linguagem cerebral para melhorar a comunicação e o comportamento e criar uma versão melhor de nós mesmos. Como a própria designação refere inclui a programação (ou reprogramação) do cérebro e da linguagem, e esta reprogramação impacta na nossa comunicação com o outro e no nosso comportamento. E consequentemente no comportamento do outro.
Quem estuda PNL aprende uma série de técnicas e estratégias para lidar com os desafios do dia-a-dia, bem como alterar o significado que atribuímos e a percepção de acontecimentos do passado. Como diz Ben Furman, psiquiatra e psicoterapeuta, “nunca é tarde demais para ter uma infância feliz”!
Qual foi o impacto da PNL no meu papel de mãe? A PNL abriu-me a um outro nível de consciência, que me ajuda muito na relação com os meus filhos. E na relação com outras mães e pais, enquanto coach parental.
A PNL é um mundo. E para simplificar, deixo apenas exemplos de alguns dos pressupostos da PNL que me ajudam enquanto mãe:
·       Todo o comportamento tem uma intenção positiva – qualquer acção da criança é sempre feita com intenção positiva (mesmo que eu não esteja bem a ver qual é...). Quem age de determinada maneira, fá-lo sempre com a intenção de ter um ganho. Por exemplo, uma birra tem sempre uma intenção positiva – que pode ser chamar à atenção para uma necessidade que não está satisfeita e que precisa de ajuda.
·       O mapa não é o território – aquilo que eu estou a ver e a percepcionar pode não ser a história toda, a realidade. Acontecem outras coisas fora do meu alcance. Então, questiono-me muitas vezes o que há para além disto que estou a ver e a percepcionar? O que está por detrás deste comportamento?
·       O comportamento de alguém não é a pessoa (aceite a pessoa, altere o comportamento) – a criança não é o seu comportamento, a criança tem aquele comportamento naquele momento e esse comportamento pode ser alterado. Geralmente através do pressuposto seguinte!
·       Se o que faz não resulta, faça outra coisa – mudança gera mudança – se eu responder sempre da mesma maneira, vou obter sempre o mesmo resultado. Quando eu mudo, o outro muda!
·       As pessoas têm todos os recursos de que necessitam – e nestes recursos que já lá estão (podem é não estar ativos em dado momento) eu encontro respostas diferentes e que me ajudam a mudar. Quando acredito que tenho todos os recursos, ativo-os mais facilmente, normalmente através de perguntas – o que é que ainda não fiz que podia resultar?
·       O significado da comunicação é o resultado que se obtém – se ao comunicar não atingo o resultado esperado, então a comunicação não foi eficaz nem eficiente. E posso ativar recursos para comunicar doutro modo.
·       Não existe fracasso, só feedback – saber que não há erro, nem fracasso é um descanso. Se a mudança de comportamento me dá um feedback que não era o esperado, continuo a ativar recursos, até obter o feedback que pretendo. O erro ou o fracasso geram culpa. O feedback, positivo ou negativo, gera proatividade.
·       Resistência do outro é sinal de falta de empatia e rapport (ligação com sintonia ou conexão) – não há crianças difíceis, há adultos inflexíveis – quando estabeleço empatia e rapport com a criança crio um nível de aceitação (aceitar não significa concordar!) que não dá espaço à resistência, pois consigo encontrar soluções flexíveis e que servem a ambas as partes.
·       A parte mais flexível do sistema tende a dominar o sistema – quando eu encontro múltiplas maneiras de fazer ou responder a determinado comportamento, consigo ser mais flexível. E a flexibilidade gera espaço para ser ainda mais flexível. Ou seja, em diferentes contextos, a parte mais flexível do sistema é a que tem maior sucesso.

Saber PNL ajuda-me a comunicar e entender melhor os comportamentos. Os meus e os dos outros. E também alinhar-me melhor com a versão da mãe que quero ser!



Dos momentos importantes no desenvolvimento infantil, um que se destaca é aquele em que a criança começa a controlar os esfíncteres e mais importante do que a idade ideal para o conseguir, é o estado em que se encontra o processo de construção identitária do Ser em viagem, rumo à individualização.
A verdade, é que por trás desta conquista que deixa os pais tão felizes e orgulhosos, desenrola-se todo um processo bastante complexo para a criança, que envolve, a noção de ser um Eu, a percepção de alguns limites e a capacidade de se separar tranquilamente, de algo que saiu do seu corpo e que é sentido como parte de si.
A construção identitária começa bem cedo e o bebé, vai dando sinais quando vai percebendo que existe um Eu e os outros. Parece simples, mas é de uma enorme complexidade e exige proximidades e afastamentos, que façam a criança experienciar o estar com e o estar sem.
Quando se dá realmente o segundo nascimento, o ”nascimento psíquico”, a criança percebe-se mais ou menos como um ser individualizado, diferenciado dos outros e esta descoberta dá-lhe algum poder. É muito engraçado quando observamos esta transformação e vemos a criança a falar de si na primeira pessoa, usando ostensivamente o Eu, experimentando os limites da força desse novo ser psíquico, artilhado com “nãos” a baterem pé com determinação. É como se a criança dissesse: “Cheguei e agora vou tirar a barriga de misérias e ser Eu a mandar”. Os pais que se aguentem, mas é um forte sinal de estar tudo bem.
De facto, nos primeiros tempos deste reinado, a criança tende a abusar um bocadinho e testa os limites impostos pelos os adultos, fazendo braço de ferro com regras e negas, que só mais tarde, maturando, perceberá serem para seu bem e não por mera implicância. 
Ora é neste momento, de experimentação dos limites e do controlo, que a criança vai ganhar também consciência dos limites e do controlo do próprio corpo, sendo por isso a altura ideal para se iniciar a retirada das fraldas, que disfarçavam esta actividade fisiológica, em que algumas produções nossas têm que se ir embora. Por ser um processo gradual sou muito apologista dos bacios nos primeiros tempos. Permitem despedidas mais prolongadas e apreciação das obras de arte, que inicialmente suscitam tanta curiosidade. O “museu bacio” deve ser escolhido a dedo, com a ajuda dos artistas.
É uma fase do desenvolvimento trabalhosa e com direito a muitos descuidos, que devem ser contidos com calma e compreensão. Esta coisa nova de controlar o próprio corpo requer treino. Mas é um marco muito importante para o desenrolar de etapas seguintes. Por isso, quando surgem dificuldades, as mesmas devem ser devidamente auscultadas, pois podem estar a comunicar complicações muito mais profundas e de carácter psíquico, que traduzidas e enquadradas, facilmente se poderão desfiar e permitir a continuidade de todo o processo de crescimento.




A Ana tem 40 anos, é de Braga, lá viveu até aos 18 anos e para lá voltou em 2006. Nos 10 anos que esteve fora, viveu em Lisboa e em Atlanta, no sul dos Estados Unidos da América. 
Estudou Ciências da Comunicação e foi a esta área que dedicou 12 anos da sua carreira. Primeiro em Lisboa, depois no Porto, mas sempre a saltitar entre as duas cidades, foi brand manager nos maiores grupos de telecomunicações do país e adorava o que fazia. Até que um dia decidiu mudar de vida, tornou-se empreendedora e em 2013 fundou a Grace Baby&Child, um blog de família e uma marca de roupa para crianças dos 0 aos 10 anos. Mãe de duas miúdas (Constança, 6 anos e Camila, quase 4 anos) com uma terceira a caminho. 
No final de 2016, fizeram a grande mudança das suas vidas e juntaram-se ao meu marido em Basileia. Num apartamento bonito na margem do rio Reno viveram pouco mais de 1 ano; regressaram no Natal de 2017. Foram tempos duros porque teve que se dividir entre duas casas, duas cidades e dois países. Viajaram os dois muito em trabalho e estiveram muitas semanas sozinhos com as miúdas, sem apoio doméstico ou da família, mas para a Ana foi um ano bom, “Tive muita pena de me vir embora, no entanto sei que as nossas aventuras pelo estrangeiro não vão ficar por aqui”.
O que os outros dizem sobre si?
Talvez que seja um pouco antipática. Acho que não sou muito de sorrisos num primeiro contacto, muitas vezes porque estou com pressa, pouca paciência para conversa de circunstância ou com a cabeça noutro lugar. A minha irmã chama-me a atenção para isto portanto se calhar é mesmo verdade :) 

O que ninguém ou poucas pessoas sabem sobre si?
Pouca coisa porque quando tenho empatia com alguém facilmente abro o livro. 

Que hobbies tem?
Viajar. Escrever, embora não tenha tanto tempo quanto gostaria. Decorar e redecorar a casa, mudar as coisas de lugar até encontrar o seu lugar perfeito. 

Livro ou cinema?
Ambos. Livros, infelizmente, quase só nas férias. Cinema uma vez por mês. 

Praia ou campo?
Praia mas cada vez mais campo também. 

O que mais lhe dá prazer?
Ter a casa limpa e arrumada. Dormir uma noite de sono numa boa cama de hotel. Receber a roupa branca lavada pela minha mãe. O cheirinho a terra molhada. Ouvir a chuva cair deitada na cama. E mais recentemente, estar em casa em frente à lareira. 

O seu maior sonho?
Tenho alguns, não sei se são sonhos ou projetos de vida.
Hoje, grávida de 5 meses, o meu maior sonho é ter esta bebé com saúde e conseguir atingir o ponto de equilíbrio e de tranquilidade na minha vida. 

O que a maternidade mudou em si?
Eu sempre soube que tinha os genes de lutadora da minha mãe e das minhas avós, mas nunca imaginei que fosse capaz de fazer tantas coisas, de levar tanto para a frente, de fazer acontecer. Acho que foi a maternidade que me puxou pelas garras. 

Qual o maior desafio de ser Mãe?
Educar bem. Saber educar crianças com auto-estima, responsáveis, tolerantes, conscientes do mundo e do que é certo e errado. 

A que se deve o nome do seu projeto?
O projeto começou por se chamar Ma Petite Princesse em honra à minha filha mas mudei depois o nome da marca para Grace quando iniciámos a internacionalização. 

O que é a Grace Baby&Child?
A Grace Baby&Child é uma marca que pretende acompanhar as mães e o crescimento dos seus filhos na tarefa de os vestir, desde o nascimento até aos 10 anos, oferecendo uma gama cada vez mais completa e igualmente essencial. Assim, cada coleção divide-se em 3 linhas: newborn (dos 0 aos 12 meses), baby (dos 12 aos 36 meses) e child (dos 2 aos 10 anos). 
A marca ambiciona oferecer propostas para um guarda-roupa infantil o mais completo possível. Ao nível de vestuário, as nossas coleções são muito completas e compostas por: partes de cima (blusas, camisas, t-shirts, camisolas, casacos), partes de baixo (calções, bloomers, calças) e ainda vestidos, fofos e jardineiras, sem esquecer os acessórios (cachecóis, gorros, toucas, elásticos de cabelo, etc.). 
A linha de Home da Grace Baby&Child apresenta uma linha nursery para o recém-nascido (com alcofas, berços e todos os essenciais para o bebé, como fraldas e babetes, mantas e swaddles, sacos de dormir) e uma linha de banho e decoração de quarto (com roupa de cama, colchas, resguardos, almofadas decorativas, colchões para brincar, entre outros). 
Todas as peças são desenhadas em Portugal e produzidas em pequenas quantidades numa equipa de parceiros cuidadosamente seleccionados e localizados a não mais do que 70 kms de Braga. Atualmente trabalhamos com uma fábrica na Galiza e duas fábricas no Minho. 

Como e quando nasceu a Grace Baby&Child?
A Grace Baby&Child foi fundada em 2013 por mim durante os cinco meses de licença após o nascimento da minha primeira filha. Não foi propriamente uma ideia de negócio, foi antes uma experiência que eu quis viver e que consistia em pegar num projeto começado pela minha mãe para “ver no que dava”. Não havia um projeto, nem um plano... Acho que só depois é que liguei os pontos, que percebi que a minha vontade em fazer algo que viesse das minhas mãos, cabeça e coração tinha tudo a ver com a minha infância nos corredores da confeção do meu avô ou as tardes na loja da minha mãe. 

A maternidade teve alguma influência na criação do seu negócio?
Completamente. A família é a minha inspiração de base. A Grace nasceu junto com a minha filha Constança e é uma empresa 50% minha e 50% do meu marido portanto é como uma filha para nós. 

Como concilia a vida profissional como a vida pessoal? 
Com muita dificuldade [sorriso]. Profissionalmente é difícil porque com o nível de exigência que coloco na Grace, há sempre muito por fazer; somos uma equipa pequena a sonhar em grande. Mas se antes trabalhava muito e até muito tarde, aos 40 anos vou conseguindo encontrar o meu equilíbrio. É muito importante ser organizada. Descrevo-vos o meu dia, um dia comum. 
Acordo geralmente antes das 7h. Tento ter uns minutos para mim, na cozinha com o meu copo de água morna na mão a contemplar o nosso jardim; é uma espécie de meditação. Na cozinha, preparo o pequeno-almoço das miúdas, as mochilas e as lancheiras para o colégio. A seguir começo a cuidar delas, que entretanto já acordaram a julgar pelo barulho no andar de cima: vestir, calçar, pentear, lavar os dentes em conjunto com o Bernardo, que entretanto também se arranja. Se o dia está bonito e elas podem usar vestidos, saias ou calções, tudo corre bem. Se chove ou está frio, preparo-me para uma luta. É muito difícil fazê-las usar algo que lhes tape as pernas! Principalmente à Constança, que acaba por pegar esta mania à irmã [risos]. 
Pelas 8h30 da manhã as miúdas saem com o pai e então, com a casa em silêncio, abro as janelas, arranjo-me, dou uma arrumadela rápida nos quartos e pelas 9h saio. Tomo o café sempre fora de casa e se não tiver ginástica, ioga ou esteticista, às 9h30 já estou em frente ao computador. 
Trabalho sem grandes interrupções até às 18h, hora em que pouso a caneta para ir buscar as miúdas ao colégio e até às 21h sou 100% mãe; não há tv, telemóvel ou computador que me distraia. Depois dessa hora, depende. Antes voltava a trabalhar (demasiadas vezes), hoje já não consigo. Então trato da casa (há sempre qualquer coisa para arrumar) ou vemos uma série os dois. Tento deitar-me pelas 23h. 

Como tem evoluído a Grace Baby&Child?
Muito bem, estamos em crescimento, a todos os níveis: vendas, mercados e equipa. Até 2014 a Grace era um projeto exclusivamente pessoal; hoje somos uma equipa de 5 pessoas, 2 a tempo inteiro e 3 em part-time. 

O que mais gosta do seu negócio?
Das coisas boas que me trouxe: liberdade acima de tudo. Não posso dizer que me tenha trazido mais tempo, porque trabalho mais do que alguma vez trabalhei, mas deu-me o mais importante: a autonomia para ser eu a decidir o que fazer com o meu tempo. Também me trouxe pessoas e algumas entraram na minha vida para ficar. 

Se voltasse atrás faria tudo de novo ou alteraria alguma coisa, das suas opções e escolhas profissionais?
Difícil responder. Acho que seria mais cautelosa nos custos.
E hoje sei que devo seguir sempre mas sempre o meu instinto. Há pouco tempo tomei uma decisão não baseada no meu instinto mas que achei ser melhor para a Grace e para o futuro da marca. Não foi e hoje pago pelo meu erro e sofro com a desilusão. 

Perspectivas pessoais para o futuro?
Como me imagino daqui a 5 anos? Talvez com mais 2 filhos (sempre quisemos ter muitos filhos e se fossem dois rapazes era o sonho) e um carro grande [risos]. A fazer as malas, a preparar-me para mais uma mudança nas nossas vidas, de partida para outro país. Não me imagino a ficar em Braga para sempre. 

Perspectivas do negócio para o futuro?
Quanto à Grace... o caminho é para a frente. Já não tenho a menor dúvida que este projeto é um negócio para fazer crescer, para expandir... lançar novos produtos, trazer mais pessoas a bordo, chegar a mais países. Como empresa a sério, a Grace ainda tem 4 anos de vida. O meu maior sonho é, daqui a 40 anos (!), entregar a empresa às minhas filhas para elas seguirem o seu caminho. Não poderia ser de outra forma. A Grace será o meu maior legado. 

Como divulga a Grace Baby&Child? 
Essencialmente através das redes sociais, newsletters, em mercaditos tipo o Mercaditos Blog da Carlota e também através do meu blog neste momento meio adormecido por falta de tempo mas a vou retomar em breve. 

O que diferencia a Grace Baby&Child das restantes marcas no mercado?
Alguns aspetos, todos eles ligados ao nosso extremo cuidado em criar. 
Por um lado, a qualidade. Seja verão ou inverno, praticamente todas as nossas peças são forradas com tecidos 100% algodão e cada vez mais 100% algodão orgânicos. Preocupamo-nos muito com os detalhes e acima de tudo com os acabamentos ao ponto de nas peças de recém-nascido não termos praticamente costuras. Pormenos que na nossa opinião fazem a diferença e justificam o preço. 
Por outro, todas as peças da Grace são feitas por mães e pensadas para as mães. Nós testamos as roupas nos nossos filhos e tentamos que sejam funcionais, sem deixarem de ser um bocadinho românticas, com um look quase vintage. Por isso o feedback que as clientes nos dão é de que a Grace consegue um ótimo meio termo entre o clássico e o moderno. Para nós, a Grace Baby&Child representa tradição com um toque cosmopolita, modernidade sem extravagância, cuidado, perfeição e acima de tudo amor pelas nossas crianças. 

Objectivos para o futuro?
Ser um negócio sustentável, fazer um bom trabalho e ser feliz. 

Um conselho para quem tem um projecto de negócio na gaveta?
Podia dizer várias coisas mas que se resumem a isto: tudo é possível. 
Vejam os últimos 6 anos da minha vida: tive uma filha, criei um negócio e foi como ter dois bebés ao mesmo tempo. E dois empregos. Depois engravidei e ao mesmo tempo larguei o meu emprego, troquei o certo pelo incerto, o Bernardo foi para fora e eu fiquei em Portugal, com uma filha pela mão e outra na barriga. A Camila nasceu, a Grace cresceu, saiu da sala de estar, contratei pessoas, mudei de país, as miúdas de escola, depois de casa e de país outra vez e de casa outra vez e aqui estou eu... ufa. É cansativo, é entusiasmante, é tramado, às vezes dramático até, mas é possível. 
Eu vejo tanta gente infeliz, que quer mudar, mas com tanto medo... e quando me perguntam qual é o segredo, como é que eu fiz, eu começo por dizer: estruturem as ideias, ponham o negócio no papel, estudem os prós e os contras, procurem informação e definam uma meta. 
E depois trabalho, muuuuuito trabalho. Há uma frase que um professor me disse uma vez e eu nunca mais esqueci: o único lugar onde “sucesso” vem antes de “trabalho” é no dicionário. Não há desculpas. Se quisermos muito, se acreditarmos muito e se trabalharmos em igual dose tudo, qualquer coisa, pode ser possível. 

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Obrigada Ana, pela partilha.