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“De pequenino é que se torce o
pepino”. Todos nós já ouvimos este ditado mas será que sabemos como o
colocar em prática? A Educação Financeira nas crianças é um tema muitas vezes
esquecido ou levado para segundo plano, confiando no bom senso comum. Mas crianças
também são consumidoras e exercem uma influência muito grande nos pais, como
tal, precisam desde cedo, serem preparadas para lidar bem com o dinheiro.
Nesse sentido, a família e a escola são importantes aliadas na construção
de novos padrões comportamentais das crianças. Através da educação financeira é
possível formar cidadãos conscientes e mais preparados.
Ficam aqui algumas dicas e sugestões, quer para quem é pai e quer
incutir a consciencialização financeira ou até mesmo para nós próprios caso não
o façamos ainda, afinal nunca é tarde para aprender!
1. As 3 perguntas a fazer SEMPRE e antes
de qualquer compra:
– Eu quero ou Eu preciso?
– Se eu preciso, posso/consigo pagar já e na sua totalidade?
– Eu devo?
As nossas crianças são (apesar dos avisos generalizados em contrário)
muitas vezes as nossas companhias nas compras. Como dar a volta aos seus
pedidos constantes? Devemos simplesmente evitar traze-las connosco? Ou ir
habituando-as aos poucos a serem mais conscientes de que o dinheiro
simplesmente não cai do céu ou não aparece magicamente num cartão de plástico?
Algumas dicas, sendo sempre necessário adaptar a cada pai/criança:
· Manter sempre a calma com uma
voz pausada e colocar-nos ao nível dos olhos da criança (mesmo no meio de
possíveis gritos e birras);
· Explicar que se comprar
determinado brinquedo o dinheiro não chega para as outras coisas;
· Dar exemplos práticos para a criança
ter a noção da quantidade do dinheiro: “com o valor deste brinquedo a mãe podia
comprar 12 pacotes de leite para ti e para os manos.. O que achas mais
importante?;
· Questiona-los – “precisas mesmo
disto porquê? porquê que isto é importante para ti agora?, não tens um
brinquedo igual?, Preferias ter o brinquedo tal e não termos comida em casa?
(atenção, adaptar o tipo de pergunta ao pedido que está a ser feito, se
estiver a pedir um brinquedo caro ou apenas uma birra por um doce; e esperar sempre
pela resposta da criança, eles necessitam de ser ouvidos).
2. Ter um mealheiro
Seja com um objetivo definido (para algo mais pequeno, aquele brinquedo que
ele gostava muito, ou algo mais grandioso como uma viagem fora do país para a
família), com um plano estipulado de X euros por semana, ou mesmo algo mais
abstrato (colocando quando pode e se lembrar). Só existem duas regras:
começar e não desistir!
3. Definir uma semanada
Com uma semanada são ensinados à criança os princípios de limite,
responsabilidade e planeamento. A mesada oferece oportunidade de vivenciar
situações económicas e certa dose de “independência financeira”, proporcionando
o desenvolvimento das habilidades de consumo.
O ideal é que se comece a dar mesada a partir do momento em que a criança
tenha noções de números, por volta dos seis anos de idade.
Veja como trabalhar a mesada de acordo com as etapas do desenvolvimento
infantil:
· 4/5 anos: as
crianças já podem começar a ganhar suas moedas e para isso nada melhor que
ganhar um mealheiro. é um ótimo recurso para as primeiras noções de economia,
como o caro e o barato e o poupar para comprar algo que deseja;
· 6/7 anos: a
melhor opção nesta idade é a “semanada” para que a criança controle melhor o
dinheiro, já que ainda não possui a noção de tempo consolidada;
· 9 anos: introduzir
a “quinzenada” e posteriormente a mesada. Momento para os pais conversarem
sobre planeamento das despesas para que o dinheiro não acabe na primeira
semana;
· Adolescência: algumas
importantes habilidades financeiras provavelmente já foram desenvolvidas e com
isso pode-se orientar investimentos com foco no futuro. Uma conta poupança
para tirar a carta ou comprar um carro por exemplo.
Atenção! Não basta ato de entregar uma quantia de dinheiro para a
criança. É preciso educar financeiramente, explicar a importância de
administrar bem esse recurso. Não se esqueça de que o dinheiro deve ser
acompanhado de diálogo e, principalmente, exemplo. Algumas atitudes dos pais
são bem-vindas nesse momento:
· Estabelecer um dia certo para
dar a mesada/semanada: com isso a criança desenvolverá a postura de
espera e paciência.
· Destino da mesada: é
importante uma orientação em relação ao uso da mesada, como estabelecer
prioridades de consumo e economizar para compras maiores. Nada muito rigoroso
para não tornar esse momento chato nem inibidor de comportamento.
· Doação: com o
passar do tempo e com a maturidade da criança é interessante separar uma
quantia destinada à doação para associações de solidariedade social ou para
alguém que necessite. Estimular a solidariedade é algo que não pode ser adiado.
Um bom hábito pode também por exemplo antes do Natal e do aniversário fazer uma
escolha de brinquedos que não usa/gosta de forma a ganhar espaço para os novos
e dessa forma fomentar o sentimento de solidariedade para com o próximo.
4. Definir uma compensação de bom
comportamento.
Para quem precisa de um incentivo extra para conseguir atingir os seus
objetivos. Não precisa de ser algo grande, mas aquele mimo extra que lhes
dá força para continuar e manter o bom trabalho.
5. E talvez a mais importante: saber dizer
Não!
Com a ajuda das 3 perguntas referidas no ponto 1 fica mais fácil perceber
se realmente precisa/merece algo ou se é por impulso/capricho. Ainda assim, é
uma tarefa difícil dizer não (aos filhos, e a nós próprios) mas que realmente é
necessária. Nunca voltar atrás num Não dado, muito menos para acabar com uma
birra ou choro. Pois é certamente a arma que usarão da próxima vez
que quiserem algo.
Por Mariline Pinto
Por Mariline Pinto

