Não sei ao certo qual foi, mas deve ter vindo algures
depois do dia em que soube de ti. Não deve ter sido logo, até porque me lembro
de ainda ter sido vaidosa durante algum tempo. Ainda me cuidei por, pelo menos,
mais nove meses.
Pensando bem, o dia em que me esqueci de mim, veio mesmo
depois do dia em que te vi a ti. Em que tive a certeza de que o que acabara de
nascer ali era muito maior do que o que já vivia em mim. Passaste a ser o
melhor de mim e eu passei a viver por ti. E viver por ti fez me esquecer o que
ainda fazia por mim.
Esqueci-me de como adorava ir ao ginásio ou simplesmente
sair para correr. Esqueci-me de como se toma banho sem ser de chuveiro e de
como se põe creme no final. Esqueci-me de como gostava de andar de saltos ao
fim de semana, de como gostava de comprar roupa para mim. De como não saía de
casa sem conjugar a carteira, ou sem relógio ou sem perfume. Eu nunca saía sem
perfume.
Agora o tempo é escasso e quando há tempo, é para ti. Na
hora de sair estás pronto mas ainda não me vesti a mim. A roupa de ontem até dá
para hoje, está escolhida e conjugada. Às vezes um nadinha amassada mas também
quem é que repara em mim. A carteira vai sendo a mesma, a cor é neutra está bem
assim. Quando arranco, já deixei o relógio mas pelo menos do perfume não me
esqueci.
Mas agora que paro e penso, acho que não preciso
continuar assim. Tu estás grande, estás crescido e já vais abrindo mão de mim.
O que ainda assim não invalida eu estar sempre lá para ti. Não me arrependo nem
um segundo do que tenho vivido por ti. E é por ti que também sei que tenho que
cuidar de mim. Afinal, o amor próprio também se ensina e tu tens que o ver em
mim.
Nota - Texto originalmente publicado em Será Sempre Setembro
Nota - Texto originalmente publicado em Será Sempre Setembro


