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Mas afinal há um prazo para se ser Mãe?


Desde muito cedo senti a vontade de ser Mãe, o que resultou numa bebé maravilhosa quando tinha os meus frescos 20 anos. Naquela época ouvi de tudo, desde o “és muito nova!” ao “Foi acidente?”. Como se a vinda de uma criança a este mundo tivesse de ter  um rótulo, uma apreciação alheia. O que é certo é que entre todas essa vozes opinativas e de ter sido uma batalha para me fazer valer como Mãe (fui tantas e tantas vezes desacreditada só por causa da minha idade), a minha filha foi muito desejada.
Quatorze anos mais tarde reiterei a experiência e veio mais uma pulga para alegrar os nossos dias. Ouvi de um familiar que eu estaria no limite “Cuidado! 33 anos? Já estás no limite para mais um filho”. Ri-me abertamente, mais uma vez, mais um julgamento, mais uma opinião que não pedi.
Hoje, estamos novamente a pensar em mais um membro para a família. Com 36 anos, a caminho dos 37 em Novembro, muitos me dizem, “se querem mais um filho, têm de se despachar!”. Ok, tenho de me despachar... mas o que significa isso? Despachar?
Sinto-me como aquele iogurte logo à frente na prateleira do frigorífico do supermercado, cujo o rótulo cor de laranja de último preço grita o fim da validade.
Mas afinal tenho um prazo para ser Mãe? Até que idade somos supostas ter o “direito” de procriar? Traduz-se em quê? Além do “3 filhos? mas vocês estão doidos? Não têm já com que se coçar?”. As dúvidas que nos assolam como Seres e Mulheres já são tantas.
Serei capaz de correr atrás de mais um filho pequeno?
Aqueles cálculos de cabeça idiotas mas que para o nós até são super válidos “Ora bem, quando ele tiver 20 anos terei 57, será que terei estaleca para um jovem adulto ou irei perder a cabeça?”. Vou andar a fumegar pelas orelhas com o miúdo, se juntar a menopausa vou parecer um barco a vapor. E se me acontece algum problema de saúde? E se o dinheiro não chegar?
São tantas e tantas dúvidas que nos assolam que é perfeitamente inútil (e estéril) ouvir de gente alheia todas essas opiniões e julgamentos. Para julgar, já nós nos julgamos o suficiente. Tentamos travar toda uma onda de negativismo por mais pequeno que seja, mas que algures no nosso fundinho subsiste e cria o medo. Aquele incontrolável medo que toda a Mãe sente. E se eu não for capaz?

Se o caminho for de não ter filhos ou de ter 1 filho único ou 2, 3, 4 e mais filhos, isso não diz respeito a absolutamente ninguém. Não importa a idade, cada um cria a sua própria história ao ritmo do seu coração.