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Uma escolha. Uma identidade. Uma história.


«Que nome mais feio!», «Mas onde raio esta gente escolhe os nomes?», «Que porcaria de nome é esse?», «Não sabem escolher um nome melhor?», «Coitadinho… Como é possível que coloques um nome desses?».

Isto é um dos exemplos que eu tenho vindo a apanhar desde que estive grávida do Noah. Confesso que fico surpreendida com a sinceridade (… ou a lata) destas pessoas quando me abordam, sejam elas conhecidas ou não. Uns estranham o nome por ser fora do vulgar, outros por ser estrangeiro e alguns por acharem que é nome de menina. Pessoas com expectativas que o nome seja tipicamente português.

No dia em que o nosso príncipe nasceu alguns familiares começaram a fazer ainda mais pressão para não escolhermos o nome “Noah”. O meu esposo estava quase a ceder… Mas eu não deixei. Meter o nariz nas escolhas dos pais, em relação ao nome, é uma atitude completamente desapropriada.

O nome dele tem história repleta de acontecimentos e sentimentos que ninguém passou por eles para entender a nossa escolha. Tudo tem um propósito. Só lamento que as pessoas não sejam suficientemente curiosas pela história que está por detrás de cada nome.

Outro drama inicia quando as pessoas souberam que iriamos incluir um terceiro nome próprio no registo. «Mas isso é possível?» - Sim é, desde que um dos pais seja estrangeiro. O primeiro nome já estava escolhido, o pai também quis escolher o segundo, e tivemos a decisão de haver um terceiro nome que fosse simbólico (e é coreano). Tanto eu como o meu esposo crescemos num ambiente intercultural, onde desde sempre foram criados laços com pessoas de origem coreana e japonesa a quem nós carinhosamente lhes chamamos de “tios”, porque nos viram crescer e cuidaram de nós. Os meus pais foram missionários durante muitos anos e compreenderam perfeitamente a mensagem que o nome coreano representa.

«Coitado do miúdo, quando for para a escola vai ter que escrever aquele nome todo!»

Qual é o nosso propósito enquanto pais? Ensinar-lhes a serem preguiçosos e impacientes? Todos nós, desde a infância, passamos por escritas intermináveis, e quando chega um nome comprido passamos por coitadinhos? Também já escrevi muitas vezes os nomes dos meus pais - que não são propriamente curtos – e eu nunca protestei. Porquê? Porque isso realmente não interessa. Muitas vezes fazemos do assunto um drama quando uma criança não vê problema algum.

O pai e a mãe devem estar confortáveis com a sua decisão na escolha do nome para o seu bebé, sem pressões e inquietação. A escolha é deles.

O nome é a identidade do ser humano. Uma herança. Pode vir carregado de histórias familiares, de lugares do coração, de momentos inesquecíveis, de crenças… Quando olho para o Noah há mais a certeza que o nome não poderia ter sido outro. O Noah veio dar uma dimensão mais especial ao seu nome. Vai acompanhá-lo para toda a vida e ele é um ser humano tão especial como a história por detrás do seu nome.