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Não tens medo de mostrar a tua filha na internet?



“Não tens medo de mostrar a tua filha na internet?”, perguntaram-me quando o blog deu o boom.
Na verdade, quando a minha filha nasceu eu não publicava fotografias dela na internet. Ainda sem saber, na verdade, as razões. 
Estaria eu a ser influenciada? Mas por quê? Por quem? Até hoje não sei a resposta porque pus a pergunta de outra forma: mas porque não?
E essa resposta eu encontrei com alguma facilidade: qual o objectivo mesmo? É criar memórias que espero que sejam eternas, ainda que partilhadas com o mundo. É ir reler coisas que nem me lembrava de ter sentido ou vivido! No fundo é um álbum de fotografias a que toda a gente pode aceder… E isso é maravilhoso!
Temos que fazer aqui uma divisão: uma coisa é mostrar, outra coisa é expor. Terá ela vergonha do que vir daqui a uns anos? Exponho a sua intimidade, por exemplo nua?
Não a humilho. Não publico nada que ela se possa envergonhar. 
Impera o bom-senso. Os limites são traçados por cada família… independentemente se o pai e/ou mãe são bloggers ou não.
Ela na rua anda com um saco na cabeça ou com um emoji na cara? Não.
Mas então e publicar fotografias das crianças, mas sem a cara… Não está na mesma a imagem da criança a ser utilizada? O braço, a perna, as costas?
Então e nos filmes e nas novelas, nas revistas e nos catálogos… não aparecem crianças? O que lhes acontece de mal?
Vamos aqui ou acolá e somos atropelados por pessoas com câmaras fotográficas ou telemóveis a tirarem fotografias às suas próprias famílias, à paisagem ou a outra coisa qualquer e nós, olhem… Estávamos lá. E o que se faz com essas fotografias? Sabemos lá nós!
Portanto à pergunta: “Não tens medo de mostrar a tua filha na internet?”, eu na verdade tive que responder que não, não tenho.
Não consigo materializar esses medos. Não os desvalorizo, nem tão pouco deixo de pensar neles. Mas na minha cabeça, ainda não os consegui dar-lhes sentido.
O meu blog é seguido por pedófilos que quê? Divertem-se com a minha filha filha no baloiço? Ou a experimentar um brinquedo? Ou a comer? Não estou a ver…
Vão busca-la à escola? Ok que tapo o símbolo (vêem como impera aqui o bom-senso em cada família?)… mas seguem-nos? Vão busca-la ao colégio e a educadora dá, assim? Sem mais nem menos? Também não estou a ver…


Não há soluções perfeitas, nem famílias perfeitas, nem respostas para tudo nem receitas que encaixem em todas as famílias.