0

Não amo o meu filho!



Não, não amo.

Amo a vida! Amo a praia… Amo noites quentes de verão. 
Amo a cor Rosa e tudo o que ela preenche. 
Amo a minha família, os meus pais, os meus irmãos, o meu marido – companheiro de uma vida, amo até as minhas primas afastadas. 
Amo os meus amigos, por poucos que sejam.
Amo o meu gato.
Amo jantar fora e amo um bom vinho. Amo marisco e chocolate. Amo saladas frescas no verão. Amo gelados e festas. 
Amo o Natal. Amo festas de aniversário. 
Amo rir… Amo musica e diversão. 
Amo chapéus de sol e o cheiro do protector solar. 
Amo andar descalça. Amo o vento quente a bater nas pernas. Amo o salgado que o mar deixa na pele. 
Amo a lareira em tardes de inverno. 
Amo o cheiro a erva-doce e canela. Amo velas e incensos. 

Amo cheiros, cores e sensações…

Amo muitas coisas e podia viver sem nenhuma delas. Por isso não amo o meu filho.

Amor não chega. Não descreve. Não preenche.

Aquilo que amamos hoje, podemos não amar amanhã.
O que amamos não nos completa.

Após ser mãe, o Amor tornou-se demasiado passageiro. Fácil barato, corriqueiro… Volátil.

O que sinto por ele é muito mais que amor. É algo cuja descrição ainda não encontrei.

É algo que não muda. Não mudará nunca! 
Algo que não tem dependências… sem “se’s” nem “porquê’s”. 
É algo que me completa e que rapidamente se tornou imprescindível. 
É algo que dói e apazigua ao mesmo tempo. 
É latente, é intenso, é calmante, é prazeroso e aflitivo num só.

É chorar! Não de tristeza nem tão pouco de alegria… É chorar porque o sinto.

A vida ainda não conseguiu encontrar uma palavra para descrever este tanto!


Filho: Eu não te amo, eu “_____-te”!


Artigo originalmente publicado em Sei lá eu ser mãe