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Que actividades fazer com os miúdos no Inverno?


Finalmente chegou o Inverno, em criança lembro-me que não gostava desta altura. Com o passar das estações aprendi a apreciar todas por igual.

O Inverno faz-me lembrar o frio da minha infância, a nostalgia de acordar com a ponta do nariz gélida. Tenho em mim, o cheiro da lenha a arder, o barulho da chuva, o olhar de uma janela com terras pingadas e por vezes a neve, o toque de 4 mãos de mães que tive o privilégio de ter. E isto é o que mais guardo, esse calor. Tão simples de dar e é o que guardo, que multiplico e divido com os meus filhos para que um dia eles também guardem, multipliquem e dividam, se assim entenderem.

Não me assusta o tempo, apenas o que passa e que não dou conta. É preciso vivê-lo, apanhar uns pingos de chuva, atirar bolas de neve, sentir a brisa a gelar a ponta do nariz quando bem agasalhados, dizem que dá imunidade.

Aproveitar o calor da mão quente, os abraços que fazem esquecer o frio, os saltos nas poças que tornam a estação uma aventura, o som da lenha a arder, os cheiros de bolo quente (opções saudáveis, se possível), a marmelada quente, castanhas no forno. Um filme a 4 no sofá com a mantinha quentinha. Avistar o mar rebelde e saltar pelas dunas numa praia deserta. Uma ida ao teatro ou ao cinema. Jogos de tabuleiro em casa com família e amigos. Pintar, desenhar, construir castelos e foguetões em cartão, ser protagonista de uma história que acabou de se elencar porque o limite da nossa imaginação é à prova do frio e das estações. Atividades científicas, construções de robots, vulcões a arder em casa, legos, puzzles e origamis.

Uma visita a um museu ou centro de ciência viva. Há tantos espalhados pelo país e as crianças gostam. Cá em casa, sugerimos interações elétricas no museu da eletricidade, uma visita ao planetário, oceanário ou até aquário Vasco da Gama, brincar aos adultos na kidzania, as múltiplas exposições do pavilhão do conhecimento, uma viagem no tempo ao palácio Ajuda, da Pena ou um passeio no 28 até ao castelo de S. Jorge, caminhada pela rota dos monumentos, percurso de ciclovias de bicicleta ou simplesmente trotinete. Como temos um estudante do 4º ano fomos ao Lisbon Story center e parecia uma réplica do programa de história explicado de uma forma bem lúdica e o próximo será o Museu de Arte Antiga para visitar os painéis. Assim, quando se abrirem os livros no banco da escola qualquer semelhança com a vida real será recordada. Ao contrário do que se possa pensar não é um programa enfadonho para ninguém, nem mesmo para os mais novos em idade pré-escolar.
Infelizmente, o acesso a cultura é pago mas podemos sempre aproveitar as borlas de domingo nos museus mais perto de si.
Em alternativa, em casa, depois de um banho quente, se possível com o barulho da lenha a estalar, um sofá ou só umas almofadas no chão, um abraço e um livro que se lê ou história que se encanta, sem nunca largar a mão que aquece o fogo que se guarda no coração.


 É nesta altura que me ligam e que me dizem que nunca atendo o telefone. Desculpem mas estava com as mãos ocupadas a fazer memórias de Invernos cheios de calor!