Mães unidas jamais serão vencidas

Que se unam as mães: as que trabalham fora de casa e as que trabalham em casa (e claro as que trabalham fora e dentro de casa).
Que se unam as mães que ficam em casa com os filhos, as que os deixam com avós, as que escolhem uma ama e as que optam pela creche.
Que se unam as mães que dão à luz naturalmente, as que optam por parir em casa numa piscina de água morna, as que choram implorando pela epidural, e as que escolhem uma cesariana eletiva.
Que se unam as mães que preferem amamentar e as que escolhem dar um biberão, porque o que querem é alimentar a sua cria.
Que se unam as mães que amamentam até poder e as que amamentam até querer.
Que se unam as mães que dão bolacha maria, e as que dão bolachas de aveia com banana caseiras. As que fazem uma sopa por refeição e as que fazem uma panela ao domingo e congelam para uma semana. As que fazem papinhas de alfarroba e as que dão cerelac. 
Que se unam as mães que adormecem os filhos ao colo e as que os adormecem no berço. As que deixam que os filhos durmam consigo e as que os colocam com amor, nos seus quartos. 
Que se unam as mães que no desespero gritam e as que não gritam. As que num último recurso ‘enxotam a mosca’ da fralda e as que nunca deram uma palmada.
Que se unam as mães que deixam os filhos com os avós ao fim de semana para ir jantar fora e namorar, e as que não se conseguem separar deles.
Que se unam as mães que dão chucha e as que não dão.
As que esterilizam a chucha a cada queda, e as que a desinfectam com a sua própria saliva.
Que se unam as mães que dão pepino e cenoura em pedaços aos 6 meses e as que dão sopas passadas com carne e peixe até aos 2 anos.
Que se unam as mães que não permitem que os filhos vejam televisão, e as que deixam que vejam músicas num tablet quando vão ao restaurante.
Que se unam as mães que dão beijinhos na boca dos filhos e as que não dão.
Que se unam as mães que preferem golas, fofinhos e carneirinhas e as que gostam de fatos de treino, leggings e ténis.
Que se unam as mães que escolhem creches com inglês no berçário e as que preferem escolas alternativas onde se aprende a brincar à chuva.
Que se unam as mães que morreram de amor quando viram 2 riscas rosa num teste de gravidez, as que se enamoraram ao ouvir o primeiro choro, e as que  demoraram algumas semanas a apaixonar-se pelo seu bebé.
Por um mundo com mais compreensão e menos discussão…um mundo com mais respeito e menos preconceito. Um mundo com mais valores e menos pudores. Um mundo com menos culpa e mais «desculpa-(me)!». 

Porque o mundo precisa de mães unidas, e os nossos filhos também!



Rute Almeida
34 anos, mãe de 3, mulher e psicóloga




Maria João Teixeira Poínho, tem 39 anos e apesar de ser transmontana (de Torre de Moncorvo) reside em Vila Nova de Gaia,  é casada e tem 3 filhos (dois do primeiro casamento e a 3ª do actual) o seu primogénito e o único parecido consigo chama-se Gabriel e com 20 anos terminou já o curso superior na Universidade da Covilhã, prepara-se agora para enfrentar o Mundo do trabalho; o filho do meio, com uma diferença de 9 anos, chama-se Rodrigo e é o menino mais doce que já viu, responsável e muito meigo (o sonho de todas as mães) frequenta actualmente o 6ª ano; a princesa veio completar o trio, também com uma diferença de 9 anos do irmão do meio, chama se Noa e tem 2 anos, nasceu com a pilha toda, doce, mas não muito dada, primeiro tem que confiar. O marido Ricardo trabalha entre Portugal e Itália, deixando a Maria João sozinha a maior parte do tempo com a casa, o trabalho e os meninos.


O que os outros dizem sobre si?
Ui, esta é difícil...ora bem dizem (desde sempre) que sou casmurra, teimosa (a este defeito devo tanto, mas tanto que nem imaginam, perfeccionista, bato o pé às minhas vontades (podia ficar aqui o dia todo)...sou mãe, este nome resume muito, verdadeira leoa com as crias, mas que sofre muito com coisas pequenas.


Algo que ninguém ou poucas pessoas sabem sobre si?
Passei um verdadeiro tormento quando o primeiro filho nasceu, com apenas 18 anos passei de inexperiente a mãe de prematuro com 30 semanas e com gastrosquisis, 12 cirurgias e enviado para casa para falecer com a família aos quase 3 meses. Pesava apenas 2,300 gr quando o trouxe para casa, foi uma autêntica batalha contra o tempo, contra todas as possibilidades de sobrevivência.

Hobbies?
Como uma verdadeira artesã e mãos de fada, adoro tudo o que ”bula” com as mãos, pintura, escrever, só gostaria era de mais tempo.

Livro ou cinema?
Livro “A Cabana” oferecido pelo filho mais velho

Praia ou campo?
Adoro as duas coisas, praia porque vivo pertinho dela e o campo lembram me os tempos de menina vividos na aldeia.

O que mais lhe dá prazer?
Passar tempo em família, costurar, são tantas as coisas pelas quais sinto um enorme prazer em fazer.

O seu maior sonho?
A nível pessoal, dar a volta ao Mundo com os filhos e marido, a nível profissional ter atelier/ loja com os meus artigos.

O que a maternidade mudou em si?
A maternidade não é pera doce, nem algo parecido, é algo que é para a vida, para sempre, nunca mais vamos deixar de ser mães...é a profissão mais difícil do mundo, ocupa nos o tempo todo e mais algum.
Acho que me tornou mais capacitada a enfrentar grandes problemas, a gerir tempo e a perceber que 4 horas de sono por noite me chegam...

Qual o maior desafio de ser Mãe?
São tantos... acho que é mesmo poder capacita-los para a vida…ensinar-lhes o bem, prepará-los para o futuro.

Nome do seu projecto?
Menina do Papá, mas em breve e com o registro da marca vai alterar se para NOA.

A que se deve o nome do projecto?
A minha área é de longe a que escolhi neste momento, fui cabeleireira durante 19 anos, tirei o curso superior de Educação Social e fiz pós graduação em Cuidados Continuados, quando engravidei da minha filha fiquei de baixa desde as 4 semanas, com uma ameaça de aborto, o que me fez repensar o que queria fazer e como, nada melhor que esta Menina do Papá para o fazer. Não queria fazer com esta filha o que fiz com os outros, deixá-los num infantário a maior parte do tempo e só vê-los à noite, sei que perdi as coisas mais importantes da vida deles...agora e mais economicamente estável, permitiu-me tomar a decisão (juntamente com o marido) de ficar em casa pelo menos até a pequena ter 3 anos. Mas não sem trabalhar, até porque trabalhei toda a minha vida e sei o quão importante é para a nossa mente, e para a dinâmica familiar… por isso pensei em algo que gostava de fazer: Costura!! E apaixonada por coisas pequeninas surgiu a confecção de roupa de bebé e criança, e neste momento também para mamãs.

A maternidade teve alguma influência na criação do seu projecto?
Claro que sim, como mãe e consumidora, sei o que as mães procuram e o valor que estão dispostas a pagar, procuram qualidade, artigos diferentes a preços acessíveis.

Como concilia a vida profissional como a vida pessoal? 
Na verdade é muito difícil… como o marido está fora a semana toda, sou mãe, pai, educadora, dona de casa e ainda a artesã… aprendi a articular e a adaptar-me de forma positiva, ainda sem contar com as aulas de dança do filho do meio, é levar e trazer, jantares, banhos e ainda verificar os tpc… difícil, mas nunca impossível. No fim do dia, estou ko, e no dia seguinte às 7 da manhã a rotina volta a rodar...

Como tem evoluído o seu negócio?
Tem sido ótima a evolução, tem crescido imenso, tanto que num futuro muito próximo irei registar a marca, as clientes mantêm-se fiéis o que é excelente, ou seja, não represento uma marca, para comprar uma única vez, e isso deixa-me feliz, saber que a cliente volta quando precisa de algo diferente. Irei dentro em breve ampliar o atelier, que neste momento se encontra em casa, pois recebo muitas mães em casa seja para entrega dos artigos seja para escolha de tecidos.

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Obrigada Maria João, pela partilha.




Acabou de confirmar que se tornou oficialmente uma futura mamã, parabéns, uma das suas primeiras tarefas é seleccionar o ou os profissionais que a irão acompanhar na gravidez. A pessoa que escolher será o seu guia e referência ao longo das 40 semanas de gravidez, a pessoa que a vai ensinar, tranquilizar, apoiar e encorajar, daí a importância que tem esta escolha! 
Existem várias opções e são essas opções que lhe vamos apresentar de seguida, salientamos que este artigo é meramente informativo e que deverá tomar a decisão em conjunto com o pai do bebé e em consciência com o que pretendem.

Quais os profissionais que podem acompanhar a gravidez:

Ginecologista Obstetra
Um ginecologista obstetra é o profissional que à partida está mais preparado para acompanhar a gravidez, e com este profissional terá acesso imediato e completo a todos os procedimentos, exames, medicamentos, etc. Este profissional pode inclusivé efetuar o parto.

Médico de Família
Este profissional é qualificado para proporcionar cuidados de saúde gerais a mulheres, homens e crianças. Tem alguma formação em Obstetrícia e geralmente não acompanha gravidezes de risco, que terão de ser avaliadas em contexto hospitalar e por um ginecologista obstetra.

Doula 

A Doula acompanha a Mãe durante a gravidez e o parto, mas não executa procedimentos médicos. Durante a gestação a Doula fornece informações baseadas em evidências para evitar procedimento cirúrgicos desnecessárias, proporcionar uma experiência positiva do parto e reforçar o vínculo mãe/bebé. No momento do parto dão apoio físico e emocional à mulher em trabalho de parto e são figuras importantes para um parto fisiológico, natural e humanizado.

Parteira
Esta profissional geralmente só intervém no momento do parto. Pode ser uma Enfermeira Obstétrica, uma enfermeira com especialização em Obstetrícia e dotada de mais conhecimentos técnicos especializados. Ou ainda uma pessoa que não é formada em enfermagem mas com qualificações necessárias como parteira. 


Estas são algumas das informações básicas que podem ser usadas para seleccionar o ou os profissionais que a podem acompanhar na gravidez. Não podemos também esquecer que esses profissionais têm de ser alguém com quem haja empatia, em quem se confie e que transmita serenidade.

Que seja uma feliz jornada nas próximas 40 semanas! 

Para saber como seleccionar os profissionais que podem acompanhar a gravidez guarde este Artigo no Pinterest




Refª Grávida livro de instruções | Informação essencial, dicas e conselhos para futuros pais | Sarah Jordan e Dr. David Ufberg | Arte Plural Edições | 1ª Edição | Abril 2009


A idade da porta fechada
Diz-se que vai dando sinais cada vez mais cedo. Ou pelo menos vamos atribuindo os avanços do crescimento dos filhos à categoria de “adolescência”. Uma coisa é certa: esta é a fase da vida em que uma revolução acontece e que afeta não apenas a sua condição física mas também as suas relações sociais, onde os pais estão na linha da frente.
O seu quarto é o seu mundo, constroem a sua personalidade e têm opinião, decidem o que querem (e não querem) vestir, os amigos são o centro da sua vida, exigem liberdade e independência, e a qualquer instante têm acesso digital ao que se passa em todo o Mundo.
Como pais andamos meios perdidos, ainda a recuperar o fôlego da infância e é-nos exigida agilidade para novos desafios, que surgem à velocidade da luz. E, mesmo que seja tentador usar as mesmas armas que os filhos, não vale a pena pesquisar no Google para saber o que fazer em cada situação… [mas pode usar para ajudar a descodificar algum léxico que passou a fazer parte do dia-a-dia lá de casa!] Acho que é da prática – e muita intuição – que vamos conseguindo chegar ao rumo certo para que a adolescência seja uma fase de aproximação e de fortalecimento da relação pais-filhos. 
Depois de algum caminho percorrido com os meus dois filhos adolescentes, consegui perceber que os passos em falso que fui dando contribuíram para encontrar respostas às muitas dúvidas que surgiram. Quatro deles foram (e são) essenciais: 
  1. Comparar com a minha adolescência é um erro. A frase “no meu tempo era assim…” teve de ser banida de todas as conversas. Sim, nós pais temos as melhores recordações da nossa adolescência, mas a realidade dos dias de hoje dos nossos filhos é totalmente diferente ao olhar deles (ainda que no fundo tenham muitos pontos em comum). É como se fossemos de outro planeta, de outra era. Basta pensar que eles nasceram num mundo digital, em que a conectividade é permanente. Viver a adolescência deles sem referências que não a deles próprios é o caminho certo.
  2. Tudo tem a sua hora. A urgência de querermos que eles cresçam, leva-nos a acelerar o seu crescimento. Confuso? Eu explico: não estou a falar de pózinhos mágicos para que fiquem mais altos, mas da tentação que os pais têm – até porque andam à deriva – de fazer com que os filhos pareçam adultos. Roupa, maquilhagem, saídas à noite, séries de tv, redes sociais, tecnologia… Deixemos que o tempo demore a passar e que desfrutem de cada fase da vida. Estão a construir a sua personalidade e saltar um degrau nesse processo pode deixar tudo fora de controlo. Ser firme e dizer “não” é uma lição importante que dará frutos mais tarde.
  3. Passar a ouvir mais do que falar. Sabemos que é a fase do “grito do Ipiranga”, do “quero-posso-e-mando”, de que sabem tudo e os pais não sabem nada. E também é a altura em que procuram referências, orientação, conselhos. Não quer dizer que façam tudo o que os pais dizem – até porque estão a desenvolver o seu sentido crítico e é bom que vão tomando as suas decisões -, mas acredito que é importante saber que estamos ali, que sabemos ouvir, que podem contar connosco. E ouvir passa a ser a forma como desfrutamos da adolescência dos nossos filhos.
  4. Ser único e especial. É isso que cada um dos filhos é para os pais quando nasce. Na adolescência é preciso regressar a esse espaço de “individualidade”, promovendo momentos intimistas mãe-filho/a e espaço para conversas especiais. Não é passar a ser a BFF ou esperar que nos conte tudo da sua vida (é importante que tenha a sua privacidade garantida), mas para sedimentar a relação e criar espaço para a abertura. Marcar na agenda o dia do lanche a dois e uma ida ao cinema a meio da semana vai entrar na rotina especial da família.
Estar presente e disponível, conhecer os adolescentes de hoje e identificar alguns traços comuns nas suas vivências pode auxiliar os pais a contribuir para esta fase da vida dos filhos e, acima de tudo, a promover uma relação afetiva saudável entre ambos – no presente e no futuro. Para que os pais possam sempre ter a possibilidade de abrir a porta fechada do quarto do seu filho adolescente.

Marta Amorim

Marta Amorim Oeiras
Escreve no Não sei andar de bicicleta
46 anos e dois filhos adolescentes, trabalha em Marketing e Comunicação e sobre a sua vida, os seus filhos, para onde viaja e sobre o que lê.
Artigos




2 Meses de internamento: A história da minha gravidez gemelar

Já passou algum tempo desde que fiquei internada às 27 semanas de gestação com risco de parto pré-termo. Foram dois meses de internamento que me poderiam ter destruído psicologicamente mas decidi que não poderia fazer isto a mim mesma, à minha família e aos bebés que estavam dentro da minha barriga.

A gravidez do meu primeiro filho foi tranquila e quando soube que estava grávida novamente esperei que fosse semelhante mas enganei-me.

Soube na primeira consulta que estava à espera de trigémeos, senti um misto de emoções, no entanto a médica alertou-me para o facto de um estar menos desenvolvido e poderia não avançar. E assim foi… Passado umas semanas o terceiro gémeo foi absorvido pelo corpo e felizmente os outros dois fetos estavam a desenvolver normalmente.

Tive bastantes enjoos, muito sono, contrações de braxton hicks a partir das 20 semanas e alguns sustos que me levaram ao hospital mas nada que fosse significativo. 

Às 27 semanas comecei com contrações de 3 em 3 minutos e algumas dores no baixo ventre. O meu marido ligou de imediato para a “Saúde 24” que enviaram, a correr, o INEM. O destino foi certo: Hospital. Fiquei de imediato internada e embora o colo do útero estivesse fechado, as contrações não vacilavam e claramente podiam desencadear o parto.
A minha mente dispersava mas insistia em encontrar um foco positivo, o meu inconsciente acho que estava ansioso, mas não queria transparecer…
Sou uma pessoa que gosta de estar bem esclarecida e quer sempre saber todos os prós e contras, por mais que o futuro seja diferente preciso estar preparada para tudo e, neste caso, quem levou comigo foram as enfermeiras e as médicas pois fazia questão que fosse tudo, mas mesmo tudo explicado.
Acabei por ser transferida para um hospital com serviço de Neonatologia, e o problema? Estava tudo cheio a nível nacional, não havia vagas! Aguardei uma vaga sempre esperançosa que tudo ia correr pelo melhor, e correu! Afastei os pensamentos e as pessoas negativas naquela altura! Precisava de boas energias, precisava que rezassem por nós!
Cada dia era uma vitória, cada semana era um milagre!
Tive muitas horas para pensar, para ler, para escrever, para me entreter, mas a minha prioridade era o descanso! O repouso absoluto era obrigatório e eu respeitei sempre!
Inevitavelmente procurava histórias na Internet parecidas à minha, umas felizes e outras tristes, mas parei de fazê-lo! Faziam-me mal e preferia não saber mais do que a minha própria história! Queria pensar no meu final feliz! Seria uma luta diária? Sem dúvida!? Iria chorar? Claro. Sofrer? Sim, mas não quero e por isso pensava noutras coisas! Esperança? Muita mesmo!
Os meus estavam a sofrer também, embora me tentassem dar toda a força do mundo! 
Em momento algum pensei em voltar para casa, nem queria!  Não pensem que não me custava deixar o meu filho de 3 anos e o meu marido no caos e no sofrimento, mas sabia que precisava mesmo de estar ali!
O meu filho estava a sentir tudo da pior maneira, e os comportamentos estranhos começaram a ser visíveis. E isso custava-me tanto! No entanto, sentia que ali não estava em perigo e que conseguia descansar, e tinha os melhores profissionais ao meu lado. 
As contrações eram diárias, as dores também e por mais que tivesse sempre em risco de ter os filhos prematuros, preferi projetar na minha mente várias etapas. As 30 semanas, as 32, as 34 e por fim as 36 seriam o meu grande objetivo. Poderia ser uma realidade muito distante mas todos os dias acreditava e visualizava chegar lá. 
Diariamente entravam grávidas naquele quarto de hospital para ficarem internadas, poderia ser apenas 1 dia como meses e acreditem muitas delas sofriam imenso, choravam diariamente e tive de ser muito forte para que isso não me afetasse também.
O mais incrível é que saí daquele hospital às 34 semanas e levei amigos para a vida, principalmente alguns enfermeiros. Foram eles a minha segunda família, cuidaram de mim e dos meus e eu estou tão grata por isso.
Vim para casa com a indicação que teria de fazer repouso, fiquei com receio mas entusiasmada ao mesmo tempo. Passados 3 dias volto para o hospital e mais uma vez fico internada durante 1 semana. 
Regresso novamente a casa e estava muito cansada pois o peso da barriga já era muito.
Às 36 semanas e 4 dias vou ao hospital pois tinha uma consulta marcada e mesmo antes de ser atendida começo com uma pressão enorme no baixo ventre. A médica observou-me e viu que o colo já estava apagado e estava com cinco centímetros de dilatação, o bloco era o meu destino. Em poucas horas, a dilatação estava completa, a epidural dada e era hora dos gémeos nascerem.
O Diego e a Diana nasceram de parto normal, com seis minutos de intervalo e com 2500 kg cada um. Foi um parto maravilhoso.
Sei que a força da minha mente, as energias positivas que me rodeavam e o facto de não ter perdido o foco foi sem dúvida o que me fez aguentar e chegar até às 36 semanas.

Como já referi… Cada dia era uma vitória e hoje olho para os meus pequenos lutadores e encho-me de orgulho pela batalha vencida.

Marta Rodrigues



Fui desafiada pelo mães.pt a escrever sobre esta data, passarei a explicar a razão da escolha.
A vida por vezes parece sarcástica ou demasiada críptica por colocar datas, pessoas, sensações, acontecimentos que aparecem e desaparecem sem acaso, e que nem sempre conseguimos perceber uma possível sincronicidade, muito menos entendê-la ou até admiti-la.
Dia 4 de Fevereiro é a data (ouso citar, a mais importante na minha vida), foi o dia em que Deus me ofereceu, ou emprestou (palavra de Saramago), o meu primeiro filho. 
A partir daí, fui mãe mais uma vez (data duplamente importante) e com duas vezes assim, completo-me por inteiro, nesta função que é sem dúvida, o que melhor define aquilo que eu sou.
Triste coincidência, dia 4 de fevereiro assinala a maior luta da minha vida, o cancro. Já enfrentei duas batalhas e tal como os filhos, ficava-me fartamente saciada com esta dose dupla.
Sobre o cancro e sobre as mães, conheço a cara jubada do medo. Um monstro que aparece, assusta qualquer mãe com a ideia de ser forçada a partir. Os momentos que não se está cá e se vai fazer falta, são elenco de filmes futuristas no nosso presente. Qualquer coisa de instinto animal sai de nós; fiquei mais selvagem, confesso. A fúria, a garra, o enfrentar o monstro sem medos. Por outro lado, lembro-me de tocar mais nos meus filhos como se os sentisse com outra posse e desejo, como se os quisesse numa outra dimensão, recordo-me de os farejar quando dormiam, de falar com eles com os olhos, como se todos os sentidos se apurassem. 
O cancro muda-nos! Isso, tenho sentido com testemunhos de sobreviventes, quase um efeito de renascer.
Tem-se noção da efemeridade da vida, o que dá um sentido diferente, mais intenso no dia-a-dia. Ingredientes simples como a gratidão que dão mais sabor, as prioridades redefinidas, para que nada fique por fazer, se o dia se lembrar de acabar amanhã.
Este meu texto tinha que ter assim um carater de oratória de amor à vida!
Para mim, escrever sobre esta data no site de mães, é escrever sobre a luta mas acima de tudo sobre o que mais importa.
É escrever sobre quem não nos abandona, quem nos ama e sofre connosco, quem esconde lágrimas com sorrisos no rosto amedrontado, que se finge não reparar. Um tributo a quem amo, ao verdadeiro amor à prova de monstros.
É escrever aos que nos abraçam, que têm mais medo do que nós e que talvez por isso, não sabem o que dizer, nem como fazer, basta estarem lá, mesmo em silêncio. Um tributo aos verdadeiros amigos, tão bom existirem!
É escrever aos que nos substituem quando estamos internados, a fazer tratamentos ou quando estamos a ressacar dos químicos, que protegem as nossas crias como se fossem deles. Um tributo a eles, que são a minha verdadeira família!
É escrever aos cuidadores, a todos! É escrever ao IPO e outros hospitais. Os médicos, enfermeiros, auxiliares, voluntários, que entregam o melhor de si, por nós, genuinamente. O quanto estou grata ao serviço de hematologia do IPO do Porto e Lisboa, pelo seu meritório trabalho de Excelência! Em tempos, a minha casa, o meu porto seguro.
É escrever aos que investigam e que procuram soluções mais eficazes, quer para o diagnóstico, quer para os tratamentos.
É escrever sobre as associações que zelam para que haja um maior apoio, quer informativo, quer de necessidades básicas como alimentação, alojamento ou companheirismo.
É escrever aos dadores de sangue e principalmente aos dadores de medula que dão mesmo de si, para salvar vidas. Tributo a estes grandes heróis!
É escrever aos meus Deuses e Anjos, com quem conversei e até me zanguei, mas que acredito que estiveram deitados comigo na cama dos hospitais, nos blocos operatórios, nos dias de tratamento, nos dias de avaliação e o que quer que exista, deu-me muita tranquilidade para acreditar que sairia mais uma vez, vencedora dessa luta. 
Só não consigo escrever aos pais que nos veem sofrer. Nem imagino o que sentiram os meus. O meu medo é tanto que me impede de dar um passo na entrada do serviço de pediatria de qualquer hospital oncológico. Os meus dedos tremem e as letras aprisionadas em mim, nem saem para o papel.
A esses pais presto homenagem e aos pequeninos que vejo passear pelos corredores tenho uma profunda admiração. Nesse caso, são eles imagem de oratória, são verdadeiros anjos na terra, o exemplo a seguir, quando nos queixamos da vida, quase perfeita, que temos.
O cancro é o monstro jubado, mas quando o assustamos quero acreditar, que ele apareceu com um propósito, como tudo o que acredito na vida, talvez nos tivesse visitado para nos mostrar algo, nem que seja o melhor de nós!
Para todos os que estão na luta e que tiveram paciência de me ler até aqui, palavras de muita coragem, tranquilidade e superação. Espero do fundo do coração, que um dia vejam o cancro lá atrás, como se uma sombra apagada que nos recorda, o quanto é bom viver!
Queria acreditar que em breve, o cancro se tenha tornado uma doença ultrapassada, num mundo menos tóxico de stress, de químicos nos alimentos que comemos, na água que bebemos e no ar que respiramos. 
Como se sabe, após a 2ª guerra mundial as taxas de incidência de doenças oncológicas aumentaram, fruto não só da deteção e do avanço científico, como muitas vezes, queremos justificar inteiramente. Existe, uma tendência estatisticamente comprovada para um aumento destas doenças que acompanha não só o aumento da esperança média de vida, como anda de mãos dadas com um mundo frenético em que os animais que comemos não são livres, os vegetais cheios de pesticidas, o emprego resume-se à vida ou a vida ao emprego. Cuidar de nós, cuidar do outro, cuidar do corpo. Talvez nessa altura, o Homem pense como seria a sua vida se um dia um indivíduo jubado o visitasse e pensasse que não adianta correr se não soubermos apreciar uma paragem. A propósito da paragem, do dar e receber, talvez pudesse pensar que se não o é, será um bom dia para se inscrever como dador.

Agradeço em nome de todos.



Mafalda Lira
Escreve no
Mãe, Matemática, Defensora de causas, Sonhadora e Apaixonada pela vida
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