Chama-se Alexandra e vive com o namorado de sempre, o músico Nuno Rafael, juntos têm quatro filhos.
Com formação na área social onde trabalhou durante mais de 10 anos, seguiram-se outros tantos no serviço educativo de um Centro Cultural, no diálogo entre a arte e a educação. 
Em 2015 criou a plataforma NHEKO, um projeto editorial sobre a Vida em Família.
Atualmente, Alexandra é coordenadora da Associação 1% onde trabalha diariamente naquilo que diz ser a construção de um mundo melhor e também faz parte da equipa da LadoOposto Produções, uma agência que representa mais de uma mão cheia de bandas portuguesas.

O que os outros dizem sobre ti?
Não sei. Uma vez ouvi uma das minhas filhas a dizer a uma amiga que eu era “boa pessoa”, gosto dessa ideia.

Conta-nos algo que ninguém ou poucas pessoas sabem sobre ti?
Há algumas particularidades que só quem me conhece melhor sabe... eu não corro desde o 9.º ano, quando deixei de ter educação física na escola, sou muito preguiçosa no que respeita ao exercício físico e odeio cansar-me, adorava ultrapassar isto e conseguir tornar-me mais saudável.
Fiquei horrorizada quando soube que ia ter gémeos e nunca vesti as minhas filhas de igual, aliás não gosto nada de roupinhas a fazer “pandan”.
Preferia que o nosso quarto filho tivesse sido outra menina.

Hobbies?
Gosto de ler, de visitar feiras tipo feira da ladra, de ver espetáculos, de andar de carro sozinha e de estar com os meus filhos. Gosto de cozinhar. Gosto muito de escrever.

Livro ou cinema?
Primeiro o livro, depois o cinema, mas a linguagem artística que mais me (co)move é a Dança.

Praia ou campo?
Vivemos numa aldeia perto do Guincho, num local onde a praia e o campo se cruzam de uma forma perfeita e harmoniosa, não há nada melhor que esta junção.

O que mais te dá prazer?
Tanta, tanta coisa. 
Tenho a sorte de ser uma pessoa que retira prazer em grande parte das coisas.
Uma mesa cheia de amigos, um jantar a dois, uma ida ao cinema sozinha.
Um dia de sol mesmo que gelado. A chuva a bater no vidro. Chá, café.
Um mergulho no mar, dormir com sal no corpo.
Ouvir os meus filhos.
Abraçar quem amo. 
Perder-me em conversas filosóficas e outras nem tanto. Rir.
Um copo de vinho, sozinha ou acompanhada.
Ver os meus filhos a dormir.
As conversas rotineiras de um jantar em família. Os cozinhados da minha mãe.
Ver o meu namorado de sempre a tocar.
Fazer programas de filho único.
Ver espetáculos, especialmente de dança.
Sentir-me útil e fazer a diferença. Conhecer pessoas novas. Surpreender-me.

O teu maior sonho?
Fazer a diferença na construção de um mundo melhor. 

O que a maternidade mudou em ti?
Tudo. Foi a maternidade que me fez entender o mundo e conhecer-me a mim.

Qual o maior desafio de ser Mãe?
Ter de o ser sempre e para sempre.
O maior desafio talvez seja mesmo esse, a constância. 
É saber-me exemplo e querer sê-lo. É manter-me ao longo das diferentes fases do crescimento, uma presença forte na vida dos meus filhos. 
É não facilitar e pensar sempre com o coração. É ouvir sem querer ter razão.
É ter a responsabilidade de contribuir para a formação da personalidade dos meus filhos e ajudá-los a serem pessoas gentis e atentas aos outros.

A que se deve o nome Nheko?
Nheko é um diminutivo de boneco/bonheko, é o nome que chamamos ao nosso filho mais novo, por ter uma sonoridade engraçada, ser um nome pequeno e ter um significado especial para toda a família, este passou a ser o nome do nosso projeto. O Nheko nasceu também por causa deste filho, do que ele nos trouxe enquanto família e a mim em particular como mãe.

E para quem não sabe, o que é Nheko?
Nheko é um projeto editorial sobre a vida em família. Aqui encontram entrevistas com pessoas que consideramos inspiradoras, apresentamos marcas e pequenos negócios e também publicamos artigos de opinião, especialmente ligados a temas como educação, adolescência, criação artística para a infância, sugestões de livros e espetáculos; tudo à volta da Vida em família.

Como e quando nasceu o projecto?
O Nheko surgiu de uma vontade de criar um espaço de partilha sobre temáticas que de alguma forma se cruzassem com a vida em família, uma plataforma onde a linha editorial, os conteúdos escritos e as fotografias fossem cuidados e promovessem a reflexão.
Tentámos desde o início marcar a diferença de diferentes formas, sempre soubemos bem o que não queríamos: Este espaço Não é um blogue de leitura rápida, Não é um espelho da nossa vida, Não é uma montra de marcas, Não é um espaço publicitário.  
Sempre nos mantivemos fiéis a isto o que acabou por invalidar, de certa forma, a transformação deste projeto num negócio rentável. Foi uma opção consciente.
Sempre quisemos diferenciar-nos pela forma como abordamos os temas, pela qualidade das fotografias que são maioritariamente feitas por profissionais e pela autenticidade dos conteúdos.
Muitas vezes partimos da nossa experiência de vida, da nossa família, mas não nos cingimos a ela. Este não é um diário sobre a nossa vida, é um espaço que pretende promover a reflexão e o espírito critico, que procura oferecer inspiração para a Vida em família.
Até há bem pouco tempo tivemos uma loja online onde apresentávamos uma criteriosa seleção de produtos, alguns deles frutos de parcerias com fazedores de coisas que muito admiro. Criei um género de trotinete de madeira em colaboração com um marceneiro muito talentoso, o Gabriel que é conhecido como Quilhas Alfredo, desenhei e criei peças com a fantástica Rita Sevilha, compus kits com colaborações diversas desde a Ana Morais da Casulo, a Anna Westerlund, o Planeta Tangerina, a Organii. Este trabalho criativo fascina-me. Tenho imensas ideias sempre mas acabei por optar por, recentemente, fechar a loja. 
Este é um trabalho que exige muito foco e também investimento de recursos e de tempo, tive de ter o bom senso de perceber que esta não era a minha prioridade no momento, penso que um dia ainda vou voltar a trazer a NhekoShop, talvez com um outro formato, tenho já umas ideias mas que, por agora, ficam fechadas na gaveta.

A maternidade teve alguma influência na criação do projeto?
Eu tenho muita dificuldade de retirar a influência da maternidade de qualquer assunto da minha vida. Ser mãe dilui-se completamente em tudo o que sou, não me vejo às fatias, sinto-me uma mistura de tudo o que compõe a minha vida. A Alexandra mãe influencia tudo o que eu faço da mesma forma que outras experiências pessoais e profissionais que tenho me influenciam no papel de mãe, sou péssima a separar águas. 
Relativamente ao projecto Nheko a maternidade é uma experiência fundamental para ele ter aparecido.
Tenho uma publicação onde partilho o impacto que o aparecimento deste nosso filho teve na minha vida, no meu sentir, na minha forma de ser. Chama-se “O Nascimento de uma nova vida” (aqui) “Os vários projetos que tenho, entre eles o espaço Nheko, são o culminar de um processo iniciado quando decidi ter mais um filho, são a materialização do que eu sou hoje e no que a vida me tornou. Quando quis ter este filho nesta fase da minha vida eu sabia que estava a aceitar os termos de responsabilidade que estavam escritos nas entrelinhas e que isso implicava recriar-me de novo.”

Como concilias a vida profissional como a vida pessoal?
A minha vida profissional é complexa porque estou em muitas frentes ao mesmo tempo no entanto tenho as prioridades muito esclarecidas. O meu companheiro é músico, tem horários inconstantes e ausências constantes, sempre assim foi. Esforço-me por não assumir compromissos que não possa cumprir, tento ser sensata e honesta com aqueles com quem trabalho e acima de tudo comigo. Neste momento as nossas filhas estão crescidas e praticamente autónomas, temos uma rede de apoio bastante funcional o que me permite estar mais liberta e disponível para novos desafios mas sei sempre que tenho os miúdos como prioridade mesmo que isso me obrigue a ficar privada das normais horas de sono ou me obrigue a outro qualquer tipo de ginástica. Claro que um bom planeamento e organização ajudam muito. Outra coisa que me ajuda é o facto de eu ter muitas ideias, tenho um tipo de criatividade muito funcional, é a criatividade ao serviço do quotidiano, esta característica dá-me imensa flexibilidade e permite-me chegar muitas vezes onde parecia não ser possível.

Como tem evoluído o projeto?
O Nheko tem funcionado como uma janela por onde podem espreitar os projetos com a minha assinatura e perceber de que forma o que faço se pode cruzar com outras ideias e iniciativas. Depois de mais de 20 anos a trabalhar em equipas multidisciplinares e dinâmicas, construir parcerias e criar em conjunto é uma das coisas que mais prazer me dá. Desde que estamos online já desenvolvi vários trabalhos muito diversificados.
Crei espaços/projetos pensados nas famílias: A Casa Nheko no Organii Eco Market, o primeiro mercado Eco Lifestyle que aconteceu em Portugal, criámos uma Casa de Família onde os visitantes eram convidados a entrar e usufruir de uma variada oferta de produtos disponíveis para utilização livre, desde brinquedos, jogos, livros para diferentes faixas etárias, discos, espaços de relax, zona de amamentação e muda fraldas, atividades organizadas para crianças e adultos em interação.
Esta Casa Nheko tinha nas paredes trabalhos de artistas e makers que nos inspiram e contou com a colaboração de várias marcas com as quais trabalhamos regularmente.
Na segunda edição, lá estivemos outra vez!
A convite da Câmara Municipal de Almada, integrámos por dois anos consecutivos, a programação do Mercado de Natal Amigo da Terra com um projeto direcionado a famílias, a Brincoteca, Espaço família: Um espaço lúdico com propostas para diversas faixas etárias cujo objetivo se centrava em promover a partilha e interação entre os diferentes elementos da família.
Criei histórias por encomenda; A partir do imaginário da coleção de roupa para criança para um livro cujas personagens faziam parte da própria coleção da marca: Principesque, Stories to were.
Para a ISWARI construi uma história que envolvesse os personagens presentes nas embalagens do novo produto para crianças tal como os princípios da marca.
Além da história incluí também neste livro um conjunto de sugestões de atividades para desenvolver em família. O livro integrou o kit de lançamento de produto para crianças.
Trabalhei em colaboração com extraordinários fotógrafos em diferentes trabalhos que me enchem de orgulho.
De momento tenho duas ideias em ebulição que não faço ideia quando se irão concretizar, mas sei que vão ser fantásticas. Li, algures, uma frase que me acompanha: enquanto os planos e os sonhos forem maiores que as memórias, está tudo certo!


O que mais gostas do teu projeto?
O que mais gosto no Nheko é o sentido que por lá encontro.

Se voltasses atrás farias tudo de novo ou alterarias alguma coisa, das opções e escolhas profissionais?
Eu, se soubesse o que sei hoje fazia muita coisa diferente, mas isso ia certamente fazer com que não aprendesse o que aprendi.
Tento não perder muito tempo a pensar no que poderia ter sido diferente no passado, considero mais importante e profícuo pensar no que quero fazer diferente no futuro. 
Gosto de ter uma atuação refletida e opto por não fugir para a frente, mas gosto muito mais de sonhar com o amanhã e viver o hoje do que contemplar o que já passou.

Perspetivas do projeto para o futuro?
Gostava de recuperar a periodicidade nas publicações, especialmente nas entrevistas. De momento estou muito empenhada numa outra frente de ação o que me tem retirado a disponibilidade necessária para o conseguir. Gostava também de concretizar uma ideia que tenho vindo a alimentar e que cruza conceitos como a família, a criatividade e o ato da criação. É um trabalho com uma certa profundidade e que necessita de alguns recursos para acontecer. Cruzar as minhas áreas de trabalho e de pensamento são uma constante e isso dá imensos frutos, uns são mais visíveis outros menos. Conseguir espelhar no Nheko a minha perspetiva relativamente à Vida em família é sem dúvida a minha principal preocupação e investimento.

Como divulgas o Nheko?
Através da utilização básica das redes sociais: Facebook e Instagram.

Um conselho para quem tem um projeto de negócio na gaveta.
Não é um conselho, é uma partilha. Eu senti que um negócio é uma coisa muito difícil de fazer acontecer, é algo que necessita de muita disponibilidade, seja ela financeira como de tempo, etc. É algo que não acontece de um momento para o outro, demora tempo, exige foco. No meu caso, reconhecer que a minha ordem de prioridades não me permitia ter essa disponibilidade foi um processo de consciencialização, foi fundamental não querer agarrar-me a um projeto que, por si só, não era um modelo possível de negócio. Tive de fazer opções, nunca considerei mudar a sua essência e adaptá-la ao que “o mercado” procurava. Nunca cedi a torná-lo um espaço cujos conteúdos se afastassem da minha ideia original, nunca o abri a publicidade, nunca o desvirtuei. Estas opções fecharam-me portas mas abriram outras tantas, levaram-me a procurar outras soluções financeiras e é aqui que recomendo muita atenção e prudência, sem as decisões certas aquilo que um dia foi um sonho pode tornar-se num pesadelo. 
Tal como referi acima, valorizo muito o ser honesta comigo e com aquilo que para mim é basilar e isto é mesmo o que faz a diferença. Não posso dizer que os meus filhos são a minha prioridade e depois não estar cá para eles. Saber reformular é fundamental. 

Perspetivas pessoais para o futuro?
Manter-me nesta linha, dar continuidade aos projetos que tenho em mãos. Usufruir da vida. Ser gentil comigo e com os outros.


Alexandra, muito obrigada pela partilha. Adoramos conhecer-te melhor.

Podem acompanhar  a Alexandra e o seu projeto Nheko através das redes sociais: Facebook e Instagram e Site em www.nheko.pt




São inúmeros os benefícios que a leitura traz para as crianças, mas para além de lhes cultivarmos o gosto pelos livros e pela leitura, é importante levar as crianças à Biblioteca. Estes são os maiores benefícios de levar as crianças à Biblioteca:

-  As crianças aprendem a ficar mais calmas
A biblioteca é um lugar de silêncio e tranquilidade, quando uma criança está num local assim percebe quais as regras e como se comportar nesse tipo de ambiente.

- As crianças aprendem a importância de não interromper
Dividir um espaço de leitura com outras pessoas ajuda a que as crianças percebam que têm de respeitar quem os rodeia.

- Cuidar do que não é nosso
Os livros devem ser tratados com muito cuidado para poderem ser usados por outras pessoas. Para conseguirmos o amor pela leitura devemos antes ensinar o amor pelos livros.

- Responsabilidade
Os livros da biblioteca são de todos e caso aquele livro que eu quero não esteja disponível é preciso esperar, voltar à Biblioteca para ver se já foi devolvido e ter a responsabilidade de devolver na data correta para não prejudicar quem precisa do mesmo.

- Variedade de estímulos
Mesmo tendo uma pequena biblioteca em casa, nunca teremos a mesma variedade de livros de uma grande biblioteca oferecendo uma enorme variedade de estímulos. 

- Organização
Cada livro tem seu lugar. Cada livro que foi retirado do seu lugar deve voltar ao mesmo. Isso ajuda as crianças a perceberem a importância da organização.

Estes são alguns dos Benefícios de levar as crianças à Biblioteca, mas haverão com certeza muitos mais, porque ler, gostar de livros e frequentar a Biblioteca são hábitos de vida que enriquecem as crianças.


Para ter sempre à mão 
os Benefícios de levar as crianças 
à Biblioteca 
guarde este artigo no Pinterest. 





Photo by Annie Spratt on Unsplash


Desafios no acompanhamento de um bebé com 1 ano

365 dias. 1 ano cheio de “primeiras vezes” a serem registadas no coração: o primeiro choro, o primeiro sorriso, o primeiro banho, o primeiro mês, a primeira papa, o primeiro Natal, o primeiro dia no berço ou na creche, às vezes os primeiros passos e as primeiras palavras… Tudo é emocionalmente novo não só para os pais como para os bebés. Desafios atrás de desafios, também estamos a “crescer” com eles, cada um à sua maneira. Cada família passa por situações mais desafiantes que outras. E no que toca ao desenvolvimento do nosso filho temos de respeitar o seu ritmo. Cada criança tem o seu próprio ritmo, e não vale a pena comparar o desenvolvimento dos nossos filhos com outros. 

O “vício” da mama

Fazer da mama uma chupeta é um dos maiores consolos do meu filho, mas “contrariá-lo” está a ser de momento o meu maior desafio. Na realidade nunca houve a necessidade de dar a chupeta pelo menos até aos 6 meses: sempre foi um bebé muito tranquilo, nunca chorava quando tinha sono, adormecia facilmente, e nem mesmo se queixava quando tinha a fralda suja (eu tinha sempre que verificar a fralda). A partir dos 6 meses, comprei diferentes modelos de chupetas porque ele rejeitava cada uma, se bem que “simpatizou-se” melhor com uma chupeta da Chico.
Fica ao critério da mãe se pretende insistir em dar a chupeta ao seu bebé, uma vez que não é tarefa fácil quando se está habituado à mama… Confesso que acabei por desistir em dar a chupeta ao meu filho (agora com 1 ano e 5 meses) porque à medida que o tempo passa vai perdendo o interesse, e principalmente desde que ele entrou na creche que está menos dependente da mama. Por isso, a todas as mamãs que estão na mesma situação, mantenham-se calmas, tudo se resolve. Se pretenderem, vejam este vídeo sobre o assunto.

Os desafios gastronómicos

A primeira sopa do meu filho foi aos 9 meses, a amamentação exclusiva manteve-se até aos 8 meses. A partir daí foi um desafio enorme introduzir alimentos sólidos e usar a criatividade na elaboração de novos pratos. Utilizei o método de alimentação Baby-Led Weaning que permite ao meu filho comer, alimentos sólidos, sozinho. Há bebés que só conseguem adaptar-se aos alimentos sólidos a partir de 2 ou 3 anos. 

Os passos 

Sempre se ouve dizer que a partir do momento em que os nossos bebés começam a andar é um desafio ainda maior: para eles, é uma felicidade extrema em cada passo; e para nós, que apesar da felicidade ser recíproca temos também consciência que a preocupação é maior sobretudo no que toca à segurança dos nossos filhos. Como tudo na vida. E se há bebés que após um ano e meio ainda não deram os seus primeiros passos, mais uma vez reforço que é necessário respeitar o ritmo do bebé, e cabe a nós enquanto pais fazer o melhor que conseguirmos, sempre com resiliência. 

É uma fase em que o bebé começa a querer controlar o seu lado motor, a explorar tudo o que está ao seu redor, e sobretudo a querer “festejar” cada conquista. Cada bebé é único e todos são especiais à sua maneira. 

Margarida Lozano


Os valores essenciais na educação de uma criança

Nos tempos passados, de um modo geral, a hierarquia familiar estava muito bem definida e desde muito cedo as crianças aprendiam a seguir os passos dos pais e a obedecer, com base numa autoridade alicerçada na violência física e/ou verbal, em casa e na escola. Este tipo de educação causou repressão nas crianças, e os pais que tomaram consciência desse facto, porque a viveram na 1ª pessoa, começaram a educar os filhos de uma forma diferente. Estes novos pais, de forma consciente ou inconsciente, optaram por educar de uma forma oposta à que conheceram na sua infância. Passou a ser permitido às crianças falarem à mesa, escolherem o que querem comer, brincarem livremente, incluindo passar horas em frente a écrans. 

Algumas décadas volveram desde que esta tendência de parentalidade se instalou no ocidente, e de novo pais e professores voltaram a questionar o novo modelo de educação no ocidente, quando observaram os problemas de comportamento das crianças, como birras incontroláveis, vontades que exigem ver satisfeitas e, em casos extremos, tentativas de comandar completamente a vida familiar em torno dos seus desejos e caprichos.

Também eu questionei os valores essenciais na educação de uma criança e comecei uma busca exterior por respostas que me deu a conhecer um filósofo e educador que revolucionou o pensamento ocidental e oriental e que considerou a educação como sendo de importância primordial na comunicação daquilo que é o centro da transformação da mente humana e da criação de uma nova cultura – Jiddu Krishnamurti. Este pensador considerava a educação como uma atividade religiosa (re-ligar), no sentido desta ter como fundamental objetivo facilitar a ligação do homem ao todo, e não meramente transmitir e adquirir conhecimentos. Repetiu que o medo, a autoridade, condicionavam a aprendizagem da criança e não lhe permitiam desenvolver-se harmoniosamente.

Outra influência importante no meu percurso foi o trabalho do inovador pedagogo Jesper Juul (Family-Lab) e dos valores que definiu para a vida familiar: Igualdade, Responsabilidade Pessoal, Integridade, Autenticidade. Aconselho vivamente que todos os educadores explorem melhor o que significa cada um destes valores pois podem ser bastante iluminadores num sentido mais prático e não tanto filosófico.

Apesar de todas estas inspirações, na minha experiência pessoal como estudante, como mãe de um rapaz de 11 anos e no âmbito do projeto de educação O MUNDO SOMOS NÓS que coordeno atualmente, percebi o que funciona e o que não funciona na educação de uma criança. O que não funciona penso que já muitos de nós sabemos porque nos fomos questionando ao observar as crianças e a sociedade, mas o que funciona é mais difícil de vislumbrar e mais ainda de alcançar. Dei dois bons exemplos de pensadores que nos trouxeram propostas coincidentes, uma mais abstrata e outra mais concreta, sobre a educação. Podemos segui-los e tentar pôr em prática algo que lemos, mas a verdade é que ambos nos incitam a procurar dentro de nós mesmos, enquanto educadores, a chave para dar uma educação melhor aos nossos filhos. 
Então, o que funciona na educação das crianças?
Seguir modelos, sistemas educativos, especialistas, livros?

Eu descobri que aquilo que as crianças precisam é de educadores (pais, professores) conscientes de que representam o fator mais importante na educação. As crianças precisam de guias, de adultos inteligentes e amorosos, que lhes ensinem a arte de viver no seu todo. E elas aprendem por exemplos, aprendem com o que “é” e não com o que lhes dizemos. As nossas “teorias” e explicações de nada servem, pois elas pressentem o que nos vai nos pensamentos e nas emoções, e depois imitam. Por exemplo, se falamos alto com os nossos filhos, podemos esperar que eles falem baixo? Podemos assim dizer que na presença de educadores conscientes a educação funciona mesmo quando não funciona. Porque todos os dias são diferentes, todas as crianças são únicas, nenhum pai ou mãe é perfeito e todas as fases trazem mudanças. Em todos esses momentos, com todos estes elementos em transformação, o educador é aquele que tem a responsabilidade de segurar na sua mão a chave que abre a porta do coração da criança, para que com o amor que sente e a verdade de um relacionamento puro e sincero, ela possa ouvir, dialogar, aprender, e, enfim, ir desabrochando com liberdade.


Ivone Apolinário
Escreve no O Mundo Somos Nós
mãe do Tomás (e mãe em part time de 23 crianças d’ O Mundo Somos Nós), fundadora, coordenadora e formadora do projeto de educação holística O MUNDO SOMOS NÓS
Artigos





O meu parto – Humanizado, Poderoso e Feliz (por Catarina Gaspar)

Desde há uns anos para cá, habituei-me a escrever regularmente objectivos de vida. Escrevi-os antes de engravidar, durante a gravidez e antes do parto. Fazia-me todo o sentido projectar as minhas intenções para o parto mas, ao mesmo tempo, sabia as consequências de criar expectativas e o desafio que é lidar com a desilusão depois. Não queria isso para mim.
Então comecei por criar intenções mais gerais e sempre baseadas na forma de me sentir e não nos eventos em si. Ou seja, eu desejava um parto humanizado, poderoso e feliz. O que cabe dentro disto? Quase tudo! Podia ser um parto intervencionado, demorado, rápido, com muita medicação ou sem, vaginal ou cesariana. O que me interessava mesmo era que me sentisse respeitada, empoderada e feliz. Estava disponível para viver a experiência que fosse. Daria o meu melhor para que fosse de encontro aos meus desejos mas abria espaço para o imprevisível e aceitava totalmente que assim fosse.
No final do Verão, durante uma caminhada na praia, comecei a falar com o meu filho (como sempre fazia) sobre o parto. Expliquei-lhe o que podia acontecer e o que, provavelmente, ele iria sentir. Disse-lhe tudo, detalhe por detalhe focando-me sempre no parto vaginal e espontâneo. 
Eu sentia-me radiante cada vez que falava com ele sobre isto porque começava a imaginar, a aproximar-me mentalmente dessa possibilidade e, às tantas, já sentia como se lá estivesse, no futuro, a viver aquilo. 
Bom, qual não é a minha surpresa quando, de facto, o Vasco nasceu EXACTAMENTE como eu projectei e como lhe disse. 
As contracções começaram na noite de segunda-feira, tímidas mas com sensação associada. Durante o dia de terça continuavam espaçadas (30 em 30 minutos) e com pouca duração (20/30segundos). Achei que com o cair da noite as contracções aumentariam a proximidade e a duração. E, de facto, isso aconteceu. Estavam então de 10 em 10 minutos e já chegavam aos 45/50 segundos. Estávamos no bom caminho! Talvez durante aquela noite ele nascesse. 
Pelas 2h fui para o sofá porque estar deitada era muito desconfortável. Passei a noite sentada, dormia entre contracções (que se mantinham no mesmo ritmo) e chegou a manhã de Quarta-feira. Novamente com a luz do dia as contracções espaçaram e só pela hora de almoço intensificaram um pouco. O meu marido tinha aproveitado a manhã para terminar alguns detalhes profissionais e regressou. Chamei também a nossa doula ao início da tarde e, entre caminhadas pelo jardim, agachamentos, uso da bola de parto, foco e muitas respirações conscientes passou-se a tarde.  A perda de rolhão mucoso era a única prova que tinha de que o cólo do útero estava a encurtar e que iniciava a dilatação. Fui comendo e bebendo durante todo o processo, descansando, recebendo massagens, toque, incentivo e amor. Muito amor. Até então sentia-me totalmente focada, apoiada e empoderada. Afinal estava a lidar com aquelas contracções muito melhor do que tinha imaginado. No final do dia a impaciência e a vontade de ver resultados falou mais alto e resolvemos ir ao hospital. Felizmente estava lotado e como o Vasco estava óptimo e eu só estava com 2 cm de dilatação, voltamos para casa. Voltei a passar a noite no sofá, voltei a dormir entre contracções e agora as contracções eram ainda mais fortes e mais próximas. 
Voltou o sol e amanheceu o dia em que o Vasco iria nascer – quinta-feira, dia 18 de Outubro.  Acordei muito sonolenta e muito mais introspectiva do que no dia anterior. Realmente estava a sentir os altos níveis de Oxitocina no meu corpo e a alteração evidente do estado de consciência. Voltamos a chamar a nossa Doula e passamos a manhã em casa. Apesar da minha falta de energia e de alguma desmotivação (afinal estava assim já há 48 horas e parecia que nada acontecia), caminhar tornava as contracções mais fortes e eficazes. Perto da hora de almoço disse ao meu marido para comermos porque a ida para a maternidade estava para breve (achava eu que estava a meio da dilatação, 5 cm talvez). Mais uma contracção enquanto almoçava e a certeza de que tinhamos de ir naquele momento!
Quando chegamos ao hospital estava já com 7/8 cm de dilatação. Chorei de alegria e de gratidão! Era tudo o que eu queria – chegar o mais tarde possível! Fomos logo para o bloco de partos e, fomos recebidos por uma enfermeira parteira (e equipa) maravilhosa que correspondeu em tudo àquilo que eu desejava. O Vasco nasceu às 14h46, menos de uma hora depois de darmos entrada no hospital.
Tive um parto natural (sem qualquer medicação), vaginal, activo (pari de cócoras com o meu marido sentado num banco a apoiar-me os braços e a parteira de joelhos no chão), poderoso, amoroso e TÃO feliz! 

Foi tudo o que idealizei e o que desejava para nós. E tenho a certeza que esta história tão bonita e real que vivemos deve ser partilhada com o máximo de famílias possível. Porque é possível! Porque somos nós os responsáveis pela nossa vida e temos, cada vez mais, de descobrir e assumir esse poder pessoal e criar a vida que queremos viver.  

Catarina Gaspar


Sabiam que o riso é uma das expressões que mais benefícios nos traz? 

Nomeadamente:
  • Ativa a produção de endorfinas, trazendo bem-estar
  • Liberta tensões
  • Provoca uma resposta emocional única orientada à alegria e ao bem-estar.
  • Aumenta a captação de oxigénio.
  • Cria um ambiente positivo e cordial.
  • Ajuda-nos a ver os problemas em perspectiva.
Sabiam que a alegria e o bom humor também devem ser educados?

Verdade! É muito importante desenvolver uma atitude bem-disposta e ensinar os nossos filhos a ter um riso fácil.
O comportamento emocional dos nossos filhos é a chave para a sua felicidade presente e futura. Ensiná-los a partilhar com os outros o seu sorriso e alegria irá ajudá-los em todos os relacionamentos. O sentido do humor é tão necessário na vida familiar quanto a educação ou os valores.

E é  fácil educar crianças com sentido de humor, sendo que o primeiro passo é o nosso exemplo, sermos pais bem-dispostos e com sentido de humor, e depois nada melhor do que ensinar a brincar.

Deixamos como sugestão algumas brincadeiras para fazer com os seus filhos e que permitem estimular a boa disposição, o sentido do humor e educar crianças com sentido de humor:
  • Guerra de cócegas.
  • Luta de almofadas.
  • Contar piadas.
  • Ver juntos filmes divertidos.
  • Fazer comentários divertidos mantendo nossa expressão séria.
  • Fazer perguntas aparentemente absurdas: quem quer um gelado de sardinha?
  • Vestir-nos intencionalmente com uma roupa do avesso.
  • Contar episódios divertidos de nossa infância.
  • Recordar as coisas divertidas que nossos filhos faziam quando eram mais pequenos. 


São apenas algumas ideias que ajudam a fazer frente à grande necessidade de alegria que os nossos filhos e nós mesmos temos.
Estás nas mãos de nós pais e educadores, educar crianças com sentido de humor! 





Entrevistamos a Maria Bernardes e a Sónia Rochette, os rostos por detrás da marca Pêra Doce.

A Maria Bernardes, tem 39 anos, é casada e mãe de 2 filhos, a Margarida com 7 anos e o Pedro 4 anos de idade.
A Sónia Rochette, tem 41 anos, é casada e mãe de 3 filhos, a Maria com 7 anos, o Manuel com 3 anos e o Joaquim com 2 anos.

O que os outros dizem sobre vocês?
Maria e Sónia – Não faço ideia!!

Hobbies?
Maria – Viajar
Sónia - Surfar

Livro ou cinema?
Maria – Cinema, mas com 2 filhos não tantas vezes quanto o desejado.
Sónia – Livro, mas com 3 filhos é difícil.

Praia ou campo?
Maria e Sónia - Praia

O que a maternidade mudou em vocês?
Maria – Tudo, as rotinas, a forma de ver a vida, etc.
Sónia - Tudo

Qual o maior desafio de ser Mãe?
Maria – Lidar com duas personalidades fortes e distintas.
Sónia – Cuidar de uma menina espacial, que tem uma doença rara e ainda cuidar de mais dois rapazes super energéticos.

Nome do vosso projecto?
PÊRA DOCE

A que se deve o nome do vosso projecto?
Não é nada Pêra Doce (fácil) fazer as mochilas.

Para quem não conhece, a que se dedica a Pêra Doce?
Acessórios para maternidade, bebés, crianças e mães.

Como e quando nasceu o vosso projecto?
Nasceu em 2013 após um curso de costura criativa na Rosa Pompomsa.

O que motivou o nascimento da marca Pêra Doce?
Uma lacuna no mercado porque não havia nada do género no mercado e bastante impulsionadas pela Joana Nobre Garcia (nossa professora no curso de costura) iniciámos o projecto.

A maternidade teve alguma influência na criação do vosso negócio?
Claro que sim, foi devido ao facto de termos acabado de ser mães que decidimos fazer o curso de costura pois queríamos criar algo (um negócio) a ver com roupa ou dentro do género para as nossas filhas.

Como conciliam a vida profissional com a vida pessoal? 
Com bastante organização e alguma ginástica mas tem resultado lindamente.

Como tem evoluído o vosso negócio?
Tem evoluído bastante bem estamos numa fase de crescimento.

Qual a vossa profissão anterior? Mantém outra profissão para além da Pêra Doce?
Maria – Jornalista e comercial (só trabalho na Pêra Doce)
Sónia – Directora de produção de eventos (só trabalho na Pêra Doce)

O que mais gostam do vosso negócio?
O facto de termos conseguido idealizar um produto prático tanto para nós como para todas as Mães, conseguirmos projetar as nossas ideias, desenhos dos tecidos e ver tudo isso concretizado e com sucesso.

Se voltassem atrás fariam tudo de novo ou alterariam alguma coisa, das vossas opções e escolhas profissionais?
Mantinha tudo exatamente como está, cada vez mais percebemos que foi a nossa melhor decisão.

Perspectivas do projecto para o futuro?
Crescimento com internacionalização.

Perspectivas pessoais para o futuro?
Continuar com a Pêra Doce.

Como divulgam a Pêra Doce?
Redes sociais, facebook, instagram, site e estamos neste momento a desenvolver a venda online através do site.

O que diferencia o vosso negócio dos restantes no mercado?
A ganga como imagem de marca, as conjugações de padrões e os nossos tecidos próprios.

Mensagem para quem ainda não conheça a Pêra Doce:
Acessórios práticos e úteis.

Objectivos futuros?
Internacionalização da marca e desenvolvimento de novos produtos.

Um conselho para quem tem um projecto de negócio na gaveta?
Arrisquem e não deixem de lutar pelos vossos sonhos.

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Obrigada Maria e Sónia, pela partilha. Adoramos conhecê-las melhor.