Permitam-me a frescura de mãe do séc. XXI a gozar de plena liberdade de expressão para deitar isto cá para fora - odeio lavar loiça. Odeio tanto lavar loiça que até escrever isto é libertador!
Há quem considere que é tranquilizante, há quem goste, há quem cante e
dance, há quem aproveite para meditar enquanto passa o esfregão pelos copos e
pratos e inala o aroma a Fairy limão. Eu cá gostava muito de ser essa pessoa,
essa dona de casa perfeita que encara a loiça como "só" mais uma
tarefa da mulher de sorriso no rosto, a sério que gostava, mas não consigo. Não
gosto de loiça, não gosto de limpar restos dos pratos e tenho aversão ao sifão
do lavatório que acumula tudo. Tivemos um caso sério na gravidez do Duarte,
sempre que tinha que o limpar agoniava-me.
Para mim quem inventou a máquina de lavar loiça merecia um Nobel da
tecnologia ou um aeroporto com nome próprio, que agora está na moda. Bendita
máquina que recebe sem se queixar quase toda a loiçinha que se suja nesta casa
e a lava alegremente e ainda se pronuncia no fim com uma melodia feliz a
informar que já concluiu a tarefa - ah como é bom estar na sala e ouvi-la.
E não me venham apontar o dedo nem apelidar de dondoca porque não sou, sou
uma dona de casa real, e tenho a certeza que há por aí muitas mais que também
rangem o dente à loiça. Além disso, podem já baixar o dedo porque nunca tive
empregada doméstica e quem trata das minhas coisinhas sou eu, loiça incluída
(infelizmente) porque ainda não conseguir convencer o D de que podíamos viver
super felizes com pratos de plástico (estou a brincar!). Ele também a lava e eu
tenho inveja dele porque enquanto eu lhe rogo pragas ele não se chateia com ela
sequer, nem levanta uma sobrancelha perante uma pilha de pratos, põe uma
musiquinha a dar e despacha aquilo como se estivesse a jogar às cartas.
Agora que penso nisso, talvez seja por isso que adoro campismo, é tudo mais
prático e com menos etiqueta. O que interessa é saborear a refeição em plena
natureza e depois despachar tudo e ala que que se faz tarde para mais uma tarde
de praia.
A única loiça de que gosto verdadeiramente é a decorativa, aquela que fica
linda no louceiro e que só usamos nos dias especiais. A loiça do dia a dia tem
uma capacidade de proliferação incrível, a par com a roupa suja, é a praga das
donas de casa, nunca está toda lavada, precisamos dela todos os dias e é uma
tarefa rotineira sem fim.
O mês passado a máquina da roupa avariou e até pedirmos orçamento de
reparação e percebermos que o melhor era comprar uma nova passou-se uma semana
e meia. Acumulei muita roupa, o cesto transbordou e tive que ir lavar alguma
para a casa da minha mãe. Mas nem isso ultrapassou o meu desamor pela loiça.
Não me imagino uma semana sem máquina da loiça. Lagarto, lagarto, e pelo sim
pelo não é melhor bater já 3 vezes na madeira.
E ai por casa, qual é a tarefa que vos chateia mais?
Por Raquel Rodrigues

