As crianças vivem para
testar limites. Os deles os nossos e os do mundo que os rodeia. Sei disso,
faz parte da programação de base, é saudável. Cabe-nos a nós mostrar-lhe onde
ficam alguns desses limites.
No caso do meu filho, "eu quero..." é o principio de grande parte
das suas frases... não tem nada de mal, pois deixa-nos completamente
esclarecidos acerca do que pretende, mas quando se aplica a brinquedos e a
seguir vem a birra... a conversa pode azedar...
Eu cresci no campo, passei a minha infância a brincar na rua, sempre que o
tempo o permitia. Acompanhada pelos meus irmãos e amigos, a natureza era o
nosso mundo de aventuras.
Quando se trata de brincar, a convivência com outras crianças e o ar livre,
são a melhor que lhe podemos proporcionar, não há brinquedo que substitua isso.
Claro que sei que os brinquedos fazem parte do crescimento, também são
importantes, na medida que os ajuda nos seus jogos de faz de conta, na
construção física do seu imaginário.
Também os desejei, também os tive, apesar de ter sido a uma escala
completamente diferente.
Mas na minha opinião, nunca os devem receber só porque os pediram. Devem
ser adequados, com conta peso e medida.
Quanto mais têm, mais querem, menos valor lhes dão.
Tal como nós são assediados pela publicidade, brinquedos novos aparecem
entre cada episódio de desenhos animados a que assistem. Nos hipermercados há
todo um mundo associado ás suas séries preferidas que os chama. E eles vão. E
pedem. E se detectam alguma fraqueza está o caldo entornado...
Desde cedo tento transmitir ao meu filho que não pode ter tudo, há escolhas
a fazer e algumas opções não estão disponíveis. Nisto sou clara e tenho sido bem-sucedida,
vai ao corredor dos brinquedos, olha para eles, namora-os, mostra-me os seus
preferidos, mas aceita pacificamente que não são para levar.
De vez em quando, após algum tempo de namoro, se entendo que é razoável,
compro um dos que andou a namorar, mas nunca quando o pede. Só quando ele não
está por perto, nem está à espera.
Também eu adoro ver a cara dele quando recebe o brinquedo tão desejado! Das
melhores coisas do mundo (do meu mundo), é ver-lhe a felicidade estampada no
rosto.
Mas a verdade, é que apesar de tudo isto, ele tem brinquedos que quase não
usou, que foram moda passageira, que são demais...
Receio que em breve, outro tipo de pressão vá surgir. A dos colegas.
Assisto entre miúdos mais velhos que alguns brinquedos são moeda de troca.
Cartão dourado para pertencer ao grupo.
Confesso que ainda não sei como vou gerir essa situação.
Quando esse dia chegar logo vejo...