Durante meses fizemos planos, acertámos datas, riscámos o calendário vezes sem conta, esperámos e desesperámos. Quando percebemos que já não era uma missão feliz pelo desgaste que estava a causar, sentámo-nos os dois frente a frente num jantar no centro de Lisboa e decidimos deixar a natureza seguir o seu rumo. Confiar no destino. Sorrimos muito depois de tomada a decisão, deixámos de carregar o peso da pressão nas nossas costas. Ajustámos os planos para o que nos faz mais felizes, acertámos datas, informámo-nos de preços, decidimos levantar voo. Algumas semanas depois combinámos marcar a tão esperada ida a dois nesse mesmo dia. Mas nunca chegámos a comprar os bilhetes.
No meio de análises de rotina, sem qualquer
preparação, numa sala cheia de gente, abri o envelope e fiquei meio
desorientada. Confirmei com o enfermeiro que estava de passagem e a resposta
que tive “Não está grávida, está gravidíssima” levou-me a pegar no telefone e a
dizer-te sem rodeios “Já não vais ao Japão”.
A vida
acontece enquanto não damos por ela. E agora já temos o nosso guia turístico cheio
de informação, conselhos de amigos que já partiram por este caminho, planos
traçados, à semelhança de qualquer viagem que já fizemos. Prestes a levantar
voo, vamos aprendendo a cultura, a língua de quem vai chegar a nós dentro de
meses, o roteiro do nosso destino quase definido. Só não sabemos bem para onde
vamos, quais serão as escalas que vamos fazer, o quanto levamos e vamos trazer
na nossa bagagem, as memórias que vamos guardar desta que será, sem dúvida, a
viagem mais aventureira da nossa vida. Desta vez já fazemos check in para três,
reservamos noites em branco, sabemos o jet lag que nos espera. Desta vez
levamos menos coisas na mochila e mais espaço disponível para voltarmos com o
coração mais cheio. Cheio deste amor que dizem ser o maior de todos.
A viagem da
nossa vida vai começar, estamos na pista de lançamento e vamos cada vez mais
depressa, não sabemos muito bem onde vamos aterrar, mas temos a certeza absoluta
de que desta vez não voltamos iguais. Voltamos mais cheios de amor.
Por Joana Diogo
Por Joana Diogo

