[esta semana começaste a bater palmas. hoje
aprendeste a gatinhar. já tentas trepar tudo o que é um pequeno Evereste no teu
mundo. e o teu “olá” está cada vez mais aportuguesado.]
Perguntam-me o que faço para a estimular. Ou então dizem-me que vai
aprender rápido a andar/falar porque tem muita gente a “puxar” por ela.
Fico muitas vezes sem saber o que responder. Por norma, sai-me um sorriso e um “pois é!” inconvicto.
Sempre gostei de devorar informação sobre os quês e os porquês. Saber mais
sobre o desenvolvimento do ser humano nos primeiros meses de vida, não iria ser
diferente. Mas gosto, essencialmente, de aprender. Assim sendo, sei bem que no
mês x é suposto a minha cria fazer y. Que o meio que a rodeia, as pessoas e os
estímulos serão grandes triggers para
o seu desenvolvimento. Conheço teorias, pedagogias e atividades para estimular
um bebé.
Mas sou uma criatura da
criatividade, da liberdade e do amor. Planeio os nossos
dias numa “agenda” simples, com experiências desenhadas por medida e em
função das (nossas) necessidades. Mantemos ritmos, quebramos regras e
construímos os nossos “momentos-estímulos”.
[Danço a conga, canto o frozen e fico parada
em silêncio a ver-te explorar. Enfio-te em cestos, caixas e conchas. Penduro-te
às molas e chego-te a roupa. Invento um almoço em segundos. Mostro-te as
cores e dou-te a provar os sabores. Deixo-te lambuzar o chão da
cozinha e torno-te minha ajudante, de colher-de-pau e legumes na mão. Conto-te
histórias e faço conversa fiada. Dizemos bom dia ao sol e falamos com
o pai. Digo-te que não só porque sim. Paro tudo, só porque precisas de
colo. Deixo-te “ca.ir”, ainda que eu te consiga amparar.
Adormeço-te no meu colo e demoro-me no teu respirar.]
É "isto" o
estimular? Potenciar a
brincadeira livre, incentivar a exploração curiosa de todos os recantos,
transformar qualquer objeto comum no brinquedo mais divertido, saber apreciar a
música e desfrutar do silêncio, descobrir o nosso corpo e faze-lo despertar
todos os sentidos?
Talvez este "estimular" seja essencialmente estar, dar, escutar…
e (apenas) amar. Sem manual de
instruções, sem comparações e sem pressa(s) de chegar, ser ou fazer!


