O meu nome é Teresa e sou mãe de primeira
viagem de uma bebé de 7 meses, neste momento. Como qualquer primeira viagem,
esta tem sido repleta de descobertas, de alguns sustos e, também, tem tido os
seus percalços. Como quando visitamos um lugar novo, mas sobre o qual já lemos
tanto, já vimos tantas fotografias, já recolhemos tantas opiniões que, na
verdade, já pensamos conhecê-lo. Assim é a maternidade, hoje em dia.
Engravidamos,
fazemos cursos, consultamos um sem fim de blogues e, finalmente, achamos estar
preparadas para a viagem. Porém, esquecemo-nos que as viagens estão cheias de
contratempos. Mesmo quando o destino é de sonho, há pneus que rebentam e nos
obrigam a encostar umas horas na berma da auto-estrada, obras que nos obrigam a
mudar o roteiro que tínhamos definido e, por vezes ainda, quando chegamos ao
destino, afinal ele não é exatamente como nos livros, nas fotografias, nas
descrições dos que já lá haviam estado. Não significa que seja mais ou menos
belo, mas apenas diferente. Diferente porque, agora, os sentidos que o vêem,
que o tocam, que o ouvem, que o cheiram, que o saboreiam são os nossos. E até o
doce chocolate tem um sabor diferente para cada um de nós. Acredito que também
assim seja numa segunda, terceira, quarta,… viagem. A grande diferença será,
talvez, não procurarmos tanto o testemunho dos outros (porque, afinal, também
nós já fizemos essa viagem uma vez) e já estarmos mais preparadas para o pneu que
rebenta ou para as obras que nos obrigam a mudar de roteiro.
Por isto, a
maternidade tem sido, para mim, acima de tudo, uma consciencialização das
minhas imperfeições, das minhas fraquezas, das minhas inseguranças e, por
incrível que possa parecer, essa tomada de consciência é o seu aspeto mais
positivo. A mulher perfecionista e racional deu lugar a uma pessoa mais humana
e emocional. Porque a maternidade nada tem a ver com a razão ou com o
conhecimento científico. Esses, deixemo-los para as enfermeiras e pediatras que
funcionam como a nossa “assistência em viagem”. A nós basta-nos o conhecimento
empírico, adquirido dia após dia, e o instinto. Esse apelo interior que, ao
longo da vida nos ensinam a calar ou a ignorar, e que, surpreendentemente, é
tão sábio. Nas horas mais críticas, nos momentos de mais dúvidas, acreditem que
ele é um bom conselheiro. E, também, se errarmos, faz parte do processo.
Acreditem! Ninguém viaja para o mesmo sítio da mesma forma. Ninguém vive a
chegada ao destino do mesmo modo. Por isso, usufruam da VOSSA viagem. Quer
sejam grávidas com barrigões ou barriguinhas; quer tenham tido um parto natural
ou cesariana; quer tenham dado de mamar ou usado leite de fórmula; quer
transportem o bebé no carrinho ou no marsúpio; quer o vosso filho tenha andado
precocemente ou tenha sido mais dado à preguiça; quer tenham um bebé tagarela
ou um a quem é difícil arrancar a primeira palavra. Basta de partidarizar a
maternidade sob este ou aquele grupo, apenas porque as mães tomaram determinada
opção ou lhes foi necessário fazer dada escolha. A maternidade deve ser um elo
de união das mulheres, de todas as mulheres - as que são mães; as que não o
são; as que não o querem ser; as que querem, mas não podem -. Enfim, todas
aquelas que, preparando incansavelmente a bagagem e a viagem dos outros, não se
permitem viajar.


