Enquanto o nosso sistema de ensino insiste
em formatar “mini - robôs”, numa espécie de produção em série, eu
continuo a acreditar que os anos que passo com eles são fundamentais para
juntos aprendermos a SER e a ESTAR, num mundo que se revela cada vez mais
asfixiante, competitivo e, até mesmo, impiedoso. Acima de tudo, preocupa-me que
eles estejam preparados para viajar nesse mundo e que, para isso, consigam
levar uma bagagem cheia de sonhos, de esperança, de força para acreditar, de
coragem, de perseverança, de auto-estima… Parece simples, mas na verdade é
esmagador o peso desta responsabilidade que me “assombra” muito além do horário
laboral. Chega a ser difícil de explicar por palavras o quanto isso é sufocante
e, ao mesmo tempo, libertador e recompensador… um misto de emoções que envolve
esta missão agridoce que decidi abraçar. No final de contas, o saldo é
positivo… pelo crescimento mútuo, pelos desafios que eles me colocam
diariamente, “obrigando-me” a uma constante reflexão e a uma busca desenfreada
por um “Eu” melhor, mais compreensivo, mais tolerante, mais atento à heterogeneidade,
às necessidades e especificidades de cada um. Um “Eu” disposto a ouvir…
um “Eu” que lhes dá espaço para o diálogo, para partilhar e liberdade
para se exprimirem, para dizerem o que sentem, o que pensam, para poderem ter
uma opinião diferente. Um “Eu” que permite que se trabalhem as emoções e
os sentimentos algures no meio do trabalho das letras e dos números. Um “Eu”
que acredita que eles aprendem melhor se forem felizes, e se mantivermos uma
relação baseada na confiança e numa conexão eficaz. Um “Eu” construído
com eles e por eles… por estes “filhos” que exigem diariamente a melhor versão
de mim e me tornam uma espécie de Mãe do Coração, cada vez mais próxima da
pessoa e da mãe que quero ser. E eu só posso agradecer por ter a oportunidade de
aprender e crescer com eles.


