No
outro dia, em conversa com uma mãe que me deu do seu tempo para me contar as
suas angústias e preocupações, lembrei-me de uma partilha que tive com a minha
filha mais velha.
Aproveitei-a para dar
um exemplo, a esta mãe, de como podemos quebrar ciclos e do quão importante a
nossa forma de estar e de ver a vida pode mudar padrões de gerações.
Aproveitei esta
história para lhe mostrar o outro lado da moeda; de que não é necessário
recearmos que os nossos filhos tenham herdado padrões (menos positivos) dos
avós ou tios.
Aproveitei esta
história para lhe dar a oportunidade de ver que existem outros padrões
comportamentais e que nós estamos cá para mostrar, aos nossos filhos, que também
pode ser de outra maneira.
A história que lhe
contei tem a ver com uma conversa, entre mim e a minha filha mais velha, que
ocorreu no meu carro. Uma vez mais na nossa viagem até à escola, logo de manhã
cedo.
A determinada altura
do ano letivo, colocaram no nosso percurso diário para a escola umas lombas na
estrada. Daquelas altas. Daquelas que nos fazem mesmo abrandar. Não foram duas
ou três; talvez umas cinco, espaçadas entre si.
A minha filha mais
velha comenta que a avó, para fugir às lombas, vai sempre por outro caminho.
Pergunta-me porque não faço o mesmo. E surgiu-me esta resposta, que hoje,
olhando para trás, tem tudo a ver comigo e com a forma como lido com a quase
totalidade dos acontecimentos da minha vida.
Disse-lhe que se as
lombas apareceram, devemos aproveitar o que nos podem trazer de bom. Disse-lhe
que, neste caso, via as lombas como uma forma de me dar mais calma, mais
tranquilidade, mais tempo. Fizeram-me acordar mais cedo. Ir mais devagar na
estrada. Conversar mais com ela. Olhar para as pessoas que circulam no passeio.
Admirar a paisagem. Ouvir a música que toca no rádio.
Optei então por não
fugir de algo que só me traz coisas boas. Ficou calada. Depois disse-me que eu
via a vida de forma linda. Sorri. Pensei que quero que também veja a vida de
forma linda. E desejei ardentemente que, ao longo do seu percurso, consiga
olhar para as lombas da vida da melhor forma possível. E será tão mais fácil se
assim for. E eu ficarei tão mais descansada se tal acontecer.


