O (nosso) mundo passa a ser azul,
cor-de-rosa, ou de ambas as cores. A vida pinta-se de tons pastel, a magia
volta a entrar em força dentro da nossa casa. O pai Natal, a fada dos dentes,
os beijos que tudo curam, os pozinhos de perlimpimpim, que transformam qualquer
coisa banal, por algo verdadeiramente delicioso.
O coração cresce, tal é o amor que cada filho
acrescenta em nós. E a vida ganha outra dimensão, novos sabores, novas
aventuras, trazendo-nos aquela adrenalina e aquele desassossego bom, de quem anda
apaixonado, sorrindo por tudo e por nada. A maternidade é isto tudo e
muito mais. É bom (a maioria das vezes), é extraordinário (de vez em quando), é
sublime. Sempre.
Posto isto, todas sabemos que a maternidade é
parte da vida. E a vida não é perfeita, não se desenrola no seu todo, protegida
dentro de um útero. E é à medida que os nossos filhos crescem e tomam
consciência da sua própria vida, que nós percebemos, que não temos como os
proteger de tudo.
É este o meu dilema do momento. Até onde
devemos dar ouvidos ao nosso instinto protector? Quais as batalhas que lhe
devemos deixar travar, e quais as que devemos travar por eles? Que mentiras se
justificam para evitar que os nossos filhos sofram?
Cair, errar, ficar magoado, faz parte do
crescimento, pois só assim se aprende a lidar com as contrariedades. Mas
qual é o limite?
Vou-me guiando entre a razão e o coração, sem
saber muito bem se estou no caminho certo. De certeza que erro muitas vezes,
mas faço o melhor que sei em cada momento, com muito amor.
Quero acreditar que o amor nunca é demais e
que o bom senso não se deixa toldar nos momentos decisivos, pois é a esta
crença que me agarro em momentos de maior dúvida, procurando em cada erro
aprender e melhorar.
Na maternidade nem tudo é azul e cor-de-rosa
o tempo todo, e por vezes o nosso coração que parece não caber no peito, fica
pequenino, como se todo o amor que lhes temos voasse de encontro a eles, na
forma de escudo invisível, para que a dor das "quedas" seja menor.
Pois sabemos que caem e se levantam, e que nem sempre nos têm por perto, para
os abraçar e lhe dar os beijos mágicos que tudo curam. Mas cabe-nos garantir
que saibam sempre que mesmo sem beijo mágico, estamos do seu lado para os
ajudar a crescer e a aprender a lidar com todas as cores que o mundo lhes
apresentar.“

