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Mãos que falam


Desde que nascem, todas as crianças são expostas à linguagem das mais diversas formas. Essa exposição vai permitir a construção da mesma e fazer com que, cada um, à sua maneira, consiga transmitir e exprimir a sua mensagem. A evolução do desenvolvimento da linguagem é muito complexa, envolve várias áreas, como a perceptiva, a sensorial, cognitiva, psicossocial, emocional e até física, permite à criança aprender o que não é imediatamente evidente e desempenha um papel fundamental na organização do pensamento. No caso de crianças não ouvintes (surdez severa ou profunda), existe uma dificuldade em receber o feedback auditivo, logo o modo de aquisição da informação não se processa da mesma forma, o que pode trazer consequências imediatas ao nível da aquisição da linguagem. No entanto, hoje em dia, já se mostrou que as dificuldades linguísticas podem ser por questões culturais e educacionais em vez de ser algo patológico, uma vez que toda a criança surda tem capacidade e potencial para assimilar e desenvolver as regras da linguagem e da comunicação. Para que isto aconteça, é importante que a informação linguística usada seja visuo-manual, isto é, que as crianças surdas tenham acesso à sua própria língua natural, a língua gestual, o mais precoce possível. Infelizmente, não é o que acontece na generalidade, porque muitas vezes, a surdez ainda é diagnosticada tardiamente ou porque são filhos de pais ouvintes que não dominam a língua gestual e a criança só inicia a aprendizagem da mesma, posteriormente.

Então e qual seria a situação ideal para uma criança não ouvinte?
O ideal é sempre subjectivo porque depende de múltiplos factores, no entanto, o mais recomendado para as crianças não ouvintes, será o bilinguismo, que significa que, na educação da criança surda, se vão utilizar duas línguas diferentes. Por um lado, a língua gestual, com as suas características próprias e por outro, a língua oral da comunidade ouvinte onde a criança vive, de forma a permitir a sua integração social, o acesso à língua escrita e, se possível, a oralidade. O bilinguismo tem como princípio, que as crianças não ouvintes devem ter como língua materna, a língua gestual, considerada a língua natural dos surdos, e, como segunda língua, a língua oficial do seu país.