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Gravidez Gemelar




2 Meses de internamento: A história da minha gravidez gemelar

Já passou algum tempo desde que fiquei internada às 27 semanas de gestação com risco de parto pré-termo. Foram dois meses de internamento que me poderiam ter destruído psicologicamente mas decidi que não poderia fazer isto a mim mesma, à minha família e aos bebés que estavam dentro da minha barriga.

A gravidez do meu primeiro filho foi tranquila e quando soube que estava grávida novamente esperei que fosse semelhante mas enganei-me.

Soube na primeira consulta que estava à espera de trigémeos, senti um misto de emoções, no entanto a médica alertou-me para o facto de um estar menos desenvolvido e poderia não avançar. E assim foi… Passado umas semanas o terceiro gémeo foi absorvido pelo corpo e felizmente os outros dois fetos estavam a desenvolver normalmente.

Tive bastantes enjoos, muito sono, contrações de braxton hicks a partir das 20 semanas e alguns sustos que me levaram ao hospital mas nada que fosse significativo. 

Às 27 semanas comecei com contrações de 3 em 3 minutos e algumas dores no baixo ventre. O meu marido ligou de imediato para a “Saúde 24” que enviaram, a correr, o INEM. O destino foi certo: Hospital. Fiquei de imediato internada e embora o colo do útero estivesse fechado, as contrações não vacilavam e claramente podiam desencadear o parto.
A minha mente dispersava mas insistia em encontrar um foco positivo, o meu inconsciente acho que estava ansioso, mas não queria transparecer…
Sou uma pessoa que gosta de estar bem esclarecida e quer sempre saber todos os prós e contras, por mais que o futuro seja diferente preciso estar preparada para tudo e, neste caso, quem levou comigo foram as enfermeiras e as médicas pois fazia questão que fosse tudo, mas mesmo tudo explicado.
Acabei por ser transferida para um hospital com serviço de Neonatologia, e o problema? Estava tudo cheio a nível nacional, não havia vagas! Aguardei uma vaga sempre esperançosa que tudo ia correr pelo melhor, e correu! Afastei os pensamentos e as pessoas negativas naquela altura! Precisava de boas energias, precisava que rezassem por nós!
Cada dia era uma vitória, cada semana era um milagre!
Tive muitas horas para pensar, para ler, para escrever, para me entreter, mas a minha prioridade era o descanso! O repouso absoluto era obrigatório e eu respeitei sempre!
Inevitavelmente procurava histórias na Internet parecidas à minha, umas felizes e outras tristes, mas parei de fazê-lo! Faziam-me mal e preferia não saber mais do que a minha própria história! Queria pensar no meu final feliz! Seria uma luta diária? Sem dúvida!? Iria chorar? Claro. Sofrer? Sim, mas não quero e por isso pensava noutras coisas! Esperança? Muita mesmo!
Os meus estavam a sofrer também, embora me tentassem dar toda a força do mundo! 
Em momento algum pensei em voltar para casa, nem queria!  Não pensem que não me custava deixar o meu filho de 3 anos e o meu marido no caos e no sofrimento, mas sabia que precisava mesmo de estar ali!
O meu filho estava a sentir tudo da pior maneira, e os comportamentos estranhos começaram a ser visíveis. E isso custava-me tanto! No entanto, sentia que ali não estava em perigo e que conseguia descansar, e tinha os melhores profissionais ao meu lado. 
As contrações eram diárias, as dores também e por mais que tivesse sempre em risco de ter os filhos prematuros, preferi projetar na minha mente várias etapas. As 30 semanas, as 32, as 34 e por fim as 36 seriam o meu grande objetivo. Poderia ser uma realidade muito distante mas todos os dias acreditava e visualizava chegar lá. 
Diariamente entravam grávidas naquele quarto de hospital para ficarem internadas, poderia ser apenas 1 dia como meses e acreditem muitas delas sofriam imenso, choravam diariamente e tive de ser muito forte para que isso não me afetasse também.
O mais incrível é que saí daquele hospital às 34 semanas e levei amigos para a vida, principalmente alguns enfermeiros. Foram eles a minha segunda família, cuidaram de mim e dos meus e eu estou tão grata por isso.
Vim para casa com a indicação que teria de fazer repouso, fiquei com receio mas entusiasmada ao mesmo tempo. Passados 3 dias volto para o hospital e mais uma vez fico internada durante 1 semana. 
Regresso novamente a casa e estava muito cansada pois o peso da barriga já era muito.
Às 36 semanas e 4 dias vou ao hospital pois tinha uma consulta marcada e mesmo antes de ser atendida começo com uma pressão enorme no baixo ventre. A médica observou-me e viu que o colo já estava apagado e estava com cinco centímetros de dilatação, o bloco era o meu destino. Em poucas horas, a dilatação estava completa, a epidural dada e era hora dos gémeos nascerem.
O Diego e a Diana nasceram de parto normal, com seis minutos de intervalo e com 2500 kg cada um. Foi um parto maravilhoso.
Sei que a força da minha mente, as energias positivas que me rodeavam e o facto de não ter perdido o foco foi sem dúvida o que me fez aguentar e chegar até às 36 semanas.

Como já referi… Cada dia era uma vitória e hoje olho para os meus pequenos lutadores e encho-me de orgulho pela batalha vencida.

Marta Rodrigues