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Contos tradicionais



As histórias que se ouviam
O mundo está em constante evolução. Todos os dias surgem novas descobertas, tendências e novidades. No entanto, a sensação que tenho é que tudo já foi inventado e reinventado e que estamos a regressar às origens. Isto nota-se nas mais diversas áreas, da moda à alimentação, passando pelo regresso ao uso de materiais e objetos mais tradicionais.
Também na literatura infantil se tem notado uma evolução. Desde o século XVIII que se reconhece a literatura infantil como género próprio, mas sempre associada à pedagogia com objetivos morais e modeladores de comportamentos. Recentemente tem havido cada vez mais a preocupação de refletir nos livros, através dos temas, da forma, da estrutura e do objetivo, a evolução dos tempos e da tentativa de integrar as experiências e vivências das crianças de hoje em dia.
Então, que lugar ocupam as histórias tradicionais junto das crianças de hoje? Podem também ocupar um lugar na estante dos livros ou nos momentos de leitura, juntamente com as outras histórias e livros? Sim! Podem e devem! Para entender este aparente contrassenso, é preciso entender o que são histórias tradicionais e qual o seu papel na vida das crianças.
Segundo a wikipedia, «(…)as histórias tradicionais são um conjunto ordenado de valores, crenças, impressões, sentimentos e conceções de natureza intuitiva, anteriores à reflexão, a respeito da época ou do mundo em que se vive. (…)». Estas tratam temas que fazem parte da tradição do país e do povo, apresentando soluções para problemas universais.
As histórias tradicionais continuam a ser importantes para as crianças de hoje na medida em que transmitem cultura, transportam valores e ensinamentos de geração em geração, despertam o imaginário e a curiosidade, ajudam a contextualizar sentimentos e a estruturar a autoidentificação. Resumindo, as histórias ajudam a criança a crescer de forma sã e mais organizada a nível emocional.
Com tantas mudanças e novas tendências também as histórias tradicionais têm sofrido alterações, para jazer ao ditado popular “quem conta um conto, acrescenta um ponto”. No entanto devo dizer que algumas adaptações foram mais bem conseguidas do que outras. Para mim, todas as adaptações das histórias são válidas, desde que não desvirtuam o seu sentido e a sua natureza e respeitem a sua essência. Por isso termino deixando um recado às mães e aos pais: as histórias são só isso mesmo, não precisam de ter medo delas porque os vossos filhos e filhas também não têm. E se tiverem… é um medo bom, que ajuda a crescer!


Boas leituras

Maria João Travassos

há 18 anos ligada ao universo da criança. Hoje, como mãe de dois filhos, contadora de histórias e mediadora da leitura, vive e trabalha rodeada de livros infantis, de crianças e suas famílias.
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