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Andei às voltas com este tema. Recordei histórias. Casos que acompanhei. Confissões que me foram feitas. Olhei para mim. Para as minhas próprias histórias. Para aquelas que se passam dentro das quatro paredes da minha casa.
Folheei os livros que me seguem. Aqueles que já não largo. Revi teoria. Fui mais racional. E também mais emocional.
Andei às voltas com este tema. E fui sempre ter à mesma palavra. Encontrei um denominador comum. A palavra. O antídoto para o Stress.
ACEITAÇÃO.
Descobri que quando aceitamos, permitimos Ser. E quando permitimos Ser, abrimos a porta para a Autenticidade. Libertamos sofrimento. E com ele o stress.
Lembrei-me que as lágrimas que vi correr, nos olhos de miúdos e graúdos, eram lágrimas de resistência. Lágrimas de não-aceitação. 
Entendi que estamos formatados para formatar crianças. Para que comecem a gatinhar com 9 meses e a andar com 12. Para que durmam a noite inteira logo que deixem de ser recém-nascidos. Para que usem o bacio com 2 anos. Para que comam sozinhos, sem ajuda e sem se levantarem da mesa lá para os 3. Para que digam olá, acompanhados de um beijo e um abraço, logo assim que saibam falar. 
Para que deixem de brincar quando entram para o primeiro ciclo. Para que fiquem sentados uma manhã inteira. Para que cumpram regras. Para que saibam cumprir regras. As mesmas regras para todos. Diferentes regras para diferentes sítios. 
Para que estudem na escola. E em casa. Para que tenham boas notas. Para que tenham sucesso a Português, Inglês, Francês e Espanhol. Para que sejam bons a Matemática. E a História. Para que saibam fazer contas. Para que consigam pensar. Mas pensar dentro das regras. 
Para que saibam tocar piano ou violino. Nadar. Dançar. Para que saibam karaté. Ou outra arte marcial. Para que se saibam defender. Dos outros. 
Para que não gritem, mesmo se isso for para mostrarem que já estão a ficar cansados de não poderem ser quem realmente sentem que são. Para que se sintam felizes, mesmo que isso signifique ensinar-lhes que a tristeza não pode viver em corações alegres. 
Para que gostem do que veem quando se olham ao espelho. Para que não se sintam inseguras. Para que tenham autoestima. Para que se aceitem como são.
Percebi então que nenhuma criança se pode aceitar na sua mais pura essência quando todos os outros que estão à sua volta estão formatados para a formatar. 
Foi ainda mais admirável quando percebi que essas crianças se vão tornar adultos. Que aprenderam (ou não) a viver em stress. Que se despiram de quem são na sua essência. Que não aprenderam a aceitar, simplesmente, porque houve quem não as aceitasse.
E foi então que reforcei a minha crença: o antídoto para o Stress é a Aceitação.

Com Amor,

IrinaVazMestre



Eu até tinha razão quando, conscientemente, fui adiando a inscrição das miúdas cá de casa nas inúmeras ofertas de atividades extra-escola que existem por aí.

Nunca o fiz, até ao presente ano letivo. Este é o primeiro ano que as minhas duas filhas mais velhas andam nalguma atividade fora do horário da escola. Este ano, pediram muito, e estavam mesmo certas do que queriam, e então lá fiz as inscrições.

E nunca o fiz porquê? Porque sempre senti que tudo isso traria para dentro da nossa casa, para o seio da minha família, mais um corre corre do qual desde sempre tenho andado a fugir. Acrescenta-se mais um horário que se tem de cumprir. A isso junta-se mais o equipamento que deve estar sempre organizado. Temos de continuar a correr.

Depois de um dia de trabalho, temos de manter (ou até mesmo acelerar) o ritmo com que já iniciámos o dia. Depois de sobrevivermos a isto, chegamos a casa. Muitas vezes já tão tarde quando ainda se tem tudo para fazer. Jantar. Banhos. Trabalhos de casa. Falta falar das birras, dos choros e às vezes dos gritos que são reflexo da correria do dia, do cansaço das obrigações, das exigências para que tudo seja cumprido.

Às vezes há atividades aos sábados. Roubam-nos as manhãs lentas. O tempo na cama dos pais. As panquecas de fim-de-semana e o pijama que não se tira à pressa. E continuamos no corre corre. A queixarmo-nos do tempo que não estica. Do tempo que não chega. De tudo o que há para fazer. E é por tudo isto que nunca me arrependi de não ter, conscientemente, entrado neste corre corre mais cedo. E é por tudo isto que eu digo: Eu até tinha razão.

Os nossos finais de dia lentos (que por si só, nunca são) são para mim insubstituíveis. Podermos chegar com tempo, pousar mochilas, tomar banho se sim ou até decidir que não, pôr logo o pijama, ficar a deambular por casa, só nós e na nossa rotina, sem nada nem ninguém para a alterar é, para mim, insubstituível. Porque é sempre ao final do dia que toda a gente está mais cansada. As birras do cansaço espreitam. A bebé só quer estar ao colo. As irmãs querem contar as novidades e brincar. A mãe tem de fazer o jantar e, a maior parte das vezes, pôr ordem na casa que ficou de pernas para o ar da manhã desse mesmo dia. Este tempo é só nosso. E é tão, mas tão preciso. É neste tempo que se estreitam relações, que se observam comportamentos, que se tiram conclusões, que podemos ficar mais ou menos esgotados.

Tenho um dia por semana de corre corre depois das escolas. Escolhi só ter um dia para isso. E apesar de ser só um dia, à noite, no final desse mesmo dia, quando estou a arrumar mochilas, a arrumar sapatilhas de ballet e afins, penso sempre: Eu até tinha razão. E mantenho a minha opinião. E mantenho a minha decisão.


Artigo originalmente publicado em www.voltaraestacazero.wordpress.com




Irina Vaz Mestre é um das Autoras Residentes do site MÃES.pt, é Mãe, Psicóloga, Facilitadora de Parentalidade Consciente, Autora do Blog Voltar à Estaca Zero e no dia 24 de Março vai orientar o Workshop Educar sem Castigar.
* Sentes que a forma como tens lidado com os comportamentos desafiantes do(s) teu(s) filhos não têm resultado?
* Achas que as estratégias que tens utilizado já não servem nem o teu propósito nem as tuas crenças e, sempre que as aplicas, ficas com a sensação de que podias ter feito muito mais e chegas até a sentir-te culpada(o)?
* Gostavas de lidar com os desafios que se colocam de uma forma mais empática, que favoreça mais a vossa relação, que vos aproxime cada vez mais e que fomente, de uma forma saudável, o crescimento emocional do(s) teu(s) filho(s)?

Então este workshop é mesmo para TI! Vai ser mesmo mágico descobrires que existem alternativas aos tradicionais castigos, ameaças e gritos e que é mesmo possível educar sem castigar. Neste workshop vamos apresentar-te conteúdos transformadores no âmbito da Parentalidade Consciente e dar-te dicas bem conscientes.

Conteúdos:
Igual Valor, Respeito, Autenticidade, Responsabilidade Pessoal, Colaboração, Comunicação Consciente, Limites, Castigos, Consequências naturais, Consequências conscientes.
Data | 24 de Março, 2018
Hora | 16h00 às 19h00
Local | Lisboa (IPDJ) Instituto Português do Desporto e Juventude - Rua de Moscavide, Lote 47101 Custo | 25€

INSCREVE-TE JÁ (clica no link abaixo para saberes mais informações e para fazer a tua inscrição)
Link: Inscrição





No outro dia, no decorrer de uma atividade na escola da minha filha mais velha, já nem sei bem a propósito do quê, uma mãe constatou que não era um polvo, deixando transparecer, por um lado, alguma pena por assim não ser e, por outro lado, desejo de que assim fosse.
Alguém anuiu e corroborou, afirmando algo do género: "Oh, isso é que era bom!"
E eu não pude deixar de soltar um: "Seria mesmo bom? É porque isso obrigar-nos-ia a fazer ainda mais coisas do que as que fazemos; quando, na minha opinião, devíamos era estar a programar o nosso tempo para parar mais!".
E isto deixou-me a pensar.
Ainda que, provavelmente, estas coisas sejam muitas vezes ditas sem pensar, que por acaso até acho que neste caso isso se aplica, a verdade é que, intuitivamente, estamos programados a pensar e a sentir que deveríamos fazer mais, e mais, e mais; sob a pena de acharmos e julgarmos que isso é que nos torna melhores pessoas, melhores trabalhadores, melhores cidadãos, melhores pais e melhores mães.
A este pensamento, junta-se a culpa. Porque se por acaso deixas alguma coisa por fazer, propositadamente, porque até achaste que agora querias ler o capítulo daquele livro, ou aquele artigo, ou ver aquele episódio da série de que gostas, ou deixar a roupa, o banho dos teus filhos ou o jantar para mais tarde, sentes culpa.
Sentes que não estás a ser uma melhor pessoa, um melhor trabalhador, um melhor cidadão ou uma melhor mãe.
E por isso achas que devias ser um polvo. Para fazer tudo o que já fazes e mais outras tantas coisas que os outros tentáculos todos te permitiriam fazer. Porque será isso que faz de ti uma super-mulher e uma super-mãe.
E dito isto, fiquei mesmo com a certeza de que quero parar mais, procurar uma vida mais lenta e fazer o que consigo, apenas com os dois braços que tenho!

Artigo originalmente publicado em www.voltaraestacazero.wordpress.com


Ainda nem ao ensino superior chegaram e já têm a mania que dão ordens lá em casa. Os filhos patrões gritam e têm momentos de autoridade em que querem mandar nos pais, nos avós, nos amigos ou simplesmente no cão ou no gato.

Já todos tivemos momentos destes com os nossos filhos, por imitação do comportamento adulto, por vontade de afirmar a identidade, para chamarem a atenção ou só porque naquele dia estão virados do avesso. Não há filhos perfeitos, nem pais perfeitos. Estamos sempre a falhar. E a educação não se faz num ato único, a educação é um trabalho difícil, desafiante e constante. Quantas vezes não nos vamos abaixo porque eles estão a desviar o comportamento e não sabemos o que fazer? Quantas vezes já pensámos “não me digas que o meu filho vai ser dos que se porta mal?’. Muitas vezes o autoritarismo chega logo na primeira infância, a partir dos 2 anos, e é preciso saber lidar para suavizar o comportamento futuro. Não existe uma fórmula mágica, existem sim estratégias, que a Psicologia Irina Vaz Mestre ajuda a explorar.

Como lidar com o autoritarismo na primeira-infância e como podemos “desviar” esse comportamento?

Este é, de facto, o primeiro mito que nos surge. Achamos que devemos “desviar” este comportamento e, ao acharmos isso, estamos a intensificá-lo ainda mais. A partir dos 2 anos de idade, a criança protesta muito e usa frequentemente a palavra “não”. Achamos que devemos fazer algo para que ela aceite o que lhe dizemos e para que proteste cada vez menos. Mas sermos pais conscientes (parentalidade consciente) significa, nada mais, nada menos, educar para crescer. Se, quando os nossos filhos chegam à idade da independência, queremos contrariar essa vontade, então não estamos a educá-los para crescerem. Estamos sim a ser autoritários e controladores, e este é, inevitavelmente, o modelo que lhes vamos passar. Sugiro então que, num primeiro momento, alteremos a nossa forma de comunicar, que passemos de uma comunicação autoritária e controladora para uma comunicação que reconhece a vontade do outro e que comunique confiança: “Sei que queres muito lavar os dentes sozinha/o. Que tal seres tu a lavar primeiro e, no fim, só dou uma ajuda” em vez de “Não podes lavar os dentes sozinha/o, porque és muito pequena/o. Vão ficar todos mal lavados. Eu lavo”. No entanto, não esperem que os vossos filhos aceitem tudo o que lhe dizem com um sorriso nos lábios. Eles vão continuar a querer fazer tudo sozinhos. Porém, desta forma, estão a ensiná-los a comunicar eficazmente as suas necessidades em vez de protestarem as suas necessidades de forma autoritária. Ao enveredarmos por este caminho da comunicação consciente estamos a fortalecer o bom relacionamento familiar. Na verdade, a comunicação é o caminho que nos leva à colaboração.

Enquanto pais, quais são os desvios na personalidade a que devemos estar atentos?

Enquanto pais, e aqui falo na perspetiva da Parentalidade Consciente, que é aquela que nos últimos tempos tenho aprofundado e adotado, o foco da nossa atenção está no entendimento do comportamento e na procura da resposta à pergunta “porquê”. Assim, a que devemos estar atentos é precisamente ao “porquê” daquele comportamento. Proponho que sempre que nos deparemos com “um desvio na personalidade” acionemos o detetive que há dentro de nós e tentemos perceber quais são as necessidades que estão por detrás daquele comportamento. É curioso que fazemos sempre isso quando os nossos filhos são bebés. Preocupamo-nos em descobrir a causa daquele comportamento e vamos ao encontro das necessidades do nosso bebé, tentando suprimi-las. Quando os nossos filhos crescem, deixamos de dirigir a nossa atenção às suas necessidades e focamo-nos apenas no seu comportamento. Queremos mudar o seu comportamento. Queremos que deixem de ser assim. Mas, e são assim porquê? Como refere a querida Mikaela Öven, minha mentora e guia neste caminho da Parentalidade Consciente: “Se conseguirmos agir em relação às necessidades, o comportamento também vai mudar. Quando a necessidade está satisfeita, o comportamento em questão deixa de fazer sentido”.

Enquanto mães, como podemos conduzir esta fase com Mindfulness?

O Mindfulness tem sido, para mim, uma ferramenta fundamental. O estado da nossa consciência faz a diferença. Se estivermos sempre stressados, ansiosos e preocupados, acabaremos por ter filhos e educar filhos neste registo de energia. O mindfulness permite-nos e ensina-nos a observar os nossos pensamentos como se de uma testemunha nos tratássemos. Permite-nos parar e orientar o nosso foco. Dirigir a nossa atenção. Enquanto mães, podemos superar os desafios que a maternidade nos oferece com uma atitude mindful. Parar, respirar e focarmos a nossa atenção em três perguntas, que nos ajudarão a encontrar respostas que, por sua vez, nos levarão a saber como agir:

1. O que está o meu filho a tentar comunicar e qual é a necessidade em falta?
2. Qual é a minha intenção?
3. Qual é a melhor forma de agir de acordo com a minha intenção?

Por intenção entenda-se a forma como queremos assumir o papel de pai ou de mãe. E estes são os intuitos que nos podem servir de guia quando temos dúvidas sobre como agir. Na verdade, refletirmos sobre as nossas intenções é o ponto de partida para uma Parentalidade Consciente e devemos sempre voltar a elas de cada vez que nos sentimos inseguros ou a vacilar num momento de angústia, impulsividade e conflito.

Colaboração: Irina Vaz Mestre, Psicóloga e Autora do Blog Voltar à Estaca Zero


Querida mãe:
Pedes-me ajuda para ser mãe. Pedes-me ajuda, porque não sabes o que fazer. Pedes-me ajuda, porque tens medo de fazer. Pedes-me ajuda, porque estás cansada. Pedes-me ajuda, porque tens medo de errar. Pedes-me ajuda, porque queres tanto fazer bem que temes fazer mal. Pedes-me ajuda, porque amas tanto que tens medo de mimar. Pedes-me ajuda, porque tens medo de ser criticada. Pedes-me ajuda, porque tens medo de ser julgada. Pedes-me ajuda, porque tens medo de ser avaliada. Pedes-me ajuda, porque tens medo de mostrar que às vezes não queres mais. Pedes-me ajuda, porque não te lembras de quem és. Pedes-me ajuda, porque só precisas de dormir. Pedes-me ajuda, porque precisavas de não cumprir horários por 24 horas. Pedes-me ajuda, porque na escola dos teus filhos te exigem que faças alguma coisa, mais e melhor. Pedes-me ajuda, porque só te apetece gritar. Pedes-me ajuda, porque só te apetece chorar. Pedes-me ajuda, porque achas que tens de saber o que fazer. Pedes-me ajuda, porque sentes que devias aguentar. Pedes-me ajuda, porque te odeias por não saber o que fazer. Pedes-me ajuda, porque te sentes só. Pedes-me ajuda, porque te sentes incompreendida. Pedes-me ajuda, porque sim. Pedes-me ajuda, porque dizem que estás a precisar de ajuda. Pedes-me ajuda, porque acreditas quando te fazem acreditar que precisas mesmo de ajuda.
E a melhor ajuda que te posso dar, Querida mãe, é dizendo-te que não precisas de ajuda para ser mãe.
Precisas, isso sim, é de voltar a acreditar. Voltar a confiar nas tuas capacidades. Voltar a sentir que sabes ser mãe. Voltar a descobrir o caminho que sonhaste seguir, antes de seres mãe e antes de lidares com as birras, os gritos, o desassossego de um filho, que desassossega a tua alma de mãe.
Precisas, isso sim, é de silenciares o barulho do teu medo e ensurdecer com o bater do teu coração.
Precisas de dormir uma noite inteira. Precisas de não fazer jantar. Precisas de não arrumar. Precisas de não pensar em recados. Precisas que não te exijam que sejas perfeita. Precisas de largar a culpa. Precisas de assumir que às vezes não sabes mesmo o que fazer e que isso não faz de ti imperfeita nem te põe na lista prioritária de quem precisa de ajuda para ser mãe.
Precisas que te oiçam. Precisas que não te avaliem. Precisas que não te julguem. Precisas de colo. Precisas de sentir empatia. Precisas de conforto.
E depois de tudo isto, quando já tiveres dormido, quando já tiveres voltado a sentir saudades dos teus filhos e das tarefas de casa e quando voltares a sentir que és capaz, precisas que te ajude a pensar. Pensar como vais fazer. Como podes fazer. Como tu queres fazer. Precisas de te voltar a ouvir. Precisas que te ajude a voltar a ter voz, sem abafar a tua voz com a minha voz. E precisas sentir que pode fazer sentido o que pensas, o que achas.
Precisas que te faça sentir que a mãe que tu és basta. Basta para ti. Basta para os teus filhos. Basta para o mundo que te rodeia, no qual vives e do qual respiras.
Precisas de voltar a ser mãe, com a certeza de que sabes ser mãe e com a força de que só tu sabes que mãe queres ser para os teus filhos.
E esta, Querida mãe, é a ajuda que te quero e posso dar. Porque acredito que esta é mesmo a ajuda que precisas. E depois de tudo isto, podes dar-me uma ajuda a mim também?