
Isto agora há dias para tudo. Além dos tradicionais dias da mãe,
do pai e da criança, há dia dos avós, do gato, do cão e de toda a temática
relacionada com a comida. É o dia das panquecas, do chocolate, do pão,
e agora, vim eu a saber há também o dia da sanduíche, que é já dia
3 de Novembro. Eu confesso que gostava mais de um dia do cozido à portuguesa,
da feijoada ou da sopa da pedra, mas o tema das sanduíche é mais
transversal e universal, pelo que também me parece bem. Principalmente se a
sanduíche em causa puder levar um bocadinho de chouriço ou de torresmos... mas
isso sou eu!
No entanto, com 3 crianças abaixo dos 6 anos cá em casa,
talvez sanduíches de torresmos não fosse a melhor ideia... Ou quem sabe até gostam!
Confesso que ainda não experimentei.
A relação dos meus filhos com as sanduíches em particular e a
comida em geral, tem dias bons e dias maus. Há dias em que comem este
mundo e o outro e querem experimentar quase tudo. Outros são os esquisitinhos
do pão com manteiga ou do pão “com dentes” (para quem não conhece a
expressão, é pão sem nada!)
Não temos necessidade de preparar lanches para a escola, pois esta
assegura todas as refeições e lanches dos miúdos, mas somos pais que saímos de
casa com eles sempre que podemos e levamos quase sempre lanche preparado. Com
sanduíches e também outras coisas.
Em relação às sanduíches, começamos com o ingrediente base, o
pão! Que deve ser da melhor qualidade possível. Sem “E´s”, farinhas
melhoradas e ingredientes que jamais estariam na cozinha das nossas avós. De
preferência, artesanal e biológico. A ideia de comprar alimentos da melhor
qualidade possível não deve ser descartada em coisas tão importantes como o pão.
O “pão nosso de cada dia”, que entra em quase todas as casas. Pão é água,
farinhas, fermento (massa mãe, ainda melhor!) e sal - vá, quando
muito umas sementes. E nada mais é preciso para fazer pão! Mas
pão a sério.
E actualmente há uma tendência de se fazer pão de qualidade.
Abrem todos os dias padarias de pão artesanal, de “massas mães”. E mesmo
para quem vive fora dos grandes centros de Lisboa e Porto, acaba por ser
relativamente fácil ter acesso a pão tradicional, através de pontos de vendas
em lojas de produtos biológicos e artesanais.
E agora que temos pão do bom, o que é que colocamos lá dentro
para um sanduíche de que seja um bocadinho do habitual, mas principalmente que
os miúdos comam?
A minha experiência enquanto mãe, diz-me que devemos tentar
perceber coisas que eles gostam e arriscar a partir daí. Os meus adoram frutos
secos, e foi por isso fácil introduzir as manteigas de frutos secos como o
amendoim, o caju, e a amêndoa. Juntar banana em rodelas ou compota sem açúcar -
100% fruta, é uma combinação estranha, mas que aqui por casa é apreciada. É muito
a puxar ao americano, mas tem tido sucesso. Principalmente porque joga com
coisas que eles gostam: banana e frutos secos.
Depois por aqui temos também apreciadores de queijo. Sanduíche com
queijo, tomate e ovo cozido é também uma equipa vencedora.
Basicamente vou fazendo combinações com as coisas que eles gostam.
Atum ou frango desfiado com tomate e ovo cozido. Eles gostam imenso de tomate,
e o tomate ajuda a que a sanduíche não fique seca, sem ter de se usar
outros molhos, e que eles ainda nem sequer comem.
Ando sempre atrás deles para comerem abacate, mas eles nunca
querem experimentar, mas uma sanduíche barrada com pasta de abacate,
ovo e tomate faz as minhas delícias. Não querem eles como eu.
E depois há sempre aqueles clássicos, que não vale a penas
complicar e que ficam sempre bem: Sanduiche de omolete, de panado, de carne
assada. Se gostarem de alface, uma folhinhas fica sempre bem, mas cá em
casa não há hipótese, que andamos em guerra com os verdes, e até a mínima
folhinhas de salsa, assim que é vista no prato, dá direito a “tira
aquela coisa verde dali”....
Basicamente se o pão for bom, a sanduíche será boa de
certeza, e principalmente se formos de encontro aos gosto peculiares de cada um
dos nossos filhos.

