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Ser mãe pode ser o melhor e mais tortuoso caminho das nossas vidas! Desde que sou mãe, ponho em causa o que aprendi e o que me dizem, ouço mais a minha intuição e desaprendi muitos (pre)conceitos. Em alturas mais desafiantes desta coisa de ser mãe, procurei ajuda. Ajuda para educar de modo diferente. E encontrar outros recursos que me ajudam a ser a mãe que quero ser.
Neste caminho, encontrei-me com a PNL – Programação NeuroLinguística. O que é? Acho que posso dizer, de um modo muito simplista, que a PNL é uma grande ferramenta que utiliza a linguagem cerebral para melhorar a comunicação e o comportamento e criar uma versão melhor de nós mesmos. Como a própria designação refere inclui a programação (ou reprogramação) do cérebro e da linguagem, e esta reprogramação impacta na nossa comunicação com o outro e no nosso comportamento. E consequentemente no comportamento do outro.
Quem estuda PNL aprende uma série de técnicas e estratégias para lidar com os desafios do dia-a-dia, bem como alterar o significado que atribuímos e a percepção de acontecimentos do passado. Como diz Ben Furman, psiquiatra e psicoterapeuta, “nunca é tarde demais para ter uma infância feliz”!
Qual foi o impacto da PNL no meu papel de mãe? A PNL abriu-me a um outro nível de consciência, que me ajuda muito na relação com os meus filhos. E na relação com outras mães e pais, enquanto coach parental.
A PNL é um mundo. E para simplificar, deixo apenas exemplos de alguns dos pressupostos da PNL que me ajudam enquanto mãe:
·       Todo o comportamento tem uma intenção positiva – qualquer acção da criança é sempre feita com intenção positiva (mesmo que eu não esteja bem a ver qual é...). Quem age de determinada maneira, fá-lo sempre com a intenção de ter um ganho. Por exemplo, uma birra tem sempre uma intenção positiva – que pode ser chamar à atenção para uma necessidade que não está satisfeita e que precisa de ajuda.
·       O mapa não é o território – aquilo que eu estou a ver e a percepcionar pode não ser a história toda, a realidade. Acontecem outras coisas fora do meu alcance. Então, questiono-me muitas vezes o que há para além disto que estou a ver e a percepcionar? O que está por detrás deste comportamento?
·       O comportamento de alguém não é a pessoa (aceite a pessoa, altere o comportamento) – a criança não é o seu comportamento, a criança tem aquele comportamento naquele momento e esse comportamento pode ser alterado. Geralmente através do pressuposto seguinte!
·       Se o que faz não resulta, faça outra coisa – mudança gera mudança – se eu responder sempre da mesma maneira, vou obter sempre o mesmo resultado. Quando eu mudo, o outro muda!
·       As pessoas têm todos os recursos de que necessitam – e nestes recursos que já lá estão (podem é não estar ativos em dado momento) eu encontro respostas diferentes e que me ajudam a mudar. Quando acredito que tenho todos os recursos, ativo-os mais facilmente, normalmente através de perguntas – o que é que ainda não fiz que podia resultar?
·       O significado da comunicação é o resultado que se obtém – se ao comunicar não atingo o resultado esperado, então a comunicação não foi eficaz nem eficiente. E posso ativar recursos para comunicar doutro modo.
·       Não existe fracasso, só feedback – saber que não há erro, nem fracasso é um descanso. Se a mudança de comportamento me dá um feedback que não era o esperado, continuo a ativar recursos, até obter o feedback que pretendo. O erro ou o fracasso geram culpa. O feedback, positivo ou negativo, gera proatividade.
·       Resistência do outro é sinal de falta de empatia e rapport (ligação com sintonia ou conexão) – não há crianças difíceis, há adultos inflexíveis – quando estabeleço empatia e rapport com a criança crio um nível de aceitação (aceitar não significa concordar!) que não dá espaço à resistência, pois consigo encontrar soluções flexíveis e que servem a ambas as partes.
·       A parte mais flexível do sistema tende a dominar o sistema – quando eu encontro múltiplas maneiras de fazer ou responder a determinado comportamento, consigo ser mais flexível. E a flexibilidade gera espaço para ser ainda mais flexível. Ou seja, em diferentes contextos, a parte mais flexível do sistema é a que tem maior sucesso.

Saber PNL ajuda-me a comunicar e entender melhor os comportamentos. Os meus e os dos outros. E também alinhar-me melhor com a versão da mãe que quero ser!


Perguntam-me muitas vezes como é ser mãe de 3!
A minha primeira resposta é um sorriso. E depois costumo dizer que acho que é mais fácil passar de dois para três, do que de um para dois filhos.
Quando só tinha um filho, o mundo rodava à volta dele. Era o meu pequeno principe!
Como éramos 2 crescidos, havia sempre um que podia descansar ou ausentar-se, que o outro ficava com o nosso filho. Dava trabalho e também dava muitas alegrias.
Quando engravidei da minha filha, muita gente me dizia: “Que bom, uma menina! Assim ficas com um casalinho! Já ficas despachada!” Despachada do quê? Só posso ter um casalinho?
Ainda ia na segunda gravidez e já pensava na terceira...
Passar de um filho para dois (um casalinho...!) foi duro. Foram muitas noites sem dormir (a dobrar, entenda-se...), muitas horas em que se não estava com a mais pequena, estava com o maior. Esqueci-me muitas vezes de que também era gente e que precisava de cuidar de mim e da minha relação.
Quem acredita que os filhos vêm fortalecer uma relação? No meu caso, foi mesmo ao contrário. Ao fim de 1 ano e pouco com dois filhos, tive que me questionar: Quem sou eu afinal? O que quero para mim? Quero ser mãe solteira? Ou quero investir nesta relação e ter uma família tradicional?
Decidi e decidimos investir! Passei a cuidar mais de mim e de nós enquanto casal.
Correu tão bem que decidimos que nos íamos aventurar ao terceiro. Muita gente nos dizia que os terceiros já nascem criados e que os irmãos tomam conta deles... Outros perguntavam se conhecia o síndrome do filho do meio...
Questionei-me várias vezes se estaria a fazer o correto, se não estaria novamente a roubar tempo ao mais velho e à mais nova.
Até que alguém me disse: Que melhor presente lhes podes dar do que um irmão?
Sou filha única e sei bem quanto gostaria de ter um(a) irmã(o).
E a verdade é que ao terceiro é tudo mais descomplicado, parece haver tempo para tudo e para todos. Os mais velhos aceitam bem e até ajudam.
Costumamos brincar sobre estarmos a assegurar a nossa velhice...
A verdade é que sou uma mãe muito orgulhosa de mim, dos meus três filhos e do pai deles.
Ser mãe de três é um desafio como é um desafio ser mãe de um ou de dois. Cada criança é uma criança e cada um com as suas características, as suas necessidades, as suas emoções, os seus desejos e o seu comportamento.
Há dias em que um precisa mais de atenção do que os outros e outros dias em que todos precisam de atenção.
Há dias em que brincamos todos juntos e outros dias em que brincam sozinhos.
É exigente quando o tempo e o colo parecem curtos para partilhar por todos. É exigente quando cada um de nós tem um interesse ou uma necessidade diferente e todos queremos ouvidos.

Como fazemos para descomplicar? Cada um de nós faz o melhor que pode, ajuda e partilha. Em nossa casa, procuramos respeitar e ser respeitados, responsabilizar e ser responsáveis, na medida das nossas capacidades. Procuramos ser autênticos.
Aceitamos que temos imperfeições e que alguns dias são difíceis e outros muito melhores.

E agora sei que tomámos a decisão acertada.
Somos 5 e com muito gosto.