Começamos 2019 à conversa com a Mãe Inspiradora, Francisca Matalonga.
A Francisca nasceu, cresceu e vive em Lisboa, a cidade onde, por muito que adore
viajar, gosta sempre de voltar. Tem 2 filhos, o Lourenço, com 2 anos e meio e a Teresa, com 2 meses. Tirou o curso de Psicologia, na vertente Social e das Organizações, e trabalhou nas área
de Recursos Humanos e Gestão de Projectos. Atualmente
está em “licença de maternidade” da segunda filha, que nasceu em
outubro, e dedica-se ao Fox&June, o seu ‘terceiro bebé’, a meias com a
Joana Diogo.
Quem é a Francisca?
Começamos
logo com as perguntas difíceis :)
É uma
miúda-mulher-mãe, que gosta do lado espontâneo e surpreendente da vida, ainda
que ache que pode controlar (quase) tudo. Que ainda está a descobrir o que quer
realmente fazer, onde pode encontrar a sua realização a nível profissional, e
integrá-la na sua vida, que adora, e de uma forma compatível com a maternidade,
onde descobriu uma paixão. Porque, uma coisa ela já sabe e tem a certeza, a
vida é demasiado curta para não estarmos felizes, para não querermos ser
melhores, para não procurarmos o que nos faz mesmo sentido, para não nos
ligarmos a tudo isso. Concluindo, posso talvez dizer que é uma curiosa
inconformada.
O que os outros dizem de si?
Mais
uma pergunta difícil… adorava saber! Mas uma coisa que por acaso tem sido
transversal e que oiço de pessoas de várias
áreas da minha vida, é que tenho muito sentido estético e que quase tudo em que me meto, sai bem feito.
Isso deixa-me tranquila e, claro, feliz.
Algo que poucas pessoas sabem sobre si?
Sei
lá… que danço flamenco, por exemplo?! Já não danço há algum tempo, mas fiz
aulas durante bastantes anos na Juventude da Galiza, em Lisboa, e era uma coisa
que adorava. Depois meteram-se os filhos, menos tempo, e ficou pelo caminho… mas
também fiz ballet quando era mais nova e adoro dançar, em geral.
Praia ou Campo?
Praia
perto do campo. Adoro praia, o mar. Mas também sou feliz no campo, talvez até aprecie mais agora, com a idade.
Livro ou Cinema?
Nos
dias que correm, qualquer um é muito difícil. Mas sou mais dada a cinema,
embora gostasse de ler mais também.
O que a maternidade mudou em si?
Às
vezes acho que muita coisa, outras vezes acho que muito pouco. Esclareço: claro
que é uma mudança enorme, para mim a maior da minha vida. Por isso claro que
vai ter consequências em mim, em quem sou. Por outro lado, e isto também dito
pelas pessoas mais próximas, não deixei de ser a Francisca e tento manter ao máximo,
dentro do possível, as coisas que gosto e que me fazem feliz, antes de ser mãe.
No
fundo, é um processo. Ainda estou nisto há pouco tempo! Acho que ainda tenho
muita aprendizagem pela frente e este processo de mudança ou transformação
ainda vai no início. Por isso sinto que ainda é muito cedo para conseguir fazer
essa análise com total clareza.
Qual o maior desafio de ser mãe?
Até
agora, aprender a lidar com a frustração de não controlarmos nada! Aprender a
viver com um coração, literalmente, fora de nós. Aprender a gerir todos estes
sentimentos, de forma alinhada com o que acreditamos. E aprender a ser mais ágil
que nunca, na gestão de tempo, de prioridades e de recursos.
O que aprendeu com os seus filhos?
No
fundo, tudo o que disse antes e mais. Aquela coisa “todos os dias aprendo
qualquer coisa com os meus filhos” é mesmo verdade. Com o primeiro, aprendi que
não controlamos nada e que, bom ou mau, tudo passa.
A
segunda, embora ainda muito pequena, veio confirmar uma data de coisas que com
o primeiro ainda estava “demasiado ocupada” para perceber…
No
entanto, ainda tenho muito para aprender: a ser mais tolerante, mais paciente,
a “deixar ir”. E ainda bem, faz tudo parte do processo!
Se tivesse a oportunidade de voltar atrás, fazia tudo de novo ou alteraria
alguma coisa nas suas opções de vida?
Penso
nisso algumas vezes e a resposta assim de caras seria: alteraria muitas coisas.
Mas isto é sabendo o que sei hoje, que é um pressuposto errado. Eu até podia
alterar muitas coisas, mas não sei quais seriam as consequências ou o resultado
disso. Ninguém adivinha o futuro, e quando fazemos as nossas escolhas, naquela
altura, elas têm uma razão de ser. Por isso (e embora às vezes não seja fácil)
tento focar-me no presente e no futuro e perceber que escolhas quero fazer
agora, com uma coisa em mente: o que é melhor para mim e para os que me
rodeiam, o que me faz feliz e realizada. Só isso.
Qual a maior diferença entre as duas gravidezes?
Tive
a sorte de ter “gravidezes santas”. Não sei o que é um enjoo ou azia. Nunca
tive nenhum problema, e sou muito, muito agradecida por isso. Apenas um “susto”/surpresa
na segunda, uma vez que só descobrimos quando estava grávida de 16 semanas (eu,
que não acreditava nas histórias da carochinha e “gozava” com aquelas pessoas
que só descobrem em estados já bastante avançados…). Achei que, ainda para mais
depois de já ter passado por uma gravidez, ia topar logo quando engravidasse da
segunda vez. E, viu-se, isso não aconteceu. Achei só que estava “mais inchada”.
Há uma longa história por trás disto tudo…tem a ver com o facto de ter ovários
poliquísticos (uma realidade bastante comum a muitas mulheres) e no
Fox&June já falei um pouco sobre isto, para quem tiver curiosidade.
Qual a diferença entre ser mãe de 1ª ou 2ª viagem?
Na
primeira viagem há mais dúvidas, ansiedades, medos. Na segunda viagem há mais
experiência, mais confiança, sobretudo na nossa intuição. Há mais ponderação,
outra maturidade. Acredito que tudo isto se vai apurando e melhorando à medida
que nasce mais um filho.
Como preparou o seu filho para o nascimento da irmã?
Não
fizemos nada de especial. Ele ainda nem tinha 2 anos quando soubemos, por isso
ainda era muito pequeno e acho que não percebeu bem o que ia acontecer. Mas
contámos-lhe logo, fomos sempre falando da mana e de algumas coisas que iam
acontecer, sem querer falar demasiado do tema ou gerar ansiedades. A minha
barriga crescia e ele sabia que eu tinha a mana na barriga, mas dizia que também
tinha um bebé na barriga dele.
Quando
ela nasceu, ele foi ao hospital conhecê-la. Quis registar o momento, porque
sabia que ia ser único, e é, de facto, simplesmente comovente. Cada vez que
vejo aquele filme, o meu coração explode.
O que a motivou para mudar de vida, deixar de trabalhar por conta de outrem e
avançar para um projecto seu?
Acho
que já desvendei algumas pistas ao longo da entrevista que respondem a esta
pergunta. Não me conformei com uma realidade em que tinha um trabalho das 9-às-6
só para pagar as contas ao final do mês. A minha motivação era zero, e não tinha
a ver com as pessoas, não tinha a ver com o trabalho propriamente (até porque
trabalhei em diferentes áreas e projectos dentro de uma grande empresa), mas
com o facto de não ser a minha ambição trabalhar sentada em frente a um
computador, numa estrutura demasiado grande, a fazer coisas em que não me
sentia envolvida. Demorei algum tempo a perceber e a aceitar isto. Foi um
processo longo, que foi ganhando forma e peso à medida que o tempo passou.
Quando
fui de licença do primeiro filho, estava certa de que não iria regressar. Achei
que durante a licença iria ter imenso tempo e uma ideia fantástica para lançar
um negócio ou fazer qualquer coisa por conta própria. Claro que isso é um mito,
pura utopia. Só quem é mãe percebe, e mesmo assim, acho que nos esquecemos!
Ainda agora, com a segunda filha, dei por mim a fazer mil planos e projectos
para estes primeiros meses e só quando tive outra vez o reality check do que é a
vida com um recém-nascido em casa é que percebi que estava a viajar na maionese
outra vez. Aceitei, baixei as expectativas e agora vou fazendo as coisas à medida
que consigo (um exemplo disso é o tempo que demorei para responder a esta
entrevista…!).
Foi difícil tomar a decisão?
Se
no início a ideia me parecia assustadoramente descabida, com o tempo foi
ganhando sentido. Acredito que é sempre difícil, mas deve ser mais fácil quando
já se tem na mão ou pelo menos na cabeça outra coisa, outra ideia, outro
projecto.
Quando
regressei da licença, tinha o plano de pensar em poucos meses numa ideia, um
projecto ou um negócio. Mas rapidamente percebi que não ia ser possível. Pensar
nestas coisas, pelo menos para mim, requer criatividade, inspiração, ver coisas
diferentes, procurar, tentar, falhar, fazer de novo. E tudo isso requer uma
coisa que eu continuava a não ter: tempo.
Sei
que há pessoas que se dedicam a duas e mais coisas em simultâneo e montam negócios
enquanto trabalham a full-time e têm toda a minha admiração. Mas por algum
motivo isso nunca foi possível para mim. Quando estava a trabalhar, ainda que não
estivesse 100% envolvida, não tinha a capacidade para gerar ideias. Quando saía
do trabalho, não queria abdicar de estar com o meu filho e dedicar-me 100% a
ele - essa prioridade estava clara.
Passaram
alguns meses e ganhei a coragem necessária para tomar a decisão. Sem nada
pensado, sem nenhum plano em vista, despedi-me. Só para finalmente ter tempo
para experimentar e explorar as ideias que há tanto andava a adiar. Acho que
nunca é fácil, sobretudo se não tivermos propriamente um objectivo muito claro
ainda e saindo “de mãos a abanar”, que foi o meu caso. Mas todos os dias agradeço
por ter a sorte de o poder ter feito e de me poder “dar ao luxo” de arriscar e
voltar a começar.
O que é o Fox&June?
O
Fox & June nasce precisamente pouco tempo depois de me despedir. Já andávamos
a falar (a Joana e eu) há algum tempo de
fazer qualquer coisa, só ainda não sabíamos muito bem o quê. Tínhamos muitos
gostos e interesses em comum e a ideia começou a nascer logo depois de me ter
despedido.
O
Fox&June acaba por ser a materialização das muitas ideias que andam nas
nossas cabeças e pretende ser uma plataforma inspiradora. Queremos partilhar o
que nos inspira e nos leva a ser mais felizes e acreditamos que com esta
partilha também podemos inspirar os outros. Abordamos temas que nos dizem muito
(viagens, slow living, decoração, relações, ideias e dicas), sempre com um
cunho pessoal, mas tentamos também ser o mais informativas possível, em temas como
a alimentação saudável ou a gravidez. É por isso também que contamos com as
contribuições de especialistas dessas áreas, através de colaborações em alguns
artigos.
Projectos para o Futuro?
Para
já, continuar a ver crescer este nosso bebé que é o Fox&June, que em apenas
7 meses de existência já nos trouxe muitas coisas boas. E continuar a ver
crescer os meus filhos e a construir esta nossa família. O resto, a seu tempo,
acredito que se tornará mais claro.
O que gostaria que os seu filhos dissessem sobre a mãe?
Que
é divertida, por exemplo. Para mim, isso já diria muito. Diria que apesar de
muitas vezes não ter paciência e me zangar, prevaleceriam as vezes em que faço
ataques de cócegas e ando a rebolar no chão com eles, em que não ligo se estamos
mais “fora de horas” ou se estão a sujar-se. No fundo, qualquer coisa que
reflectisse que são felizes e que eu contribuo, de alguma forma, para isso.
O que mais a inspira?
Inspiram-me
coisas bonitas, pessoas boas, com boa energia. Inspira-me a nossa cidade,
Lisboa.
Inspira-me
ouvir boa música. Beber um bom café pela manhã. Respirar ar fresco, flores
campestres, um copo de vinho na mão.
Se
juntarmos tudo então, é o cocktail perfeito de inspiração!
Contas de instagram que segue religiosamente?
Muitas!
Mas algumas da mais inspiradoras: Violeta cor de rosa, Catarina Macedo
Ferreira, Ana Dias Ferreira, Likemiljian, Maria Guedes,
welovecharliandcapucine, Courtney Adamo, minimockspetra, taza.
Francisca, que conversa boa, adorámos conhecer-te melhor, à tua família, à tua serenidade e inspiração diária. Muito obrigada pela partilha, vamos continuar atentas ao teu 3º bebé e desejamos-te tudo de bom!
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