2 Meses de internamento: A história da minha gravidez gemelar

Já passou algum tempo desde que fiquei internada às 27 semanas de gestação com risco de parto pré-termo. Foram dois meses de internamento que me poderiam ter destruído psicologicamente mas decidi que não poderia fazer isto a mim mesma, à minha família e aos bebés que estavam dentro da minha barriga.

A gravidez do meu primeiro filho foi tranquila e quando soube que estava grávida novamente esperei que fosse semelhante mas enganei-me.

Soube na primeira consulta que estava à espera de trigémeos, senti um misto de emoções, no entanto a médica alertou-me para o facto de um estar menos desenvolvido e poderia não avançar. E assim foi… Passado umas semanas o terceiro gémeo foi absorvido pelo corpo e felizmente os outros dois fetos estavam a desenvolver normalmente.

Tive bastantes enjoos, muito sono, contrações de braxton hicks a partir das 20 semanas e alguns sustos que me levaram ao hospital mas nada que fosse significativo. 

Às 27 semanas comecei com contrações de 3 em 3 minutos e algumas dores no baixo ventre. O meu marido ligou de imediato para a “Saúde 24” que enviaram, a correr, o INEM. O destino foi certo: Hospital. Fiquei de imediato internada e embora o colo do útero estivesse fechado, as contrações não vacilavam e claramente podiam desencadear o parto.
A minha mente dispersava mas insistia em encontrar um foco positivo, o meu inconsciente acho que estava ansioso, mas não queria transparecer…
Sou uma pessoa que gosta de estar bem esclarecida e quer sempre saber todos os prós e contras, por mais que o futuro seja diferente preciso estar preparada para tudo e, neste caso, quem levou comigo foram as enfermeiras e as médicas pois fazia questão que fosse tudo, mas mesmo tudo explicado.
Acabei por ser transferida para um hospital com serviço de Neonatologia, e o problema? Estava tudo cheio a nível nacional, não havia vagas! Aguardei uma vaga sempre esperançosa que tudo ia correr pelo melhor, e correu! Afastei os pensamentos e as pessoas negativas naquela altura! Precisava de boas energias, precisava que rezassem por nós!
Cada dia era uma vitória, cada semana era um milagre!
Tive muitas horas para pensar, para ler, para escrever, para me entreter, mas a minha prioridade era o descanso! O repouso absoluto era obrigatório e eu respeitei sempre!
Inevitavelmente procurava histórias na Internet parecidas à minha, umas felizes e outras tristes, mas parei de fazê-lo! Faziam-me mal e preferia não saber mais do que a minha própria história! Queria pensar no meu final feliz! Seria uma luta diária? Sem dúvida!? Iria chorar? Claro. Sofrer? Sim, mas não quero e por isso pensava noutras coisas! Esperança? Muita mesmo!
Os meus estavam a sofrer também, embora me tentassem dar toda a força do mundo! 
Em momento algum pensei em voltar para casa, nem queria!  Não pensem que não me custava deixar o meu filho de 3 anos e o meu marido no caos e no sofrimento, mas sabia que precisava mesmo de estar ali!
O meu filho estava a sentir tudo da pior maneira, e os comportamentos estranhos começaram a ser visíveis. E isso custava-me tanto! No entanto, sentia que ali não estava em perigo e que conseguia descansar, e tinha os melhores profissionais ao meu lado. 
As contrações eram diárias, as dores também e por mais que tivesse sempre em risco de ter os filhos prematuros, preferi projetar na minha mente várias etapas. As 30 semanas, as 32, as 34 e por fim as 36 seriam o meu grande objetivo. Poderia ser uma realidade muito distante mas todos os dias acreditava e visualizava chegar lá. 
Diariamente entravam grávidas naquele quarto de hospital para ficarem internadas, poderia ser apenas 1 dia como meses e acreditem muitas delas sofriam imenso, choravam diariamente e tive de ser muito forte para que isso não me afetasse também.
O mais incrível é que saí daquele hospital às 34 semanas e levei amigos para a vida, principalmente alguns enfermeiros. Foram eles a minha segunda família, cuidaram de mim e dos meus e eu estou tão grata por isso.
Vim para casa com a indicação que teria de fazer repouso, fiquei com receio mas entusiasmada ao mesmo tempo. Passados 3 dias volto para o hospital e mais uma vez fico internada durante 1 semana. 
Regresso novamente a casa e estava muito cansada pois o peso da barriga já era muito.
Às 36 semanas e 4 dias vou ao hospital pois tinha uma consulta marcada e mesmo antes de ser atendida começo com uma pressão enorme no baixo ventre. A médica observou-me e viu que o colo já estava apagado e estava com cinco centímetros de dilatação, o bloco era o meu destino. Em poucas horas, a dilatação estava completa, a epidural dada e era hora dos gémeos nascerem.
O Diego e a Diana nasceram de parto normal, com seis minutos de intervalo e com 2500 kg cada um. Foi um parto maravilhoso.
Sei que a força da minha mente, as energias positivas que me rodeavam e o facto de não ter perdido o foco foi sem dúvida o que me fez aguentar e chegar até às 36 semanas.

Como já referi… Cada dia era uma vitória e hoje olho para os meus pequenos lutadores e encho-me de orgulho pela batalha vencida.

Marta Rodrigues



Fui desafiada pelo mães.pt a escrever sobre esta data, passarei a explicar a razão da escolha.
A vida por vezes parece sarcástica ou demasiada críptica por colocar datas, pessoas, sensações, acontecimentos que aparecem e desaparecem sem acaso, e que nem sempre conseguimos perceber uma possível sincronicidade, muito menos entendê-la ou até admiti-la.
Dia 4 de Fevereiro é a data (ouso citar, a mais importante na minha vida), foi o dia em que Deus me ofereceu, ou emprestou (palavra de Saramago), o meu primeiro filho. 
A partir daí, fui mãe mais uma vez (data duplamente importante) e com duas vezes assim, completo-me por inteiro, nesta função que é sem dúvida, o que melhor define aquilo que eu sou.
Triste coincidência, dia 4 de fevereiro assinala a maior luta da minha vida, o cancro. Já enfrentei duas batalhas e tal como os filhos, ficava-me fartamente saciada com esta dose dupla.
Sobre o cancro e sobre as mães, conheço a cara jubada do medo. Um monstro que aparece, assusta qualquer mãe com a ideia de ser forçada a partir. Os momentos que não se está cá e se vai fazer falta, são elenco de filmes futuristas no nosso presente. Qualquer coisa de instinto animal sai de nós; fiquei mais selvagem, confesso. A fúria, a garra, o enfrentar o monstro sem medos. Por outro lado, lembro-me de tocar mais nos meus filhos como se os sentisse com outra posse e desejo, como se os quisesse numa outra dimensão, recordo-me de os farejar quando dormiam, de falar com eles com os olhos, como se todos os sentidos se apurassem. 
O cancro muda-nos! Isso, tenho sentido com testemunhos de sobreviventes, quase um efeito de renascer.
Tem-se noção da efemeridade da vida, o que dá um sentido diferente, mais intenso no dia-a-dia. Ingredientes simples como a gratidão que dão mais sabor, as prioridades redefinidas, para que nada fique por fazer, se o dia se lembrar de acabar amanhã.
Este meu texto tinha que ter assim um carater de oratória de amor à vida!
Para mim, escrever sobre esta data no site de mães, é escrever sobre a luta mas acima de tudo sobre o que mais importa.
É escrever sobre quem não nos abandona, quem nos ama e sofre connosco, quem esconde lágrimas com sorrisos no rosto amedrontado, que se finge não reparar. Um tributo a quem amo, ao verdadeiro amor à prova de monstros.
É escrever aos que nos abraçam, que têm mais medo do que nós e que talvez por isso, não sabem o que dizer, nem como fazer, basta estarem lá, mesmo em silêncio. Um tributo aos verdadeiros amigos, tão bom existirem!
É escrever aos que nos substituem quando estamos internados, a fazer tratamentos ou quando estamos a ressacar dos químicos, que protegem as nossas crias como se fossem deles. Um tributo a eles, que são a minha verdadeira família!
É escrever aos cuidadores, a todos! É escrever ao IPO e outros hospitais. Os médicos, enfermeiros, auxiliares, voluntários, que entregam o melhor de si, por nós, genuinamente. O quanto estou grata ao serviço de hematologia do IPO do Porto e Lisboa, pelo seu meritório trabalho de Excelência! Em tempos, a minha casa, o meu porto seguro.
É escrever aos que investigam e que procuram soluções mais eficazes, quer para o diagnóstico, quer para os tratamentos.
É escrever sobre as associações que zelam para que haja um maior apoio, quer informativo, quer de necessidades básicas como alimentação, alojamento ou companheirismo.
É escrever aos dadores de sangue e principalmente aos dadores de medula que dão mesmo de si, para salvar vidas. Tributo a estes grandes heróis!
É escrever aos meus Deuses e Anjos, com quem conversei e até me zanguei, mas que acredito que estiveram deitados comigo na cama dos hospitais, nos blocos operatórios, nos dias de tratamento, nos dias de avaliação e o que quer que exista, deu-me muita tranquilidade para acreditar que sairia mais uma vez, vencedora dessa luta. 
Só não consigo escrever aos pais que nos veem sofrer. Nem imagino o que sentiram os meus. O meu medo é tanto que me impede de dar um passo na entrada do serviço de pediatria de qualquer hospital oncológico. Os meus dedos tremem e as letras aprisionadas em mim, nem saem para o papel.
A esses pais presto homenagem e aos pequeninos que vejo passear pelos corredores tenho uma profunda admiração. Nesse caso, são eles imagem de oratória, são verdadeiros anjos na terra, o exemplo a seguir, quando nos queixamos da vida, quase perfeita, que temos.
O cancro é o monstro jubado, mas quando o assustamos quero acreditar, que ele apareceu com um propósito, como tudo o que acredito na vida, talvez nos tivesse visitado para nos mostrar algo, nem que seja o melhor de nós!
Para todos os que estão na luta e que tiveram paciência de me ler até aqui, palavras de muita coragem, tranquilidade e superação. Espero do fundo do coração, que um dia vejam o cancro lá atrás, como se uma sombra apagada que nos recorda, o quanto é bom viver!
Queria acreditar que em breve, o cancro se tenha tornado uma doença ultrapassada, num mundo menos tóxico de stress, de químicos nos alimentos que comemos, na água que bebemos e no ar que respiramos. 
Como se sabe, após a 2ª guerra mundial as taxas de incidência de doenças oncológicas aumentaram, fruto não só da deteção e do avanço científico, como muitas vezes, queremos justificar inteiramente. Existe, uma tendência estatisticamente comprovada para um aumento destas doenças que acompanha não só o aumento da esperança média de vida, como anda de mãos dadas com um mundo frenético em que os animais que comemos não são livres, os vegetais cheios de pesticidas, o emprego resume-se à vida ou a vida ao emprego. Cuidar de nós, cuidar do outro, cuidar do corpo. Talvez nessa altura, o Homem pense como seria a sua vida se um dia um indivíduo jubado o visitasse e pensasse que não adianta correr se não soubermos apreciar uma paragem. A propósito da paragem, do dar e receber, talvez pudesse pensar que se não o é, será um bom dia para se inscrever como dador.

Agradeço em nome de todos.



Mafalda Lira
Escreve no
Mãe, Matemática, Defensora de causas, Sonhadora e Apaixonada pela vida
Artigos





Chama-se Alexandra e vive com o namorado de sempre, o músico Nuno Rafael, juntos têm quatro filhos.
Com formação na área social onde trabalhou durante mais de 10 anos, seguiram-se outros tantos no serviço educativo de um Centro Cultural, no diálogo entre a arte e a educação. 
Em 2015 criou a plataforma NHEKO, um projeto editorial sobre a Vida em Família.
Atualmente, Alexandra é coordenadora da Associação 1% onde trabalha diariamente naquilo que diz ser a construção de um mundo melhor e também faz parte da equipa da LadoOposto Produções, uma agência que representa mais de uma mão cheia de bandas portuguesas.

O que os outros dizem sobre ti?
Não sei. Uma vez ouvi uma das minhas filhas a dizer a uma amiga que eu era “boa pessoa”, gosto dessa ideia.

Conta-nos algo que ninguém ou poucas pessoas sabem sobre ti?
Há algumas particularidades que só quem me conhece melhor sabe... eu não corro desde o 9.º ano, quando deixei de ter educação física na escola, sou muito preguiçosa no que respeita ao exercício físico e odeio cansar-me, adorava ultrapassar isto e conseguir tornar-me mais saudável.
Fiquei horrorizada quando soube que ia ter gémeos e nunca vesti as minhas filhas de igual, aliás não gosto nada de roupinhas a fazer “pandan”.
Preferia que o nosso quarto filho tivesse sido outra menina.

Hobbies?
Gosto de ler, de visitar feiras tipo feira da ladra, de ver espetáculos, de andar de carro sozinha e de estar com os meus filhos. Gosto de cozinhar. Gosto muito de escrever.

Livro ou cinema?
Primeiro o livro, depois o cinema, mas a linguagem artística que mais me (co)move é a Dança.

Praia ou campo?
Vivemos numa aldeia perto do Guincho, num local onde a praia e o campo se cruzam de uma forma perfeita e harmoniosa, não há nada melhor que esta junção.

O que mais te dá prazer?
Tanta, tanta coisa. 
Tenho a sorte de ser uma pessoa que retira prazer em grande parte das coisas.
Uma mesa cheia de amigos, um jantar a dois, uma ida ao cinema sozinha.
Um dia de sol mesmo que gelado. A chuva a bater no vidro. Chá, café.
Um mergulho no mar, dormir com sal no corpo.
Ouvir os meus filhos.
Abraçar quem amo. 
Perder-me em conversas filosóficas e outras nem tanto. Rir.
Um copo de vinho, sozinha ou acompanhada.
Ver os meus filhos a dormir.
As conversas rotineiras de um jantar em família. Os cozinhados da minha mãe.
Ver o meu namorado de sempre a tocar.
Fazer programas de filho único.
Ver espetáculos, especialmente de dança.
Sentir-me útil e fazer a diferença. Conhecer pessoas novas. Surpreender-me.

O teu maior sonho?
Fazer a diferença na construção de um mundo melhor. 

O que a maternidade mudou em ti?
Tudo. Foi a maternidade que me fez entender o mundo e conhecer-me a mim.

Qual o maior desafio de ser Mãe?
Ter de o ser sempre e para sempre.
O maior desafio talvez seja mesmo esse, a constância. 
É saber-me exemplo e querer sê-lo. É manter-me ao longo das diferentes fases do crescimento, uma presença forte na vida dos meus filhos. 
É não facilitar e pensar sempre com o coração. É ouvir sem querer ter razão.
É ter a responsabilidade de contribuir para a formação da personalidade dos meus filhos e ajudá-los a serem pessoas gentis e atentas aos outros.

A que se deve o nome Nheko?
Nheko é um diminutivo de boneco/bonheko, é o nome que chamamos ao nosso filho mais novo, por ter uma sonoridade engraçada, ser um nome pequeno e ter um significado especial para toda a família, este passou a ser o nome do nosso projeto. O Nheko nasceu também por causa deste filho, do que ele nos trouxe enquanto família e a mim em particular como mãe.

E para quem não sabe, o que é Nheko?
Nheko é um projeto editorial sobre a vida em família. Aqui encontram entrevistas com pessoas que consideramos inspiradoras, apresentamos marcas e pequenos negócios e também publicamos artigos de opinião, especialmente ligados a temas como educação, adolescência, criação artística para a infância, sugestões de livros e espetáculos; tudo à volta da Vida em família.

Como e quando nasceu o projecto?
O Nheko surgiu de uma vontade de criar um espaço de partilha sobre temáticas que de alguma forma se cruzassem com a vida em família, uma plataforma onde a linha editorial, os conteúdos escritos e as fotografias fossem cuidados e promovessem a reflexão.
Tentámos desde o início marcar a diferença de diferentes formas, sempre soubemos bem o que não queríamos: Este espaço Não é um blogue de leitura rápida, Não é um espelho da nossa vida, Não é uma montra de marcas, Não é um espaço publicitário.  
Sempre nos mantivemos fiéis a isto o que acabou por invalidar, de certa forma, a transformação deste projeto num negócio rentável. Foi uma opção consciente.
Sempre quisemos diferenciar-nos pela forma como abordamos os temas, pela qualidade das fotografias que são maioritariamente feitas por profissionais e pela autenticidade dos conteúdos.
Muitas vezes partimos da nossa experiência de vida, da nossa família, mas não nos cingimos a ela. Este não é um diário sobre a nossa vida, é um espaço que pretende promover a reflexão e o espírito critico, que procura oferecer inspiração para a Vida em família.
Até há bem pouco tempo tivemos uma loja online onde apresentávamos uma criteriosa seleção de produtos, alguns deles frutos de parcerias com fazedores de coisas que muito admiro. Criei um género de trotinete de madeira em colaboração com um marceneiro muito talentoso, o Gabriel que é conhecido como Quilhas Alfredo, desenhei e criei peças com a fantástica Rita Sevilha, compus kits com colaborações diversas desde a Ana Morais da Casulo, a Anna Westerlund, o Planeta Tangerina, a Organii. Este trabalho criativo fascina-me. Tenho imensas ideias sempre mas acabei por optar por, recentemente, fechar a loja. 
Este é um trabalho que exige muito foco e também investimento de recursos e de tempo, tive de ter o bom senso de perceber que esta não era a minha prioridade no momento, penso que um dia ainda vou voltar a trazer a NhekoShop, talvez com um outro formato, tenho já umas ideias mas que, por agora, ficam fechadas na gaveta.

A maternidade teve alguma influência na criação do projeto?
Eu tenho muita dificuldade de retirar a influência da maternidade de qualquer assunto da minha vida. Ser mãe dilui-se completamente em tudo o que sou, não me vejo às fatias, sinto-me uma mistura de tudo o que compõe a minha vida. A Alexandra mãe influencia tudo o que eu faço da mesma forma que outras experiências pessoais e profissionais que tenho me influenciam no papel de mãe, sou péssima a separar águas. 
Relativamente ao projecto Nheko a maternidade é uma experiência fundamental para ele ter aparecido.
Tenho uma publicação onde partilho o impacto que o aparecimento deste nosso filho teve na minha vida, no meu sentir, na minha forma de ser. Chama-se “O Nascimento de uma nova vida” (aqui) “Os vários projetos que tenho, entre eles o espaço Nheko, são o culminar de um processo iniciado quando decidi ter mais um filho, são a materialização do que eu sou hoje e no que a vida me tornou. Quando quis ter este filho nesta fase da minha vida eu sabia que estava a aceitar os termos de responsabilidade que estavam escritos nas entrelinhas e que isso implicava recriar-me de novo.”

Como concilias a vida profissional como a vida pessoal?
A minha vida profissional é complexa porque estou em muitas frentes ao mesmo tempo no entanto tenho as prioridades muito esclarecidas. O meu companheiro é músico, tem horários inconstantes e ausências constantes, sempre assim foi. Esforço-me por não assumir compromissos que não possa cumprir, tento ser sensata e honesta com aqueles com quem trabalho e acima de tudo comigo. Neste momento as nossas filhas estão crescidas e praticamente autónomas, temos uma rede de apoio bastante funcional o que me permite estar mais liberta e disponível para novos desafios mas sei sempre que tenho os miúdos como prioridade mesmo que isso me obrigue a ficar privada das normais horas de sono ou me obrigue a outro qualquer tipo de ginástica. Claro que um bom planeamento e organização ajudam muito. Outra coisa que me ajuda é o facto de eu ter muitas ideias, tenho um tipo de criatividade muito funcional, é a criatividade ao serviço do quotidiano, esta característica dá-me imensa flexibilidade e permite-me chegar muitas vezes onde parecia não ser possível.

Como tem evoluído o projeto?
O Nheko tem funcionado como uma janela por onde podem espreitar os projetos com a minha assinatura e perceber de que forma o que faço se pode cruzar com outras ideias e iniciativas. Depois de mais de 20 anos a trabalhar em equipas multidisciplinares e dinâmicas, construir parcerias e criar em conjunto é uma das coisas que mais prazer me dá. Desde que estamos online já desenvolvi vários trabalhos muito diversificados.
Crei espaços/projetos pensados nas famílias: A Casa Nheko no Organii Eco Market, o primeiro mercado Eco Lifestyle que aconteceu em Portugal, criámos uma Casa de Família onde os visitantes eram convidados a entrar e usufruir de uma variada oferta de produtos disponíveis para utilização livre, desde brinquedos, jogos, livros para diferentes faixas etárias, discos, espaços de relax, zona de amamentação e muda fraldas, atividades organizadas para crianças e adultos em interação.
Esta Casa Nheko tinha nas paredes trabalhos de artistas e makers que nos inspiram e contou com a colaboração de várias marcas com as quais trabalhamos regularmente.
Na segunda edição, lá estivemos outra vez!
A convite da Câmara Municipal de Almada, integrámos por dois anos consecutivos, a programação do Mercado de Natal Amigo da Terra com um projeto direcionado a famílias, a Brincoteca, Espaço família: Um espaço lúdico com propostas para diversas faixas etárias cujo objetivo se centrava em promover a partilha e interação entre os diferentes elementos da família.
Criei histórias por encomenda; A partir do imaginário da coleção de roupa para criança para um livro cujas personagens faziam parte da própria coleção da marca: Principesque, Stories to were.
Para a ISWARI construi uma história que envolvesse os personagens presentes nas embalagens do novo produto para crianças tal como os princípios da marca.
Além da história incluí também neste livro um conjunto de sugestões de atividades para desenvolver em família. O livro integrou o kit de lançamento de produto para crianças.
Trabalhei em colaboração com extraordinários fotógrafos em diferentes trabalhos que me enchem de orgulho.
De momento tenho duas ideias em ebulição que não faço ideia quando se irão concretizar, mas sei que vão ser fantásticas. Li, algures, uma frase que me acompanha: enquanto os planos e os sonhos forem maiores que as memórias, está tudo certo!


O que mais gostas do teu projeto?
O que mais gosto no Nheko é o sentido que por lá encontro.

Se voltasses atrás farias tudo de novo ou alterarias alguma coisa, das opções e escolhas profissionais?
Eu, se soubesse o que sei hoje fazia muita coisa diferente, mas isso ia certamente fazer com que não aprendesse o que aprendi.
Tento não perder muito tempo a pensar no que poderia ter sido diferente no passado, considero mais importante e profícuo pensar no que quero fazer diferente no futuro. 
Gosto de ter uma atuação refletida e opto por não fugir para a frente, mas gosto muito mais de sonhar com o amanhã e viver o hoje do que contemplar o que já passou.

Perspetivas do projeto para o futuro?
Gostava de recuperar a periodicidade nas publicações, especialmente nas entrevistas. De momento estou muito empenhada numa outra frente de ação o que me tem retirado a disponibilidade necessária para o conseguir. Gostava também de concretizar uma ideia que tenho vindo a alimentar e que cruza conceitos como a família, a criatividade e o ato da criação. É um trabalho com uma certa profundidade e que necessita de alguns recursos para acontecer. Cruzar as minhas áreas de trabalho e de pensamento são uma constante e isso dá imensos frutos, uns são mais visíveis outros menos. Conseguir espelhar no Nheko a minha perspetiva relativamente à Vida em família é sem dúvida a minha principal preocupação e investimento.

Como divulgas o Nheko?
Através da utilização básica das redes sociais: Facebook e Instagram.

Um conselho para quem tem um projeto de negócio na gaveta.
Não é um conselho, é uma partilha. Eu senti que um negócio é uma coisa muito difícil de fazer acontecer, é algo que necessita de muita disponibilidade, seja ela financeira como de tempo, etc. É algo que não acontece de um momento para o outro, demora tempo, exige foco. No meu caso, reconhecer que a minha ordem de prioridades não me permitia ter essa disponibilidade foi um processo de consciencialização, foi fundamental não querer agarrar-me a um projeto que, por si só, não era um modelo possível de negócio. Tive de fazer opções, nunca considerei mudar a sua essência e adaptá-la ao que “o mercado” procurava. Nunca cedi a torná-lo um espaço cujos conteúdos se afastassem da minha ideia original, nunca o abri a publicidade, nunca o desvirtuei. Estas opções fecharam-me portas mas abriram outras tantas, levaram-me a procurar outras soluções financeiras e é aqui que recomendo muita atenção e prudência, sem as decisões certas aquilo que um dia foi um sonho pode tornar-se num pesadelo. 
Tal como referi acima, valorizo muito o ser honesta comigo e com aquilo que para mim é basilar e isto é mesmo o que faz a diferença. Não posso dizer que os meus filhos são a minha prioridade e depois não estar cá para eles. Saber reformular é fundamental. 

Perspetivas pessoais para o futuro?
Manter-me nesta linha, dar continuidade aos projetos que tenho em mãos. Usufruir da vida. Ser gentil comigo e com os outros.


Alexandra, muito obrigada pela partilha. Adoramos conhecer-te melhor.

Podem acompanhar  a Alexandra e o seu projeto Nheko através das redes sociais: Facebook e Instagram e Site em www.nheko.pt




São inúmeros os benefícios que a leitura traz para as crianças, mas para além de lhes cultivarmos o gosto pelos livros e pela leitura, é importante levar as crianças à Biblioteca. Estes são os maiores benefícios de levar as crianças à Biblioteca:

-  As crianças aprendem a ficar mais calmas
A biblioteca é um lugar de silêncio e tranquilidade, quando uma criança está num local assim percebe quais as regras e como se comportar nesse tipo de ambiente.

- As crianças aprendem a importância de não interromper
Dividir um espaço de leitura com outras pessoas ajuda a que as crianças percebam que têm de respeitar quem os rodeia.

- Cuidar do que não é nosso
Os livros devem ser tratados com muito cuidado para poderem ser usados por outras pessoas. Para conseguirmos o amor pela leitura devemos antes ensinar o amor pelos livros.

- Responsabilidade
Os livros da biblioteca são de todos e caso aquele livro que eu quero não esteja disponível é preciso esperar, voltar à Biblioteca para ver se já foi devolvido e ter a responsabilidade de devolver na data correta para não prejudicar quem precisa do mesmo.

- Variedade de estímulos
Mesmo tendo uma pequena biblioteca em casa, nunca teremos a mesma variedade de livros de uma grande biblioteca oferecendo uma enorme variedade de estímulos. 

- Organização
Cada livro tem seu lugar. Cada livro que foi retirado do seu lugar deve voltar ao mesmo. Isso ajuda as crianças a perceberem a importância da organização.

Estes são alguns dos Benefícios de levar as crianças à Biblioteca, mas haverão com certeza muitos mais, porque ler, gostar de livros e frequentar a Biblioteca são hábitos de vida que enriquecem as crianças.


Para ter sempre à mão 
os Benefícios de levar as crianças 
à Biblioteca 
guarde este artigo no Pinterest. 





Photo by Annie Spratt on Unsplash


Desafios no acompanhamento de um bebé com 1 ano

365 dias. 1 ano cheio de “primeiras vezes” a serem registadas no coração: o primeiro choro, o primeiro sorriso, o primeiro banho, o primeiro mês, a primeira papa, o primeiro Natal, o primeiro dia no berço ou na creche, às vezes os primeiros passos e as primeiras palavras… Tudo é emocionalmente novo não só para os pais como para os bebés. Desafios atrás de desafios, também estamos a “crescer” com eles, cada um à sua maneira. Cada família passa por situações mais desafiantes que outras. E no que toca ao desenvolvimento do nosso filho temos de respeitar o seu ritmo. Cada criança tem o seu próprio ritmo, e não vale a pena comparar o desenvolvimento dos nossos filhos com outros. 

O “vício” da mama

Fazer da mama uma chupeta é um dos maiores consolos do meu filho, mas “contrariá-lo” está a ser de momento o meu maior desafio. Na realidade nunca houve a necessidade de dar a chupeta pelo menos até aos 6 meses: sempre foi um bebé muito tranquilo, nunca chorava quando tinha sono, adormecia facilmente, e nem mesmo se queixava quando tinha a fralda suja (eu tinha sempre que verificar a fralda). A partir dos 6 meses, comprei diferentes modelos de chupetas porque ele rejeitava cada uma, se bem que “simpatizou-se” melhor com uma chupeta da Chico.
Fica ao critério da mãe se pretende insistir em dar a chupeta ao seu bebé, uma vez que não é tarefa fácil quando se está habituado à mama… Confesso que acabei por desistir em dar a chupeta ao meu filho (agora com 1 ano e 5 meses) porque à medida que o tempo passa vai perdendo o interesse, e principalmente desde que ele entrou na creche que está menos dependente da mama. Por isso, a todas as mamãs que estão na mesma situação, mantenham-se calmas, tudo se resolve. Se pretenderem, vejam este vídeo sobre o assunto.

Os desafios gastronómicos

A primeira sopa do meu filho foi aos 9 meses, a amamentação exclusiva manteve-se até aos 8 meses. A partir daí foi um desafio enorme introduzir alimentos sólidos e usar a criatividade na elaboração de novos pratos. Utilizei o método de alimentação Baby-Led Weaning que permite ao meu filho comer, alimentos sólidos, sozinho. Há bebés que só conseguem adaptar-se aos alimentos sólidos a partir de 2 ou 3 anos. 

Os passos 

Sempre se ouve dizer que a partir do momento em que os nossos bebés começam a andar é um desafio ainda maior: para eles, é uma felicidade extrema em cada passo; e para nós, que apesar da felicidade ser recíproca temos também consciência que a preocupação é maior sobretudo no que toca à segurança dos nossos filhos. Como tudo na vida. E se há bebés que após um ano e meio ainda não deram os seus primeiros passos, mais uma vez reforço que é necessário respeitar o ritmo do bebé, e cabe a nós enquanto pais fazer o melhor que conseguirmos, sempre com resiliência. 

É uma fase em que o bebé começa a querer controlar o seu lado motor, a explorar tudo o que está ao seu redor, e sobretudo a querer “festejar” cada conquista. Cada bebé é único e todos são especiais à sua maneira. 

Margarida Lozano


Os valores essenciais na educação de uma criança

Nos tempos passados, de um modo geral, a hierarquia familiar estava muito bem definida e desde muito cedo as crianças aprendiam a seguir os passos dos pais e a obedecer, com base numa autoridade alicerçada na violência física e/ou verbal, em casa e na escola. Este tipo de educação causou repressão nas crianças, e os pais que tomaram consciência desse facto, porque a viveram na 1ª pessoa, começaram a educar os filhos de uma forma diferente. Estes novos pais, de forma consciente ou inconsciente, optaram por educar de uma forma oposta à que conheceram na sua infância. Passou a ser permitido às crianças falarem à mesa, escolherem o que querem comer, brincarem livremente, incluindo passar horas em frente a écrans. 

Algumas décadas volveram desde que esta tendência de parentalidade se instalou no ocidente, e de novo pais e professores voltaram a questionar o novo modelo de educação no ocidente, quando observaram os problemas de comportamento das crianças, como birras incontroláveis, vontades que exigem ver satisfeitas e, em casos extremos, tentativas de comandar completamente a vida familiar em torno dos seus desejos e caprichos.

Também eu questionei os valores essenciais na educação de uma criança e comecei uma busca exterior por respostas que me deu a conhecer um filósofo e educador que revolucionou o pensamento ocidental e oriental e que considerou a educação como sendo de importância primordial na comunicação daquilo que é o centro da transformação da mente humana e da criação de uma nova cultura – Jiddu Krishnamurti. Este pensador considerava a educação como uma atividade religiosa (re-ligar), no sentido desta ter como fundamental objetivo facilitar a ligação do homem ao todo, e não meramente transmitir e adquirir conhecimentos. Repetiu que o medo, a autoridade, condicionavam a aprendizagem da criança e não lhe permitiam desenvolver-se harmoniosamente.

Outra influência importante no meu percurso foi o trabalho do inovador pedagogo Jesper Juul (Family-Lab) e dos valores que definiu para a vida familiar: Igualdade, Responsabilidade Pessoal, Integridade, Autenticidade. Aconselho vivamente que todos os educadores explorem melhor o que significa cada um destes valores pois podem ser bastante iluminadores num sentido mais prático e não tanto filosófico.

Apesar de todas estas inspirações, na minha experiência pessoal como estudante, como mãe de um rapaz de 11 anos e no âmbito do projeto de educação O MUNDO SOMOS NÓS que coordeno atualmente, percebi o que funciona e o que não funciona na educação de uma criança. O que não funciona penso que já muitos de nós sabemos porque nos fomos questionando ao observar as crianças e a sociedade, mas o que funciona é mais difícil de vislumbrar e mais ainda de alcançar. Dei dois bons exemplos de pensadores que nos trouxeram propostas coincidentes, uma mais abstrata e outra mais concreta, sobre a educação. Podemos segui-los e tentar pôr em prática algo que lemos, mas a verdade é que ambos nos incitam a procurar dentro de nós mesmos, enquanto educadores, a chave para dar uma educação melhor aos nossos filhos. 
Então, o que funciona na educação das crianças?
Seguir modelos, sistemas educativos, especialistas, livros?

Eu descobri que aquilo que as crianças precisam é de educadores (pais, professores) conscientes de que representam o fator mais importante na educação. As crianças precisam de guias, de adultos inteligentes e amorosos, que lhes ensinem a arte de viver no seu todo. E elas aprendem por exemplos, aprendem com o que “é” e não com o que lhes dizemos. As nossas “teorias” e explicações de nada servem, pois elas pressentem o que nos vai nos pensamentos e nas emoções, e depois imitam. Por exemplo, se falamos alto com os nossos filhos, podemos esperar que eles falem baixo? Podemos assim dizer que na presença de educadores conscientes a educação funciona mesmo quando não funciona. Porque todos os dias são diferentes, todas as crianças são únicas, nenhum pai ou mãe é perfeito e todas as fases trazem mudanças. Em todos esses momentos, com todos estes elementos em transformação, o educador é aquele que tem a responsabilidade de segurar na sua mão a chave que abre a porta do coração da criança, para que com o amor que sente e a verdade de um relacionamento puro e sincero, ela possa ouvir, dialogar, aprender, e, enfim, ir desabrochando com liberdade.


Ivone Apolinário
Escreve no O Mundo Somos Nós
mãe do Tomás (e mãe em part time de 23 crianças d’ O Mundo Somos Nós), fundadora, coordenadora e formadora do projeto de educação holística O MUNDO SOMOS NÓS
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