As histórias que se ouviam
O mundo está em constante evolução. Todos os dias surgem novas descobertas, tendências e novidades. No entanto, a sensação que tenho é que tudo já foi inventado e reinventado e que estamos a regressar às origens. Isto nota-se nas mais diversas áreas, da moda à alimentação, passando pelo regresso ao uso de materiais e objetos mais tradicionais.
Também na literatura infantil se tem notado uma evolução. Desde o século XVIII que se reconhece a literatura infantil como género próprio, mas sempre associada à pedagogia com objetivos morais e modeladores de comportamentos. Recentemente tem havido cada vez mais a preocupação de refletir nos livros, através dos temas, da forma, da estrutura e do objetivo, a evolução dos tempos e da tentativa de integrar as experiências e vivências das crianças de hoje em dia.
Então, que lugar ocupam as histórias tradicionais junto das crianças de hoje? Podem também ocupar um lugar na estante dos livros ou nos momentos de leitura, juntamente com as outras histórias e livros? Sim! Podem e devem! Para entender este aparente contrassenso, é preciso entender o que são histórias tradicionais e qual o seu papel na vida das crianças.
Segundo a wikipedia, «(…)as histórias tradicionais são um conjunto ordenado de valores, crenças, impressões, sentimentos e conceções de natureza intuitiva, anteriores à reflexão, a respeito da época ou do mundo em que se vive. (…)». Estas tratam temas que fazem parte da tradição do país e do povo, apresentando soluções para problemas universais.
As histórias tradicionais continuam a ser importantes para as crianças de hoje na medida em que transmitem cultura, transportam valores e ensinamentos de geração em geração, despertam o imaginário e a curiosidade, ajudam a contextualizar sentimentos e a estruturar a autoidentificação. Resumindo, as histórias ajudam a criança a crescer de forma sã e mais organizada a nível emocional.
Com tantas mudanças e novas tendências também as histórias tradicionais têm sofrido alterações, para jazer ao ditado popular “quem conta um conto, acrescenta um ponto”. No entanto devo dizer que algumas adaptações foram mais bem conseguidas do que outras. Para mim, todas as adaptações das histórias são válidas, desde que não desvirtuam o seu sentido e a sua natureza e respeitem a sua essência. Por isso termino deixando um recado às mães e aos pais: as histórias são só isso mesmo, não precisam de ter medo delas porque os vossos filhos e filhas também não têm. E se tiverem… é um medo bom, que ajuda a crescer!


Boas leituras

Maria João Travassos

há 18 anos ligada ao universo da criança. Hoje, como mãe de dois filhos, contadora de histórias e mediadora da leitura, vive e trabalha rodeada de livros infantis, de crianças e suas famílias.
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Vêm aí as provas

Não demorarão muito a chegar as épocas de provas para os nossos estudantes preferidos, sejam elas de aferição ou exames nacionais.

Dependendo das idades e das características de cada aluno, há formas como nós Mães (e os pais também, claro!) os podemos ajudar.

Essa ajuda não pode ter início na véspera destes momentos, mas sim, deve ser realizado um trabalho contínuo com início logo no 1º dia de aulas. Pronto, no 2º dia, visto que no primeiro não dão matérias novas.

Desde o 1º ano o aluno deve adquirir métodos de estudo, deve perceber que se estudar um pouco a cada dia terá melhores resultados.

Se for um aluno excelente, sem dificuldades, com facilidade de aquisição das novas matérias não precisará estudar durante tanto tempo como aqueles alunos que têm mais dificuldades, que precisam de algumas ajudas adicionais para adquirirem novos conhecimentos.

Então o que devemos fazer para os ajudar?

Primeiro que tudo, conversar com os nossos filhos sobre a importância do estudo diário e ajudá-los a incutir esse hábito. Logo desde o 1º ano do 1º ciclo, eles devem sentar-se a uma secretária (idealmente não a mesa da cozinha), fazer os famosos TPC e rever toda a matéria dada nesse dia, passar as páginas, reler os textos. Os pais devem ajudá-los nesta tarefa, lendo com eles, fazendo perguntas até perceberem que a matéria está assimilada. Num primeiro ano esta tarefa não deve demorar mais do que 10 a 15 minutos, pois a matéria de cada dia é pouca e, assim, as crianças mantém-se interessadas.

Algumas matérias podem ser estudas sem que eles se apercebam, como por exemplo, em brincadeiras enquanto vão no carro a caminho de casa. A tabuada, os determinantes, os verbos, etc., são matérias que podem ser estudadas sem ter um manual à frente, pelo que, podemos ir no carro e sem que a criança esteja à espera sai um ‘quanto é 8x2?’, resposta certa dá direito à escolha de uma música. O estudo dos aparelhos digestivo, reprodutor, etc., pode ser desmotivante, mas se for feito através de histórias, como se os alimentos ou o sangue fossem personagens, torna-se muito mais interessante e fácil de assimilar. 

Em níveis mais avançados, eles precisarão de menos ajuda quanto mais métodos de estudo tiverem adquirido ao longo dos anos. Por isso, apesar de requerer algum tempo e disponibilidade da nossa parte, verão os resultados desse investimento quando eles estudarem de forma autónoma.

Bons estudos para todos!


Artigo adaptado de https://myblueworldblog.blogspot.pt/ 



Carla Monteiro Escada
Escreve no My Blue World
Mãe do Miguel e do Gabriel, professora, empreendedora, baby lover, fundadora da My Blue World, mum & baby.
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A Luisa Vicente tem 38 anos, é casada com o homem Aranha, tem 2 filhos, a Matilde com 12 anos e o Santiago com 7 anos. Vivem no Montijo e o seu super poder é ser mãe-empresária-cozinheira-atleta! É uma miúda que cresceu no campo a trepar às árvores e a brincar com a bicharada. A vida obrigou-a a crescer rápido e com 17 anos foi viver sozinha para Lisboa, estudava e trabalhava em simultâneo, sempre foi muito curiosa e sedenta de aprender, e desafios sempre foram o seu combustível... fez formação em várias áreas, gestão de recursos humanos, organização de eventos e relações públicas, merchandising, marketing e publicidade... foi viver para o Porto, ficou por lá quase 10 anos...trabalhou em várias empresas, mas foi na indústria farmacêutica que ancorou e acreditou que seria para a vida toda... voltou ao Montijo em 2009 com o objetivo de ganhar raízes!

O que os outros dizem sobre si?
Chamam-me vários nomes... general (hahahaha), força da natureza, guerreira... e outros que prefiro não saber...

Algo que ninguém ou poucas pessoas sabem sobre si?
Poucas pessoas das que me conhecem e lidam comigo no atual registo de vida sabem que tirei um curso de manequim e trabalhei nessa área durante alguns anos... fiz desfiles, produções de moda, fui assistente em programas de televisão e fui muito feliz nesse tempo!

Hobbies?
Crossfit!

Livro ou cinema?
Livros de culinária!

Praia ou campo?
Sol!

O que mais lhe dá prazer?
Estar sentada à mesa a comer e a beber com a família e amigos.

O seu maior sonho?
Chegar aos 50 anos e não ter que trabalhar mais (hahahaha) e ir com o meu homem Aranha viajar pelo mundo fora sem constrangimentos!

O que a maternidade mudou em si?
Mudou tudo! No dia que soube que estava grávida da minha filha, dia 24 de Janeiro de 2006, a minha forma de estar neste mundo mudou! A vida passou a ter um sentido e significado diferentes! Comecei a ter muito mais cuidado comigo, comecei a ter medo de andar de avião, comecei a ter medo de falhar, medo de morrer... Ser mãe fez-me sair da zona de conforto e ultrapassar todos os limites emocionais e físicos. Ser mãe tornou-me num ser maior e mais capaz!


Qual o maior desafio de ser Mãe?
É ter todas as dúvidas e incertezas do mundo e ter de tomar decisões e agir como se estivesse tudo sob controle!
É dizer-lhes que sei que “aquilo” é exatamente o melhor para eles, e ter que aguardar anos, na esperança que um dia venham ter comigo e dizerem: “tinhas razão Mãe!”
É estar cheia de medo e dizer: “vai correr tudo bem”.

Qual o nome do seu, ou melhor, dos seus negócios?
Cantina dos sabores e Santagula.

A que se devem esses nomes?
A Cantina dos sabores é um pronto-a-comer, comida mediterranica reinventada, saudável mas cheia de sabores... a comida é levada à mesa em tabuleiros, como nas cantinas...
O Santagula também é um pronto-a-comer mas num registo de comida ainda mais saudável e vegetariana... Santagula porque comer bem não é pecado!

O que motivou o nascimento do projecto?
Foi a necessidade de ter controlo na minha vida para poder estar presente na vida dos meus filhos!

Porquê um negócio relacionado com comida?
Durante grande parte da minha vida, tive de almoçar em restaurantes, sozinha. E raramente encontrava espaços em que me sentisse bem, com comida saborosa e saudável e com um preço acessível. O meu primeiro restaurante surgiu neste contexto, criar um espaço onde eu gostasse de almoçar todos os dias! A minha maior preocupação é criar pratos equilibrados nutricionalmente e apetecíveis. Preocupo-me bastante com a alimentação e com um estilo de vida saudável! Acredito que somos aquilo que comemos, por isso as escolhas alimentares são muito importantes, mas também gosto muito de comer, é um dos meus maiores prazeres! Por isso o meu grande objetivo com este meu projeto, sempre foi ajudar os meus clientes a terem uma alimentação saudável e prazerosa! Ambiciono que o meu negócio seja visto como um projeto de nutrição em vez de um restaurante!

Como e quando nasceu o negócio?
Quando engravidei do meu segundo filho, percebi que precisava de mais liberdade, precisava de controlar os meus horários, a minha vida... mas o meu trabalho era muito exigente, trabalhava há 10 anos na indústria farmacêutica, tinha excelentes condições... mas passava muito tempo fora, não tinha horários, andava sempre sob pressão, as exigências dos objetivos eram enormes... sentia-me a falhar, tanto profissionalmente como pessoalmente, como mãe... estava a envenenar-me diariamente... estava quase a sufocar... fiquei de baixa às 32 semanas e comprei uma Bimby... cozinhava durante todo o dia, precisava de me manter ocupada. Rapidamente percebi que aquela era a minha praia, cozinhar fazia-me plenamente feliz! Mas de repente surgiu outro problema, não tinha bocas suficientes em casa para comer tanta comida... Durante a licença de maternidade fiz várias formações na área da cozinha e do cake design... cheguei ao fim da internet para conhecer todos os blogues e sites ligados à alimentação, comprei toneladas de livros de culinária... e criar receitas saudáveis tornou-se o meu vício... e a ideia de voltar a trabalhar aterrorizava-me! Comecei a criar um plano! E tudo fazia sentido para mim... tinha a certeza absoluta que queria abrir um restaurante! A família achou que eu estava louca, ou com uma depressão pós parto... Ninguém me apoiou, mas também ninguém me travou! E assim aconteceu... em setembro de 2012 abri o meu primeiro restaurante, um negócio feito à minha medida! O primeiro ano foi duríssimo, implementar um conceito diferente tem vantagens e desvantagens, felizmente consegui chegar ao meu target rapidamente, e os clientes satisfeitos foram trazendo outros clientes... Fui crescendo devagarinho e de uma forma muito sustentada. O Santagula surgiu no segundo ano com intuito de me especializar ainda mais na alimentação saudável, para poder dar resposta a dietas específicas ou restrições alimentares. Atualmente somos uma equipa de 9 elementos especialistas em alimentação saudável.

A maternidade teve alguma influência na criação do projecto?
Foi a maternidade que criou esta necessidade.

Como concilia a vida profissional como a vida pessoal?
Com uma agenda (ahahahaha) sou muito organizada e metódica! Os meus dias são organizados ao minuto! Sou só eu e o meu marido, não temos ajudas. Está tudo calculado ao pormenor! Tivemos de mudar para uma casa mesmo ao lado dos restaurantes, o ATL do miúdos também é na mesma rua, as escolas também são muito perto. Os restaurantes só abrem de segunda a sexta das 7 às 17. O meu dia começa por norma às 6.30, depois as 8.15 vou levar a Matilde à escola, o Santiago vai com o pai as 9.00, durante a manhã divido-me entre os 2 restaurantes, os almoços costumo fazer 1 semana num, 1 semana noutro, também há entregas para fazer, bancos, fornecedores... às 15.15 vou buscar o Santiago à escola e levo-o ao ATL, à tarde vou às compras, depois vou buscar a Matilde à escola e ficam no ATL até as 18.30, depois vamos todos para o CrossFit, às 20.00 voltamos todos para casa... banhos, jantar e preparar mochilas para o dia seguinte... às 21.30 dá o Vitinho... e de segunda a sexta é assim milimetricamente... sábado e domingo não há horários, nem telemóveis, nem compromissos, nem prisões... fazemos aquilo que nos apetece e à hora que nos apetece!
Não é fácil! Mas também se fosse, não era para mim!

Como têm evoluído o projecto?
Tem crescido de forma sustentada! A maior dificuldade que tenho é a gestão dos recursos humanos, é terrível! De resto, sinto-me muito orgulhosa onde cheguei! É um projeto muito gratificante! Sinto-me realizada!

O que mais gosta do seu negócio?
O que mais gosto sem duvida é a minha liberdade! Poder ter o controlo da minha vida! E poder ajudar as pessoas a terem uma alimentação mais saudável! O reconhecimento e agradecimento da parte dos clientes é altamente gratificante!

Se voltasse atrás faria tudo de novo ou alteraria alguma coisa, das suas opções e escolhas profissionais?
Não tenho por hábito pensar muito no passado, olhar para trás... mas acredito que nada acontece por acaso, sou feliz onde estou agora, por isso, penso que teria de fazer tudo como fiz para chegar aqui e sentir o que sinto... claro que nem sempre fiz as escolhas mais acertadas, mas todas elas me ajudaram a chegar aqui e a ser quem sou! Não me posso arrepender de nada!

Perspectivas para o futuro?
Quero continuar a especializar-me cada vez mais nesta área da alimentação saudável. Quero chegar a mais pessoas... Tenho muitas expectativas para este novo ano e acredito que continuaremos a crescer e a ajudar cada vez mais pessoas a serem mais saudáveis!

Perspectivas pessoais para o futuro?
Quero ter mais tempo para viajar, para ser mãe e para mim própria! Gostava de investir mais tempo na minha formação, há tanta coisa que gostava de aprender... Mas acima de tudo quero ser melhor mãe, melhor mulher... melhor pessoa!

Como divulga o negócio?
Para a divulgação do meu negócio utilizo bastante as redes sociais.

O que diferencia o seu negócio dos restantes no mercado?
O que diferencia o meu negócio dos restantes do mercado é a nossa especialização na alimentação saudável, a oferta de produtos diferenciados e únicos! A variedade e qualidade do nosso serviço! Tudo o que fazemos, é feito com amor!

Mensagem para quem ainda não conheça a Cantina dos Sabores e o Santagula.
Convido quem ainda não nos conhece a vir conhecer-nos e a experimentar as nossas refeições e constatar que é possível comer de forma saudável sem perder todo o sabor!

Objectivos para o futuro?
Gostava muito de criar um blogue para poder registar a minha pegada... tenho mesmo muitas coisas para dizer (ahahaha)

E para finalizar um conselho para quem tem um projecto de negócio na gaveta?
A vida é curta de mais para adiar os sonhos! Não há nada mais importante do que encontrarmos a nossa “estrada”... quando fazemos aquilo que gostamos, não temos de trabalhar um único dia da nossa vida! Tenho a certeza que o melhor exemplo que podemos dar aos nossos filhos é termos a coragem de fazermos aquilo que nos faz feliz!


Muito obrigada pela partilha, Luísa. Adoramos conhecer-te melhor.

Podem acompanhar os restaurantes da Luísa através das redes sociais: 
Cantina dos Sabores - facebook e Instagram
Santagula - facebook e Instagram




Desacelerem todos do dia
Todos nós adultos, vivemos numa correria, escolas, supermercados, trânsitos, actividades extracurriculares, ir buscar o mano e à mana à outra escola…
Quando chegam a casa, TU só gostavas de parar, sentar, mas não, há sempre mais e mais rotinas a fazer, os banhos, o jantar e depois “xixi, cama, que amanhã é outro dia” e no meio disto tudo, “vocês pensam, sentem, mas quando é que estive com os meus filhos? Onde partilhamos um momento com eles? No carro, à mesa?”
Sim é bom, mas não são momentos genuinamente só com eles.
Dou-vos umas dicas. E que tal, quando chegam a casa:
- Tiram a roupa que trazem, vistam uma roupa confortável, que vocês gostem e que se sintam bem (TODOS);
- Lavam as mãos e a cara (pode parecer patético, mas a água tem um poder de limpeza brutal, e só este gesto, já nos descarrega de alguma carga do dia), mais uma vez isto é para todos;
- E vão para um local da casa onde gostem de estar reunidos, sentem-se no chão, em roda ou como preferirem, mas juntos, como se fossem plantar a vossa energia de família ali e agora (e é essa mesma a intenção);
- A mãe ou pai começam por contar a parte do dia mais divertida:
“hoje a parte do dia, que mais gostei foi… e a tua filha?”
Com isto geram um momento de partilha positiva e divertida, podem inclusive rir-se uns dos outros. Dêem um abraço de família, soltem gargalhadas.
Podem ir compondo estes círculos de energia em família, acrescentando um cata-ventos uma bola de hoberman e inspiram e expiram contando mentalmente até 3 depois sopram (os cata-ventos);
- Depois a mãe partilha uma palavra do que sente no momento:
“eu estou leve”, “eu estou bem”, “eu estou calma”, “eu estou feliz”, “eu amo-vos”;
- Filhos se quiserem partilhar também partilham.
Este exercício gera harmonia, união e presença, vão sentir-se no presença, no aqui, no agora, em família. 
Este exercício pode levar uns 10-15 minutos que poderão relativizar tudo depois deste acontecimento. Já a mãe/pai vai cozinhar feliz, mais leve mais preenchida de amor, eles vão brincar mais calmos e até aceitar que os banhos fazem parte da rotinas dos dias.


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Ana Neves
Escreve no Mãe, Mulher e Yoga
34 anos, mãe de uma, profissional de saúde, facilitadora de yoga para crianças, criadora do seu mais recente projeto CasaMãe, autora do blog Mãe, Mulher e Yoga.
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A Mónica, tem 38 anos, vive no Concelho de Oeiras, e é mãe de dois filhos: a Mafalda de 5 anos e o António de 2 anos. E é o rosto por detrás da Pintarola Design.

O que os outros dizem sobre si?
O dizem de mim, pelo menos à minha frente, é que sou “simpática, atenciosa, empreendedora, de alegria contagiante, carismática, correta, determinada e muito boa amiga. A nível profissional já me chamaram “uma máquina de trabalho e super mulher.” Eu perguntei mesmo a algumas pessoas ahahah.

Algo que ninguém ou poucas pessoas sabem sobre si?
Sou bastante reservada, o que ninguém diria à partida, porque sou extrovertida e comunicativa, no entanto reservo muito a minha privacidade e sentimentos e só os amigos mais íntimos é que deixo entrar na minha  “bolha”.

Hobbies? 
Yoga, Reiki

Livro ou cinema?
Prefiro o livro porque nos deixa livres para imaginar e sentir o enredo, é uma experiência mais intimista e pessoal. No entanto, também adoro ver filmes.

Praia ou campo?
Praia - não vivo sem o mar. Aquela sensação do sal na pele, o sol, a areia… e poder dar um mergulho a qualquer hora do dia, não tem preço.

O que mais lhe dá prazer?
Estar com os meus filhos, ir buscá-los ao colégio e eles virem a correr para mim a dizer “Mãe! Mãe!” de braços abertos; um mergulho de mar, meditar, beijar na boca, fazer amor, yoga… Receber família e amigos em casa e estarmos todos entre a cozinha e a mesa, uns a fazer petiscos, outros a sangria, todos a provar e a contribuir no que os outros estão a preparar, com os risos dos miúdos de fundo…


O seu maior sonho?
Estou a vivê-lo - Ser mãe! Claro que continuo a sonhar com outras coisas, mas o maior já o estou a viver.

O que a maternidade mudou em si? 
A minha lista de prioridades mudou e o caminho espiritual que iniciei antes de ser mãe, passou a fazer ainda mais sentido: tornei-me uma pessoa mais ponderada e tolerante e conquistei a minha paz interior, o que é também um contra-senso uma vez que o coração de mãe vive fora do peito e o descanso acaba.

Qual o maior desafio de ser Mãe?
Na minha opinião é mesmo educar, e educar pelo exemplo, já que as crianças copiam os comportamentos de quem lhes é mais próximo, porque “faz o que eu digo e não olhes para o que eu faço” é relativamente fácil, já agir correctamente e ter os comportamentos que gostaríamos de ver nos nossos filhos, sempre, é um desafio diário e constante. 

Nome do projecto?
Pintarola Design

A que se deve o nome Pintarola Design?
Essencialmente por duas razões, por um lado queria um nome que tivesse a ver comigo e como tenho muitas sardas e sinais, em miúda alguns amigos chamavam-lhes pintarolas. Por outro lado, no início, a Pintarola centrava-se muito no universo infantil e as pintarolas são uma referência de infância da minha geração, quem não se lembra dos tubinhos cheios de pintarolas?!

E o que é a Pintarolas Design?
Inicialmente a Pintarola Design começou por ser um projecto de arte voltado para a pintura que depressa passou para o design de têxteis, design gráfico com a criação de logotipos, catálogos, animações para marcas e desenvolvimento de material para as redes sociais.

Como e quando nasceu o projecto?
A Pintarola na realidade tem mais de 10 anos, desde os tempos em que pintava aguarelas para os amigos e fazia alguns trabalhos de design gráfico para conhecidos. Entretanto começou a tornar-se um negócio mais sério e com trabalhos regulares em 2015, altura em  que registei a marca.

O que motivou o nascimento do projecto?
O projecto começou como um hobby e desenvolveu-se em negócio com a maternidade. Já tinha alguns clientes e a ideia de poder trabalhar a partir de casa para dar mais apoio à Mafalda (na altura ainda só tinha a Mafalda) foi o que me motivou.

Como concilia a vida profissional como a vida pessoal? 
Tenho uma regra: a partir do momento em que vou buscar os miúdos à escola e até os deitar, não trabalho (mas é daquelas regras permeáveis e infelizmente, às vezes, não dá para cumprir). Assim como ao fim-de-semana tento passar o máximo de tempo com eles a fazer actividades em família.

Como tem evoluído a Pintarola?
Tem evoluído surpreendentemente bem. Não estava à espera de em tão pouco tempo passar de colaborações esporádicas com marcas para o desenho de colecções inteiras de padrões exclusivos. Isto permite-me que a Pintarola seja um negócio a tempo inteiro e única ocupação (e que me leva a trabalhar pela noite dentro ahah).

Qual a profissão anterior? 
Trabalhava em gestão de Marketing.

O que mais gosta do seu projecto?
A autonomia, a criatividade e a diversidade do que posso fazer. Uma das coisas que me dá mais prazer é a criação de padrões para roupa, desde a conceptualização da ideia e o que inspira a coleção do cliente, à pesquisa, execução (desenhar, pintar) e composição já no computador. No final ver o produto final - um vestido, fato-de-banho - com algo que começou numa folha de papel dá imenso gozo.

Se voltasse atrás faria tudo de novo ou alteraria alguma coisa, das suas opções e escolhas profissionais?
Faria tudo como fiz, acho que faria melhor, mas tomaria as mesmas opções. Cada sítio por onde passei deu-me competências que me permitiram avançar com o meu negócio com confiança e ao mesmo tempo ser multidisciplinar e poder fazer a Pintarola evoluir para onde quiser.

Perspectivas da Pintarola para o futuro?
Cada vez fazer mais e melhor pelos meus clientes, algumas marcas estão comigo desde o início e recentemente comecei a oferecer serviços de consultoria de marketing e comunicação digital, nomeadamente no planeamento e produção de conteúdos para o Instagram. Ao mesmo tempo, as solicitações de desenho de padrões exclusivos têm vindo a aumentar, por isso, e com alguma ajuda do universo, perspectiva-se um futuro risonho.

Perspectivas pessoais para o futuro?
Praticar o amor próprio, continuar a investir em tempo para mim e continuar no meu caminho espiritual. Num futuro próximo gostava de fazer o nível III de Reiki, mas é preciso praticar muito nos outros, por isso sem pressa, lá chegarei. 

Como divulga a Pintarola?
Divulgo muito, muito pouco. Sou uma lástima (risos)! A Pintarola está no instagram, facebook e tem site próprio e felizmente o boca a boca funciona e os clientes chegam por referência de outros clientes, alguns clientes chegam por pesquisa no Google que vai dar ao site da marca.

O que diferencia a Pintarola dos restantes projectos semelhantes no mercado?
Acho que quem diferencia os negócios são as pessoas e neste caso, perdoem-me se pareço muito convencida, mas sou eu e os meus clientes. Tenho tido a sorte de me cruzar com pessoas fantásticas que puxam por mim e me têm lançado desafios que me obrigam a sair da zona de conforto.

Mensagem para quem ainda não conheça a Pintarola.
A Pintarola dedica-se à ilustração e design gráfico, com especialidade em design de superfície para têxteis, e  ainda oferece serviços de consultoria de Marketing para negócios. Trabalha com e para empresas, mas também para particulares com trabalhos artísticos de pintura.

Um conselho para quem tem um projecto de negócio na gaveta.
Nada como começar a fazer mesmo que seja apenas no tempo-livre porque tem que manter o emprego actual, o pouco que vai fazendo todos os dias, é alguma coisa ao fim de um mês. Peça ajuda, aos familiares e amigos para lhe darem opinião sincera ou mesmo alguma coisa que precise da parte deles. Tenha objectivos e faça uma boa gestão do seu tempo: ter um negócio próprio pode ser muito desgastante e é muito fácil nos perdermos no meio de tanta coisa que há para fazer, por isso estabeleça prioridades, calendarize o que precisa fazer e os passos que precisa de dar para alcançar os seus objectivos. Arregace as mangas e boa sorte!

Muito obrigada Mónica, pela partilha, adoramos conhecer-te melhor.

Podem seguir a Pintarola nas redes sociais: facebook (aqui) e Instagram (aqui)
Podem ver todos os artigos na loja on-line em www.pintaroladesign.com





O livro também é uma ferramenta

Como mãe e como pessoa tenho uma série de crenças (e não falo necessariamente das religiosas ou espirituais) pelas quais guio a minha maternidade, a minha vida pessoal e profissional. Acredito que, como pais ou prestadores de cuidados que de alguma forma tenham contacto com crianças, temos como missão dotá-las de “ferramentas” essenciais para a sua vida. Agora, que ferramentas cada um considera mais importantes, já é com cada qual.
Hoje quero destacar os livros. Considero que para ajudar as crianças a tornarem-se pessoas, cidadãos e cidadãs livres, conscientes e informados, nada melhor do que lhes incutir o gosto pela leitura. O prazer na leitura e a consciência da sua importância é das ferramentas mais poderosas que lhes podemos deixar na sua “caixa de ferramentas” para a vida. Uma pessoa que lê estimula o seu raciocínio, tem mais vocabulário, tem uma capacidade de expressão escrita mais completa, exercita a memória e a capacidade de interpretação, adquire um conhecimento amplo e diversificado sobre os assuntos, tem opiniões fundamentadas e capacidade de argumentação, tem maior facilidade na integração e participação ativa na sociedade.
Mas antes daqui chegar, há um longo caminho a percorrer. Não somos todos iguais e não nascemos todos com os nossos gostos e interesses definidos à partida. Há uns que podem e devem ser adquiridos ao longo da vida e o gosto pela leitura é certamente um deles. Como? Através de estratégias próprias e adaptadas a cada idade, nível de desenvolvimento e características pessoais.
Para começar, pode e deve se ouvir histórias e lengalengas desde o berço. O tom de voz, a cadência das palavras e a relação que se estabelece nestes momentos levam a que a criança sinta prazer e que comece a associar a escuta da palavra à sensação de satisfação.
A atividade primordial da criança pequena é brincar. É deste modo que ela se apropria do mundo que a rodeia, faz as suas primeiras experiências e se desenvolve na sua globalidade. “Um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar.” (Rubem Alves) e, por isso mesmo, devem ser dados livros às crianças de modo a que se apropriem deles à sua maneira, mesmo que implique pôr na boca ou outras ações que a nós adultos não fazem sentido. O livro é fundamental para alimentar a vontade de descoberta e de conquista da criança.
Depressa chega a fase em que a criança começa a ter prazer em virar as páginas do livro, explorá-lo pelo seu conteúdo e pedir que o adulto o partilhe com ela. É nesta fase que devemos “ler” muitos livros para e com a criança. Livros cartonados, de cantos arredondados e páginas resistentes são ideias para as suas pequenas mãos. Quanto ao conteúdo, devem ser livros simples, com poucas imagens por página e conteúdos adaptados ao seu universo, aos objetos e situações que a criança conhece.
À medida que a criança vai crescendo, os livro também a devem acompanhar. Escolher livros com qualidade ao nível da ilustração, do texto escrito e do projeto no geral é importantíssimo. A criança começa a alargar o seu conhecimento e capacidade de entendimento e os livros devem acompanhar essa evolução. Os livros, as tão conhecidas “histórias”, devem ser explorados em momentos relaxantes lúdicos e afetivos.
A partir de certa altura é comum que os pais comecem a sentir alguma ansiedade em relação à escolarização dos filhos e da formalização das aprendizagens. No entanto o livro surge nesta fase com objetivos completamente contrários. Devem ser objetos lúdicos e estéticos, que atuam na criança ao nível do conhecimento e compreensão do mundo e de outras realidades, das aprendizagens emocionais e cognitivas, do alargamento da imaginação e criatividade. 
Na fase mais formal do ensino, conhecida como o ensino básico, em que o livro é tradicionalmente utilizado para transmitir ensinamentos (os tão conhecidos manuais escolares) devemos continuar a encarar a litura como um momento lúdico e afetivo, sem a carga formal que as escolas continuam a atribuir. Quando o leitor já for autónomo não há razão para não continuar a ler com e para ele para que a leitura possa perpetuar momentos de intimidade, de partilha e de afeto.
Algumas ideias gerais que gostaria ainda de vos deixar: é importante que os adultos que fazem parte da vida da criança dêem eles próprios o devido valor aos livros, uma vez que as crianças aprendem sobretudo por imitação; dar “acesso livre” aos livros e não os guardar como objetos preciosos que só podem ser manuseados com cerimónia; o que mata o gosto pela leitura é, entre outras causas, facto de um livro ser apresentado como obrigação, segundo Alice Vieira; Os livros devem ser selecionados pelos adultos e respeitar critérios como a qualidade e não unicamente o gosto ou a vontade da criança.

Boas leituras

Maria João Travassos